quinta-feira, 24 de julho de 2014

6ª Etapa > 16 e 17 de agosto

Curso da Escola de Formação
Fé, Política e Trabalho 2014 .ano11

Unisinos + Diocese de Caxias do Sul + Cáritas Caxias

6ª Etapa > 16 e 17 de agosto

economia solidária como alternativa à globalização econômica. Experiências práticas na Serra Gaúcha.
Profa. Dra. Vera Regina Schmitz - FACCAT - Faculdades Integradas de Taquara e ESCOOP - Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo

Dicas importantes:
Traz
er copo ou garrafa para água (em razão do cuidado com o ambiente, não há copos descartáveis disponíveis).
Para quem precisar ou quiser dormir no Centro de Pastoral, favor
trazer roupa de cama (lençol e fronha) e toalhas; além de materiais de higiene e uso pessoal. Há possibilidade, mas é opcional.

Local:    

Centro Diocesano de Formação Pastoral - B. Colina Sorriso – Caxias do Sul (Rua Emílio Ataliba Finger, 685 - B.Colina Sorriso - Caxias do Sul - RS - 54.3211.5032)

Horário:

Das 8h30 de sábado às 14h de domingo 

Investimento:
R$ 100 por etapa, partilhados entre:
- participante: R$ 30
- sua comunidade ou entidade: R$ 30
  (inscrição individual: R$ 60)

- Diocese de Caxias (Campanha de Evangelização e Cáritas): R$ 40
O valor é cobrado, independente da presença
(mesmo que faltar em alguma etapa haverá cobrança) É fornecido recibo a cada etapa, após o pagamento.
O valor inclui hospedagem, refeições e materiais.

Trazer roupa de cama (lençol e fronha) e toalhas, se quiser/precisar dormir no local.


Hospedagem
(opcional):
Centro Diocesano de Formação Pastoral

Carga horária:
170 horas-aula (17 por etapa, incluindo preparação prévia e leituras complementares)

Certificação*:
Unisinos – Instituto Humanitas - www.ihu.unisinos.br
(*) mediante frequência mínima de 75%



Escola de Formação Fé, Política e Trabalho
fepoliticaetrabalho@gmail.com
www.fepoliticaetrabalho.blogspot.com
Facebook: Escola Fé, Política e Trabalho
Twitter: @fepoliticaetrab

terça-feira, 22 de julho de 2014

O Anel de Tucum

Anel de tucum é um anel feito da semente de tucum, uma espécie de palmeira nativa da Amazônia. É utilizado por fiéis cristãos como símbolo do compromisso preferencial das igrejas, especialmente da Igreja Católica, com os pobres, especialmente após as Conferências Episcopais de Medellín e de Puebla.
 
O anel tem sua origem no Império do Brasil, quando joias feitas de ouro e outros metais nobres eram utilizados em larga escala por membros da elite dominante para ostentarem sua riqueza e poder. Os negros e índios, não tendo acesso a tais metais, criaram o anel de tucum como um símbolo de pacto matrimonial, de amizade entre si e também de resistência na luta por libertação. Era um símbolo clandestino cuja linguagem somente eles compreendiam





 O ANEL DE TUCUM


"O anel de tucum uma palmeira da Amazônia, aliás com uns espinhos meio bravos. Sinal da aliança com a causa indígena, com as causas populares. Quem carrega este anel normalmente significa que assumiu estas causas e as suas consequências.” Dom Pedro Casaldáliga



ANEL DE TUCUM é o terceiro longa metragem da Verbo Filmes produzido em 35 mm, no ano de 1994. O filme retrata o cotidiano dos homens e mulheres que fazem das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e dos movimentos populares uma realidade. O longa se passa no ano de 1992, mesmo ano que ocorre o 8° Encontro Intereclesial de Comunidades de Base em Santa Maria – RS. Podemos concluir isso com a cena em que o personagem principal, André, aparece em um orelhão e ao fundo estão pregados os cartazes do encontro.


Para uma reflexão sobre o filme podemos dividi-lo em dois momentos que se misturam no transcorrer da exibição, sendo o primeiro uma narrativa ficcional com personagens e roteiros criados, e outro formado de partes documentais onde integrantes reais dos movimentos populares, das Comunidades Eclesiais de Base e lideranças religiosas ganham voz.

Os dois personagens principais da trama são André, filho de um líder dos grandes empresários, interpretado pelo ator João Signorelli e Lúcia, uma filha da classe média que se sensibilizou pela luta das pessoas sem moradia, interpretada por Cintia Grilo. André recebe de seu pai a missão de descobrir quem está liderando a subversão do povo no campo e na cidade e para isso usa o disfarce de jornalista e se infiltra nos encontros dos movimentos populares, no 8° Intereclesial e no encontro da CNBB para investigar quem são os padres e bispos instigadores. No meio do percurso André encontra com Lucia, uma militante ativa na briga pela moradia e que será uma ouvinte fiel das reflexões desenvolvidas por ele durante o filme.
   
Na parte documental as cenas se passam no encontro da Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil em Itaici, São Paulo, em encontros de comunidades e em entrevistas com Dom Pedro Casaldáliga, Dom Luciano e outros.

O filme como uma fonte histórica não estaria de forma alguma descolado das questões e desafios que a Igreja Católica se colocou na década de 90 e nas décadas anteriores. Reflete no filme uma importante indagação que vem lá de São Francisco de Assis e ganhou vida aqui no Brasil e América Latina a partir dos anos 60. A Igreja deve se preocupar com o lado espiritual ou com as necessidades reais, digo, materiais do povo? Em rápida síntese podemos perceber que a Igreja no Brasil a partir da década de 60 faz uma opção clara no sentido de lutar pelas necessidades do povo com um discurso de alcançar a justiça social e a felicidade aqui na terra. No filme observamos isso na fala de Dom Luciano: “Tão importante é a mensagem do Cristo que a Igreja se empenhe, se esforce para que todos tenham vida e que a tenham em abundância.”.


Já a partir de finais dos anos 80 e começo dos anos 90 os setores ligados ao pentecostalismo começam a ganhar força dentro da Igreja e no filme podemos fazer esta leitura logo no começo no momento em que o empresário, pai de André, diz que a Igreja tem que lidar somente com a questão espiritual, deixando a política a cargo deles, os empresários e os políticos.

Decorrendo dessa interrogação anterior o filme parece querer responder quem deve fazer política, ou melhor, de quem é o direito de se manifestar politicamente. A resposta disso sintetiza-se na fala de Dom Pedro Casaldáliga quando interrogado se ele não se acha um Padre político: “Sim, tem a política a favor e tem a política contra, tem a política de uns e a política de outros, alias, André, na vida tudo é política. (…) Tudo é político mesmo que o político não seja tudo.”
O pensar e agir politicamente que o filme coloca é um desafio não só do momento historico em que foi gravado, mas também dos dias atuais. A Igreja, os padres e os fieis devem se negar de participar do debate político? Devem somente tratar dos males que infligem a alma? Enfim, as mesmas questões continuam sendo bem atuais.
Ficha Técnica: 
Ano: 1994
Duração: 106 min
País: Brasil
Produção/Realização: Verbo Filmes – www.verbofilmes.org.br
Direção/Fotografia: Conrado Berning
Roteiro: Maria Inês Godinho, José Gaspar W. Guimarães, Conrado Berning
Atores principais: João Signorelli – André / Cintia Grilo – Lúcia
Participação Especial: Pedro Casaldáliga e as Comunidades Eclesiais de Base
Som direto: Pedro Luiz Siaretta / José Gaspar W. Guimarães
Trilha sonora: Sérgio Turcão
Foto da Capa: Roland Hanka / Brigitte Schulte-Walter
Projeto gráfico da capa: Jorge Custódio
Fonte: http://memoriaecaminhada.wordpress.com/2011/03/17/o-anel-de-tucum/

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Filme completo:
https://www.youtube.com/watch?v=14QFVqqFpc4


Filme completo:
1- http://www.youtube.com/watch?v=rH38btWiMgw
2- http://www.youtube.com/watch?v=7XCHqg3cGIM&feature=related
3- http://www.youtube.com/watch?v=m5aTl_Kn3hE&feature=related
4- http://www.youtube.com/watch?v=-XdzfnDOIOg&feature=related
5- http://www.youtube.com/watch?v=yAhN6WE7T5M&feature=related
6- http://www.youtube.com/watch?v=hagcZBZ31xY&feature=related
7- http://www.youtube.com/watch?v=Ufx0ObUM28c&feature=related
8- http://www.youtube.com/watch?v=uFPGxrRMoBU&feature=related

Trecho do filme, com a participação de Dom Pedro Casaldáliga:
https://www.youtube.com/watch?v=hDFdBQkpk38





domingo, 20 de julho de 2014

"Hoje, 20 de julho, é o Dia do Amigo"


Fotos: Branca Sólio


"O 5º Encontro da edição 2014 da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho, nos dias 19 e 20 de julho, permitiu ao grupo uma troca de cumprimentos pelo Dia do Amigo, além, evidentemente, de muitas reflexão, discussão e avaliação crítica dos modelos social, político e econômico da sociedade capitalista contemporânea.
 
5 etapa > 19 e 20 de julho

A crise contemporânea e as metamorfoses no mundo do trabalho. A globalização econômica e suas repercussões: desemprego, precarização, terceirização, flexibilização, desregulamentação das leis. Impasses e desafios do novo sindicalismo. Análise de conjuntura.
Prof. Dr. André Langer – CEPAT – Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e Faculdade Vicentina. – Curitiba


Para a 6ª etapa teremos:
Dias 16 e 17 de agosto

A economia solidária como alternativa à globalização econômica. Experiências práticas na Serra Gaúcha.
Profa. Dra. Vera Regina Schmitz – FACCAT – Faculdades Integradas de Taquara e ESCOOP – Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo.

A participação é aberta. Quem desejar pode informar-se no blog da Escola"

mais natural
Foto: Branca Sólio
Texto: Branca Sólio
Fonte: http://blogdabranca.com.br/?p=1742

A crise contemporânea e as metamorfoses no mundo do trabalho

Texto: José Antônio Somensi e M. Fernanda M. Seibel
Fotos: M. Fernanda M. Seibel



Nos dias 19 e 20 de julho de 2014, no Centro Diocesano de Pastoral realizou-se a 5ª etapa da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho 2014.ano 11, da Diocese de Caxias do Sul – décima edição – que tem a coordenação da Cáritas de Caxias do Sul e que conta com apoio do Instituto Humanitas Unisinos (IHU).
 

O tema desta etapa foi "A crise contemporânea e as metamorfoses no mundo do trabalho. A globalização econômica e suas repercussões: desemprego, precarização, terceirização, flexibilização, desregulamentação das leis. Impasses e desafios do novo sindicalismo. Análise de conjuntura", com assessoria do professor Dr. André Langer (CEPAT - Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e Faculdade Vicentina. – Curitiba). 

Quais as mudanças, transformações, metamorfoses que aconteceram no mundo do trabalho e porque ocorreram estas mudanças? Com estes questionamentos iniciamos o nosso encontro e vimos que esta Terceira Grande Revolução Tecnológica simbolizada na eletroeletrônica trouxe novas técnicas de produção, a robótica e aumento de produtividade encurtando e eliminando a noção de tempo-espaço. A globalização da informação e os mecanismos de poder que permitem vasculhar a vida das pessoas; a financeirização da sociedade onde os movimentos de pequenos grupos movimentam a economia e qualquer oscilação nas bolsas de valores determinam o fechamento de empresas e abalam as estruturas de um pais. 

Diante das mudanças no mundo do trabalho nas últimas décadas, fomos entrando na história do mundo do trabalho e relacionando os acontecimentos e assimilando os termos tais como: fordismo, toyotismo, sociedade industrial.


O professor André nos lembra que vivemos uma grande crise civilizacional onde o mundo do trabalho não cria mais elos entre colegas, solidariedade e sim competição, alimentados pelas premiações individuais. Com a terceirização enfraquece-se a unidade de lutas e a força dos sindicatos, uma vez que, nas grandes empresas pode ter mais de uma dezena de categorias de trabalhadores (zeladores, seguranças, limpeza, alimentação...) e desta forma perde-se o referencial. Exigem-se conhecimentos do trabalhador através de cursos e grupos de estudo e disponibilidade mesmo fora do horário de trabalho. O trabalho tomou conta de nossas vidas e exerce poder sobre nós numa das características do biopoder.

André nos traz também o alerta de que o imaterial (marca de um produto) assume cada vez mais espaço no mundo, o que vale não é mais o trabalho humano, mas a marca do produto na maioria das vezes produzido por valores mínimos, porém comercializados por valores altíssimos. 

Assim, percebemos que estas mudanças não foram benéficas para toda a população porque temos trabalho escravo, desemprego, mudanças de leis para atender determinadas necessidades do capital.

Foram discutidas as entrevistas publicadas na Revista IHU - On Line:

> A condição de insegurança é a regra do mundo do trabalho, hoje - entrevista com Ruy Braga > Revista IHU - On Line: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAZFFoU0dtUjdMdkk/edit?usp=sharing

> "Afirmar que a terceirização gera emprego é um mito" - entrevista com Ana Tércia Sanches > Revista IHU - On Line:
https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAaWFfdWgzejROX0E/edit?usp=sharing


> Formalização e flexibilização – avanços e retrocessos no mundo do trabalho - entrevista com José Dari Krein > Revista IHU - On Line: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAZm5GdTFHREV2eDg/edit?usp=sharing


> O trabalho mediado pelas inovações tecnológicas. Impactos e desafios, entrevista com Mário Sergio Salerno > Revista IHU - On Line: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAaXhHMWVfYWpLejQ/edit?usp=sharing




E, ainda assistimos o documentário sobre os trabalhadores/as bolivianos/as em São Paulo: NAÇÃOOCULTA - Os bolivianos em São Paulo, dirigido por Diego Arraya. E, também assistimos o filme CARNE,OSSO - Um retrato do trabalho nos frigoríficos brasileiros, que alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam o duro cotidiano do trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos. 

Durante a etapa, o Professor Dr. André Langer sugeriu alguns livros paraleitura complementar: A corrosão do caráter, de Richard Sennett (Editora Record), A condição pós-moderna, de David Harvey (Edições Loyola), Amor líquido, de Zygmunt Bauman (Editora Jorge Zahar), e Modernidade Líquida, de Zygmunt Bauman (Editora: Jorge Zahar). Também os livros de Marcio Pochmann (O emprego no desenvolvimento da nação, O emprego na globalização, Nova classe média, O mito da grande classe média), e de David Harvey (O enigma do capital, Para entender 'O capital' e Os limites ao capital). Ainda, indicou o livro O novo espírito do capitalismo, de Luc Boltanski e Ève Chiapello. E, também livros de Andre Gorz (Miséria do presente, riqueza de lo possível; Capitalismo, Socialismo, Ecología; Metamorfósis del trabajo, demanda del sentido; La ecología como política; Estrategia obrera y neocapitalismo; Crítica de la razón económica; División del trabajo: el proceso laboral y la lucha de clases en el capitalismo moderno; Caminos al paraiso: hacia la liberación del trabajo.

Indicações de filmes sobre o tema:
> ‘Tempos Modernos’ de Charles Chaplin, que mostra a situação vivida pela sociedade depois da crise de 1929 e percebemos que o trabalhador representado é o trabalhador especializado, repetitivo e chato, e a velocidade, a rapidez, é um comando que vem de fora, que agiliza a esteira, e assim os trabalhadores/as perderam controle sobre o tempo. Ainda, a voracidade com que se ditava o ritmo de trabalho na esteira continua presente hoje de forma mais sofisticada. Isso nos faz refletir sobre o que mudou no modo de trabalhar e também de que forma e ritmo está trabalhando.
“Trabalho Interno”, de 2010, que se divide em seis partes: Introdução, 1ª Parte: Como os EUA Chegaram a Crise, 2ª Parte: A Bolha, 3ª Parte: A Crise, 4ª Parte: Prestação de Contas, 5ª Parte: Onde Estamos Agora?. E, segundo o professor Dr. André Langer, ao comentar o documentário: "O 'mercado' é feito por relações sociais, relações humanas, e por isso podem ser modificadas.".


Como reflexão - subjetividade:
O que a partir dessas reflexões, podemos recolher como desafios, perspectivas, cultivos, para minha vida, para meu trabalho?


 

Curso 2014.ano11A próxima etapa será nos dias 16 e 17 de agosto e terá como tema  “A economia solidária como alternativa à globalização econômica. Experiências práticas na Serra Gaúchae terá a assessoria da professora Dra. Vera Regina Schmitz (FACCAT - Faculdades Integradas de Taquara e ESCOOP - Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo).

Os três legados de Gorz

As reflexões de Gorz sobre o trabalho, explica André Langer, “sempre tiveram o cuidado para restringir a ação do capitalismo sobre a ação humana”. A libertação no trabalho, segundo o pensamento do filósofo francês, só ocorre fora do trabalho. Para Langer, essa idéia é significativa “para perceber a radicalidade de seu pensamento anticapitalista, antiprodutivo e antieconomicista”.

Por: IHU Online

Na entrevista especial, concedida à IHU On-Line, por e-mail, nesta semana, Langer atribui um triplo legado a André Gorz. Ele destaca, as reflexões sobre a ecologia, o trabalho e a renda social garantida. “Estou convencido de que esses três núcleos aglutinadores não estão separados e que giram em torno de órbitas teóricas diferentes. Pelo contrário, são, vamos dizê-lo, assim, corpos de uma mesma constelação”, explica.

André Langer produziu o Cadernos IHU nº 5, intitulado Pelo Êxodo da Sociedade Salarial. A Evolução do Conceito de Trabalho em André Gorz. A pesquisa está disponível no sítio do IHU (www.unisinos.br/ihu). Langer é mestre em Ciências Sociais pela Unisinos e doutorando em Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, ele é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR. O Cepat é parceiro estratégico do IHU. Em fina sintonia com o IHU, o Cepat publica semanalmente, nas Notícias do Dia da página eletrônica do IHU, www.unisinos.br/ihu uma análise semanal da conjuntura, disponível para download no início da noite das terças-feiras no blog do IHU e nas manhãs de quarta-feira nas Notícias do Dia.


IHU On-Line - O senhor afirma que é possível dividir a obra de Gorz em duas fases diferentes. Como o senhor avalia essas duas passagens do pensamento dele? A partir de que momento Gorz percebeu as mudanças no mundo do trabalho?
André Langer -
Penso que seja perfeitamente possível dividir a produção teórica de Gorz em duas fases distintas. Na verdade, essa é uma distinção introduzida pelo professor Josué Pereira da Silva , da Unicamp, e que acho pertinente. Pode-se situar a inflexão do pensamento de Gorz no final da década de 1970. O livro Adeus ao proletariado, publicado na França em 1980, recolhe embrionariamente a ruptura na sua reflexão sobre o trabalho e introduz os grandes temas que Gorz irá trabalhar, aprofundar e mesmo revisar daí em diante.

Françoise Gollain  e Dominique Méda  referem-se de outra maneira a esta ruptura. Para elas, é possível dividir os pensadores da questão do trabalho em duas correntes ou campos: a corrente essencialista e a corrente histórica. Esta distinção clareia a noção de trabalho que Gorz passará a desenvolver. Quando Gorz afirma que o trabalho é uma “invenção” da modernidade, assume claramente uma perspectiva histórica de trabalho. O trabalho entendido como “emprego” é algo recente na história, é contemporâneo do capitalismo industrial. Gorz desmancha essa idéia essencialista de trabalho que cultivamos durante muito tempo, mas que não era realista, ainda que cheia de conseqüências.

Emprego x Trabalho
A preocupação de Gorz nesta segunda fase inscreve-se na tentativa de delimitar teoricamente a noção de trabalho. A distinção entre emprego e trabalho ou entre trabalho e atividades sem fins econômicos, como preferia denominar, é central para que pudesse proceder a uma restrição da noção de trabalho. Gorz é um crítico feroz do economicismo. Suas reflexões sobre o trabalho sempre tiveram o cuidado para restringir a ação do capitalismo sobre a ação humana; roubar espaços e tempos do capitalismo sempre esteve em seu horizonte. E a distinção que faz favorece esta restrição da racionalidade econômica.

Gorz acreditava que já não era mais possível haver libertação no trabalho, mas apenas fora dele. Esse é outro aspecto que caracteriza a mudança da primeira para a segunda fase do seu pensamento. Essa idéia foi evoluindo a tal ponto que em seus últimos escritos já admitisse também não mais apenas uma libertação na produção, mas, sobretudo, uma libertação da produção. Isso é significativo para perceber a radicalidade de seu pensamento anticapitalista, antiprodutivo e antieconomicista.

Estou convencido de que esta “revolução” na sua idéia de trabalho é extremamente rica, ousada e provocadora. Ela implica uma mudança de enfoque e de concepção de sociedade que se quer. A distinção que ele faz entre emprego e trabalho é cheia de conseqüências políticas, sociais e pessoais. Gorz sempre a viu também na perspectiva da autonomia dos indivíduos. O trabalho assalariado não é apenas o meio pelo qual o capitalismo se desenvolve, mas, sobretudo uma forma de dominação dos trabalhadores.

Para entender essas reflexão, é preciso ter presente a análise que Gorz faz das conseqüências da revolução da micro-eletrônica, apenas em seus primórdios na década de 1970. Ele não se cansa de acentuar que essa revolução faculta que o capital possa produz mais, com menos trabalhadores e em menos tempo, elevando, assim, fenomenalmente a produtividade. E isso é novo, diz ele, em relação à outra revolução industrial. Uma das conseqüências é que o trabalho não é mais um direito ao qual todos teriam acesso, mas transmuta-se em “privilégio” para poucos. E cada trabalhador precisa “produzir-se” a si mesmo para manter-se competitivo neste mercado de trabalho.

Nestas condições, raciocina Gorz, as formas atuais de organização e concepção de trabalho se esgotaram. E não que lamente isso, pelo contrário. Em determinado momento, diz que é preciso “ousar o êxodo” do trabalho assalariado, ou seja, não se pode olhar para trás e sonhar com o tempo que não volta mais, mas é mais arrojado tentar centrar a atenção em possíveis brechas que a crise do trabalho assalariado possibilita para uma nova organização do trabalho.

Valeria perguntar se a publicação de O imaterial, em 2003, em que Gorz entra na problemática da imaterialidade – do capital e do trabalho – e se debruça também sobre uma análise crítica dos conceitos da economia política, tais como valor e capital, não seria a passagem para uma terceira fase em seu pensamento. Ainda que se perceba a introdução de novos enfoques em sua reflexão, acredito, contudo, que se situam na linha das análises críticas que vem realizando nas últimas duas décadas e meia.

IHU On-Line - Como ele nos ajuda a pensar as transformações no mundo do trabalho? Esse é o seu principal legado?
André Langer -
É impressionante perceber que toda a reflexão de Gorz, por mais teórica que às vezes possa parecer, sempre se guiou no sentido de ajudar a esquerda – européia, sobretudo – a pensar as bases para um novo socialismo, não mais centrado nas condições impostas pelo capitalismo. Mas sempre foi preterido pela esquerda exatamente por suas idéias muito radicais, com exceções, evidentemente. Para ele, um dos objetivos do socialismo é impor limites à racionalidade econômica.

O triplo legado

Penso que se pode pensar num triplo legado de Gorz: suas reflexões sobre a ecologia, o trabalho e a renda social garantida. As reflexões de Gorz sobre a ecologia política foram inovadoras na França. Quando ainda não se discutia esse tema, ele o começa a fazer. Vale destacar que Gorz foi um dos primeiros a criticar a civilização do automóvel. Hoje, esses temas são corriqueiros, mas vale enfatizar sua reflexão pioneira, ainda mais vinda de alguém que se dizia de esquerda. É preciso entender o alcance dessa discussão, pois Gorz não alimentava, ao tratar deste tema, um sentimento bucólico, nostálgico, mas entendia a ecologia política como crítica do capitalismo como produtivismo. Sempre associou essa reflexão à impossibilidade de se seguir indefinidamente o modo de produção e de consumo propostos.

Um segundo legado que Gorz deixa é seguramente a crítica que faz à idéia de trabalho, assim como construída ao longo do capitalismo industrial. Sobre isso já nos referimos acima.

A defesa de uma renda social garantida é um dos vértices da sua discussão sobre o trabalho. As formas tradicionais de distribuição das riquezas, via salário, como remuneração pelo trabalho socialmente útil realizado pelos trabalhadores, caducaram. É preciso inventar novas formas de partilha das riquezas socialmente produzidas. O tema da renda social garantida, ou renda cidadã, é um dos fios condutores que perpassa toda a segunda fase de sua produção.

Ele revê sua concepção para torná-la realmente consonante com sua concepção antieconômica. Diverge, nesse sentido, dos demais pensadores que defendem, como ele, a renda cidadã. Ele concebe a renda social garantida como uma política que possa abrir caminhos para o êxodo da sociedade do trabalho e das mercadorias. Ele vê nela uma maneira não de legitimar o capitalismo, mas, ao contrário, de enfrentá-lo exatamente no plano da produção. Pensa-a na perspectiva de tornar possível o desenvolvimento ilimitado dos indivíduos e não como outra maneira de subjugá-los ainda mais. Nisso, Gorz diverge de outros defensores da renda cidadã, como Antonio Negri, Maurizio Lazzarato, Yann Moulier-Boutang e Giuseppe Cocco, no Brasil, entre outros. Para estes, a renda cidadã seria uma maneira de o capital remunerar aquelas habilidades, conhecimentos, enfim, exterioridades, de que o capital se utiliza para a produção de riquezas, sem no entanto pagar por isso. Na perspectiva de Gorz, isso seria uma ampliação da lógica do capital para espaços ainda livres da lógica economicista. Para Gorz, ao contrário, a renda cidadã deve ser entendida como uma maneira de impor limites ao capital e proporcionar o pleno desenvolvimento das pessoas.

Estou convencido de que esses três núcleos aglutinadores não estão separados e que giram em torno de órbitas teóricas diferentes. Pelo contrário, são, vamos dizê-lo, assim, corpos de uma mesma constelação.


IHU On-Line - Como você teve contato com a obra de Gorz?
André Langer -
Meu contato com a obra de Gorz se deu na preparação ao mestrado, em 1999. Meu orientador, professor Inácio Neutzling, sugeriu-me estudar a definição de trabalho em Gorz. Desafio que aceitei prontamente e com empenho. Comecei a ler material disponível em português, para me familiarizar com o assunto. Confesso que no começo foi tudo muito frio, muito seco, pois suas idéias eram radicalmente contrárias às que alimentava até então. Fiquei assustado, mas aos poucos fui entendendo que trabalhar Gorz exigia uma “revolução” nas minhas idéias e em muitos princípios que tinha. Todo o movimento social e sindical tinha sempre uma outra maneira de olhar para o trabalho. Também na Pastoral Operária, onde militava, isso era verdade. Gorz caminhava na contramão. E está na contramão até hoje em muitas de suas idéias.

Mas havia um segundo limite a superar para entrar no universo de Gorz: a língua. Com exceção de Adeus ao proletariado, todo o resto da sua produção intelectual estava em francês. Digo isso até para ressaltar que hoje, felizmente, grande parte da sua obra já se encontra em português.


Um discípulo de Gorz
 
Dessa maneira, fui me aproximando do meu mestre e procurando acompanhar sua obra. Lembro que no mestrado, certa vez um professor, sabendo que estudaria Gorz, me disse, franzindo a testa: “Isso pode lhe causar problemas”. Porque significava estudar um autor que ainda estava vivo e no auge de sua produção teórica. Poderia mudar suas idéias, mas também porque ainda não havia uma produção crítica produzida sobre o conjunto de sua obra. Assim mesmo aceitei o desafio, sabendo que não estava sozinho nesta caminhada.

Mas a curiosidade intelectual vai acompanhada da curiosidade por saber quem foi André Gorz. Não o conheci pessoalmente. No ano passado, Gorz publicou, na França, um livrinho dedicado à sua esposa Dorine. O livro chama-se Letrre à D. Histoire d’un amour, isto é, Carta a D. História de um amor. O livro é uma elegia à mulher de sua vida, mas é também autobiográfico. (Uma curiosidade: Gorz dedica quase todos os livros a Dorine, que um dia lhe disse: “Tua vida é escrever. Então escreva”.) Livro pequeno (76 p.), de leitura agradável, revelou-me um Gorz muito apaixonado, carinhoso, terno e afetivo. Na realidade, o livro me surpreendeu, pois sempre o vi escrever sobre temas de relevância teórica, em linguagem sempre filosófica e sociológica.


Cumplicidade

Após saber da morte do casal, reli a Carta. O livrinho, que espero também seja traduzido e publicado no Brasil, revela curiosidades da relação do casal, mas também como certas idéias teóricas encontram seu embrião em acontecimentos da vida pessoal. Refiro-me à relação da ecologia política com a saúde de Dorine. Ainda que a gênese das idéias sobre a ecologia seja anterior, elas ganham um reforço com o estado de saúde de sua esposa. Em uma de suas viagens aos Estados Unidos, os dois ficam muito impressionados com a “civilização americana”, “com seu esbanjamento, as frituras, a Coca-Cola, a brutalidade e as cadências infernais de sua vida urbana”, conta. E em outro momento conta que eles mesmos se impunham limites para a questão do consumo: “Mas nós nunca elevamos o nosso nível de vida e de consumo à altura de nosso poder de compra. Havia entre nós um acordo tácito em relação a este assunto”.

Gorz também conta que os encontros com Ivan Illich  em Cuenavaca, no México, tiveram um peso importante em suas vidas. Uma das questões fundamentais que Illich colocava dizia respeito à “autogestão”, que, para Gorz, confirmava a urgência da “tecno-crítica”. Em 1973, porém, Dorine começa a ter dores de cabeça insuportáveis e inexplicáveis.

O diagnóstico é cruel: ela sofria de aracnoidite, uma doença degenerativa e para a qual não havia nenhum tratamento. Ela se nega a seguir os tratamentos convencionais e a depender deles. “Tu decidiste tomar em tuas mãos teu corpo, tua doença, tua saúde; tomar o poder sobre a tua vida em vez de deixar a tecnociência medicinal” fazê-lo. Dorine decide praticar yoga como forma de se apropriar do seu corpo e controlar as dores. E Gorz conclui dizendo que “tua doença nos levou ao terreno da ecologia e da tecnocrítica”. Mais: “a ecologia tornou-se um modo de vida e uma prática diária constante para implicar a exigência de uma outra civilização”.

A doença e o amor entre os dois os leva a morarem numa casa no interior, onde passaram muitos anos, ocupando-se de si, plantando, recebendo amigos. Ele escrevendo, dando entrevistas. “Tu acabas de fazer 82 anos”, escreveu no ano passado. Ele tinha um ano a mais. “Ainda és bela, graciosa e desejável. Há 58 anos vivemos juntos e te amo como nunca”. Na última página, se pode ler: “Eu não quero assistir à tua cremação; eu não quero receber um frasco com as tuas cinzas. Ouço a voz de Kathleen Ferrier que canta ‘Die Welt ist leer, Ich will nicht leben mehr’ (O mundo está vazio, Eu não quero mais viver) e eu me acordo. Gostaríamos de não ter de sobreviver à morte do outro. Muitas vezes dissemos que se, porventura, tivermos uma segunda vida, gostaríamos de passá-la juntos”.

Alonguei-me de propósito neste tema, pois acredito que estas passagens são, por um lado, reveladoras de um Gorz cheio de paixão e de vida, e, por outro, não são conhecidas do grande público brasileiro. A trajetória intelectual de Gorz deixa transparecer um espírito inquieto, insatisfeito, livre, imprevisível, pois sempre atento às mudanças da realidade. Mesmo morando afastado do centro urbano (tido como sinônimo de acesso à informação, no senso comum), não ter nunca usado a internet, sempre esteve incrivelmente atualizado. Não se instalou em suas idéias tomando-as como escudos, mas soube revê-las, abandoná-las quando necessário. Em tudo foi um grande intelectual. E, por isso, representa uma grande perda.


http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1362&secao=238

Pelo Êxodo da Sociedade Salarial. A Evolução do Conceito de Trabalho em André Gorz

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"Pelo Êxodo da Sociedade Salarial. A Evolução do Conceito de Trabalho em André Gorz" é o tema dos Cadernos IHU no. 5.

O autor é André Langer, mestre em Ciências Sociais pela Unisinos e doutorando em Ciências Sociais na UFPR. O autor atualmente é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR.

Clique aqui para download PDF:
http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ihu/005cadernosihu.pdf 


Cadernos IHU
http://www.ihu.unisinos.br/cadernos-ihu/58296-pelo-exodo-da-sociedade-salarial-a-evolucao-do-conceito-de-trabalho-em-andre-gorz

sábado, 19 de julho de 2014

Leitura complementar

Lista de alguns autores e livros sugeridos pelo Prof. Dr. André Langer para leitura complementar:


Marcio Pochmann
Professor do Instituto de Economia da Unicamp. Seu livro Nova classe média, publicado pela Boitempo em 2012 é um dos finalistas do prêmio Jabuti deste ano na categoria de não-ficção. No período de 2001 a 2004, em São Paulo, Pochmann dirigiu a Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade durante o governo da prefeita Marta Suplicy. Se 2007 a 2012 exerceu a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília.
Livros:
O emprego no desenvolvimento da nação

O emprego na globalização
Nova classe média
O mito da grande classe média
 


David Harvey
Um dos marxistas mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de vanguarda na análise geográfica das dinâmicas do capital. É professor de antropologia da pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) na qual leciona desde 2001. Foi também professor de geografia nas universidades Johns Hopkins e Oxford. Sua obra foi apontada pelo Independent como uma das mais importantes de não-ficção publicadas desde a Segunda Guerra Mundial. 
Alguns livros: O enigma do capital (2011), Para entender 'O capital' e publicará, ainda este ano, Os limites ao capital.










 


A Condição Pós Moderna, de David Harvey. (Loyola)
 
 



Andre Gorz
Nascido em Viena, em 1923, é considerado como um pensador da ecologia política e do anticapitalismo. 
Livros:
Misérias Do Presente, Riqueza Do Possível (1997)
Capitalismo, Socialismo, Ecología (1994)
Metamorfósis del trabajo, demanda del sentido (1988)
La ecología como política (1979)
Estrategia obrera y neocapitalismo (1964)
Crítica de la razón económica
División del trabajo: el proceso laboral y la lucha de clases en el capitalismo moderno
Caminos al paraiso: hacia la liberación del trabajo
Socialismo y revolución
Historia y enajenación



 


Amor líquido, de Zygmunt Bauman. (Jorge Zahar)
 
 



Modernidade líquida, de Zygmunt Bauman. (Jorge Zahar)  













A Corrosão do caráter - Consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo, de Richard Sennett (Record, 2004, 204p) 
Sinopse: A partir de entrevistas com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muitos outros, Sennett estuda os efeitos desorientadores do novo capitalismo. Ele revela o intenso contraste entre dois mundos de trabalho - aquele da rigidez das organizações hierárquicas no qual o que importava era um senso de caráter pessoal, e que está desaparecendo, e o admirável mundo novo da reengenharia das corporações, com risco, flexibilidade, trabalho em rede e equipes que trabalham juntas durante um curto espaço de tempo, no qual o que importa é cada um ser capaz de se reinventar a toda hora.
  



O novo espírito do capitalismo, de Luc Boltanski e Ève Chiapello. A obra foi publicada pela Editora WMF Martins Fontes, 2009.

Trabalho Interno

Ano: 2010
Duração: 109 MINUTOS 



O documentário se divide em 6 partes:

- Introdução

- 1ª Parte: Como os EUA Chegaram a Crise

- 2ª Parte: A Bolha

- 3ª Parte: A Crise

- 4ª Parte: Prestação de Contas
- 5ª Parte: Onde Estamos Agora?


INTRODUÇÃO : como foi semeada e cultivada a bancarrota da Islândia, que começou no ano 2000 e culminou em 2008. 
 
1ª PARTE: COMO OS EUA CHEGARAM A ISTO? Após a depressão de 1929, a economia norte-americana entrou num período de crescimento, que se estendeu até os anos 90. Toda a economia do país era regulada por leis , fiscalizadas pelo governo. A partir dos anos 90, o governo começou a ser pressionado para diminuir a regulamentação, e deixar a economia nas mãos das grandes corporações. Dá-se então a desregulamentação.
2ª PARTE: A BOLHA – Com a desregulamentação a economia entra num período de euforia, com o sistema financeiro emitindo muitos títulos, em troca de empréstimos públicos, que jamais foram devolvidos. Todos os vícios pessoais da cúpula executiva, eram pagos com verba pública; alimentando e aumentando, inclusive a prostituição. Na hora da prestação de contas, todos estes gastos entravam com despesas de manutenção destas instituições. A economia entra em colapso, se transformando numa bola de neve.
3ª PARTE: A CRISE – Empréstimos desenfreados, seguros duvidosos, imóveis supervalorizados, documentação contábil falsificada, só poderia mesmo desembocar em crise, que atinge os EUA, e refletem no restante do mundo. Empresas quebradas, milhões de desempregados, milhares perderam suas casas, ficando sem ter onde morar, pois foram lesados por seus corretores, e não tem mais como pagar o imóvel financiado.
4ª PARTE: PRESTAÇÃO DE CONTAS - O s responsáveis por estas estratégias, que causaram um rombo na economia mundial, apenas foram afastados de seus cargos, ou demitidos, recebendo indenizações milionárias. Transformaram os bancos nas instituições mais poderosas do mundo, pois são eles que dão as cartas, põem e depõem governo, de acordo com seus interesses corporativos. Influenciam as políticas públicas , impedem a votação de leis que beneficiem a população, pois financiam as campanhas políticas dos eleitos. Nesta apropriação indevida das verbas públicas, participaram: intelectuais, economistas, políticos com a conivência do governo. Todos, de uma forma ou de outra, aumentaram de forma exorbitante e indecente suas fortunas pessoais.
5ª PARTE: ONDE ESTAMOS AGORA? Com a globalização da economia, somos hoje governados por Wall Street. Todos os postos chaves do governo Obama, são ocupados pelas mesmas pessoas, que foram os responsáveis pela crise financeira de 2008, causando graves danos a população mundial. Nunca o governo norte-americano teve uma desigualdade tão grande , como tem hoje entre pobres , remediados e ricos. Investem cada vez menos na educação pública , com isto sendo o país desenvolvido com maior desigualdade social. Tudo é financiado, e frequentemente são enganados pelos seus corretores, tendo que devolver os bens, como: carro,casa, etc, pois não conseguem mais quitar as prestações do empréstimo.
> Comentários sobre o documentário de Solange de Moraes Guerra, em 17/08/2012.




Carne, Osso



Carne, Osso


Trailer:

Filme: 

Trabalhadores falam sobre ritmo acelerado de produção em frigoríficos

Técnico da Previdência Social mostra estatísticas sobre acidentes em frigoríficos

Frigoríficos driblam fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego

Especialistas falam de problemas gerados pelo excesso de movimentos repetitivos

Trabalhadores, empresários e poder público discutem trabalho em frigoríficos

Profissionais da saúde comentam sobre doenças ocupacionais em frigoríficos  

Conheça os principais problemas de saúde e trabalho em frigoríficos 

Trabalhadores relatam acidentes em frigoríficos




Um retrato do trabalho nos frigoríficos brasileiros













 
Documentário alia imagens impactantes a depoimentos 

que caracterizam o duro cotidiano do trabalho 

nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos

Quem trabalha em um frigorífico se depara diariamente com uma série de riscos que a maior parte das pessoas sequer imagina. Exposição constante a facas, serras e outros instrumentos cortantes; realização de movimentos repetitivos que podem gerar graves lesões e doenças; pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção; jornadas exaustivas até mesmo aos sábados; ambiente asfixiante e, obviamente, frio – muito frio.
Esse é o duro cotidiano de trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos que o documentário Carne, Osso traz à tona. Ao longo de dois anos, a equipe da ONG Repórter Brasil percorreu diversos pontos nas regiões Sul e Centro-Oeste à procura de histórias de vida que pudessem ilustrar esses problemas.

O filme alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam uma triste realidade que deve ser encarada com a devida seriedade pela iniciativa privada, pela sociedade civil e pelo poder público.

Danos físicos e psicológicos

“Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. Ainda é um pouco difícil porque o círculo vicioso já foi criado. O trabalhador adoece e vem pro INSS [Instituto Nacional de Seguro Social]. Ele não consegue retornar, ele fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que agora para desfazer não é tão rápido e fácil”
Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do INSS de Chapecó (SC).
As estatísticas impressionam. De acordo com o Ministério da Previdência Social, um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média da população economicamente ativa do Brasil.

Ritmo frenético

“A gente começou desossando três coxas e meia. Depois, nos 11 anos que eu fique lá, cada vez eles exigiam mais. Quando saí, eu já desossava sete coxas por minuto”
Valdirene Gonçalves da Silva, ex-funcionária de frigorífico
Em alguns frigoríficos de aves, chegam a passar mais de 3 mil frangos por hora pela “nória” – a esteira em que circulam os animais. Há trabalhadores que fazem até 18 movimentos com uma faca para desossar uma peça de coxa e sobrecoxa, em apenas 15 segundos. Isso representa uma carga de esforço três vezes superior ao limite estipulado pelos especialistas em saúde do trabalho.

Reclamações curiosas

“Tu não tem liberdade pra tu ir no banheiro. Tu não pode ir sem pedir ordem pro supervisor teu, pro encarregado teu. Isso aí é cruel lá dentro. Tanto que tem gente que até louco fica”
Adelar Putton, ex-funcionário de frigorífico
Muitos trabalhadores se queixam também de restrições de menor importância – pelo menos, aparentemente. Por exemplo: o funcionário só pode ir ao banheiro com permissão do supervisor e em um tempo bastante curto, coisa de poucos minutos. Também são tolhidas aquelas conversinhas paralelas que possam diminuir o ritmo de trabalho.

Problemas com a Justiça

“O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações. E isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria”
Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3)
Nas regiões em que estão instaladas as indústrias frigoríficas, boa parte dos processos que correm na Justiça do Trabalho diz respeito a essas empresas. Em cidades como Chapecó, no oeste de Santa Catarina, as ações movidas por trabalhadores contras essas companhias respondem por mais da metade dos processos.

Pujança econômica

“Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor. O Estado tem que se posicionar. Não se pode fazer de forma tão impune ações que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores”
Maria das Graças Hoefel, médica e pesquisadora
O Brasil é simplesmente o maior exportador de proteína animal do mundo. O chamado “Complexo Carnes” ocupa o terceiro lugar no pódio do agronegócio nacional, atrás apenas da soja e do açúcar/etanol. Em 2010, as vendas externas superaram US$ 13 bilhões. No total, o setor emprega diretamente 750 mil pessoas. Vale lembrar que muitos desses frigoríficos se transformaram em gigantes no mercado mundial com dinheiro do governo via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – o principal banco de fomento da economia brasileira.

Melhorar é possível

“Basicamente, é conscientizar essas empresas para reprojetar essas tarefas. Introduzir pausas, para que exista uma recomposição dos tecidos dos membros superiores, da coluna. Em algumas vai ter que ter diminuição de ritmo de produção. Nós estamos hoje chegando só no diagnóstico do setor. Mas as empresas ainda refratárias a esse diagnóstico”
Paulo Cervo, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
Não é difícil diminuir a incidência de problemas no ambiente de trabalho de um frigorífico. Reduzir a jornada de trabalho, adotar um rodízio de tarefas, diminuir o ritmo da linha de produção e realizar pausas mais frequentes e mais longas são algumas medidas possíveis. Falta apenas que as empresas se conscientizem disso.

http://reporterbrasil.org.br/carneosso/