sexta-feira, 1 de julho de 2016

Relatos de estudantes que foram conduzidxs à delegacia na última quinta-feira, após confusão no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul



O aluno M. M., de 16 anos, que foi conduzido algemado à delegacia após confusão no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul, nesta quinta-feira, fez um relato do ocorrido para a assessoria de comunicação do Sinpro/Caxias:

"Nós decidimos fazer uma reunião após o recreio, para formar uma chapa para o Grêmio Estudantil. Fomos até a sala do Grêmio e os professores nos pediram para pegar autorizações para sair das aulas. Buscamos as autorizações e, quando estávamos voltando, professores e pais nos ameaçaram. Decidimos voltar para as salas de aula para evitar conflitos. Após meia hora, nos chamaram para a sala dos professores. Quando eu cheguei, estavam lá dois policiais, um homem e uma mulher. O homem me pediu para tirar o boné. Eu perguntei o motivo. Ele me agrediu com três tapas e disse que eu tinha que aceitar as ordens dele, que eu não era ninguém. Ele me algemou, tirou o meu boné e me deu pontapés. Então foram chegando os outros alunos e também levaram tapas. Os policiais não deixaram os meus colegas filmarem. Nisso chegaram mais dois policiais com metralhadoras. Um deles bateu com a arma em mim e pediu se eu estava algemado. Mostrei que estava. Disseram que eu ia apanhar, teria que me ver com eles. E que na delegacia não devia dizer que havia apanhado. Eles nos colocaram em forma de 'trenzinho' e nos levaram para a delegacia. O policial disse que eu iria sair algemado para passar vergonha diante dos outros. Fiquei algemado até às 13 horas, quando chegou o advogado. A partir daí eles se acalmaram e mudaram a forma de nos tratar. Eu acho que a Brigada Militar não tem tanta culpa, mas a direção da escola disse para eles coisas sobre nós que não são verdade. A gente só queria fazer uma reunião. Eu nunca imaginei viver isso dentro de uma sala dos professores."

Nas últimas duas semanas, o Sinpro/Caxias estava entrevistando os alunos que protagonizaram as ocupações, para saber qual é o sonho de escola que eles têm. 
O Sinpro/Caxias repudia o ocorrido hoje. 

Para saber mais: 
http://pioneiro.clicrbs.com.br/rs/geral/cidades/noticia/2016/06/alunos-e-professores-do-cristovao-vao-para-a-delegacia-apos-confusao-em-caxias-6279865.html

http://www.leouve.com.br/cidadania/educacao/item/75907-confusao-termina-com-alunos-e-professores-do-cristovao-na-delegacia-em-caxias

http://www.redesul.am.br/noticias/geral/30-06-2016/alunos-e-professores-do-cristovao-se-desentendem-e-vao-parar-na-delegacia

http://www.radiocaxias.com.br/portal/noticias/confusao-entre-estudantes-e-professores-do-cristovao-termina-na-policia-65187

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A aluna V.S., de 16 anos, também fez um relato para a assessoria de comunicação do Sinpro/Caxias. Ela foi conduzida à delegacia após confusão no Instituto Estadual de Educação Cristóvão de Mendoza, em Caxias do Sul, na quinta-feira. O Sinpro/Caxias ainda recebeu outros testemunhos, todos com diferentes detalhes mas descrevendo o mesmo fato. 

"Quando bateu o sinal do fim do recreio, fomos até a sala do Grêmio para fazer uma reunião com a finalidade de discutir a formação de uma chapa. A vice-diretora pediu que a gente buscasse autorizações para sair da aula. Fomos buscar as autorizações e quando voltamos, pais e professores gritaram conosco. Houve uma discussão. Disseram que iam chamar a patrulha escolar. Voltamos para as nossas salas de aula. Depois, nos chamaram para ir à sala dos professores. Quando o M.M. entrou na sala, um brigadiano pediu que ele tirasse o boné. Ele perguntou o porquê. O policial deu um tapa nele, o relógio do policial quebrou, o boné do M.M. caiu. O policial algemou o M.M., colocou-o no chão e começou a dar chutes nele. Nós tentamos gravar e uma policial veio para o nosso lado. Nisso chegou o C. e pediu o que estava acontecendo. Ele disse que não ia ficar lá e tentou sair. O policial começou a dar tapas no C. A gente teve que sair um atrás do outro até o carro da polícia. Havia quatro carros de polícia. O M.M. foi levado primeiro e o policial falou que ele ia apanhar mais. Foi tudo muito confuso, mas eu acho que tinha seis policiais na sala dos professores, quatro homens e duas mulheres. Nós ficamos apavorados, eles nos assustaram. O que mais me deu medo foi pelos meus amigos. Me disseram que o M.M. ia para a Febem. A minha mãe recebeu a notícia de que eu estava presa. Eu acho que não seria necessário polícia na escola. Achei que, no máximo, íamos assinar uma ata."

Nas últimas duas semanas, o Sinpro/Caxias estava entrevistando os alunos que protagonizaram as ocupações, para saber qual é o sonho de escola que eles têm. 
O Sinpro/Caxias repudia o ocorrido nesta triste quinta-feira (30/06).

ARIANO SUASSUNA

"...não acho que o ser humano seja um ser completo, ele está a caminho e ele caminha para o absoluto, para a divindade. O Cristo dizia uma coisa muito interessante. Ele disse que nós temos que ser fermento. Ele sabia que o homem está a caminho. Mas perceba que o progresso moral da humanidade é muito lento. (...)

No momento, acho que isso não é possível. Mas não me desespero. É por isso que, por maiores decepções que você sofra, a política é uma coisa indispensável. Isso porque, ela entendida como deve ser, é a arte do bem comum. Uma decisão política bem tomada melhora muito as coisas.

Agora, repito que essa é uma mudança lenta. Nós gostaríamos de identificar o tempo da história como o tempo da nossa biografia. Mas isso não é possível. Veja bem, antes do Cristo, a crueldade era uma coisa tão comum que não se tinha sequer acanhamento em demonstrá-la. Júlio César foi considerado um sujeito muito generoso porque, em relação aos generais do tempo dele que cortavam as duas mãos dos povos conquistados, ele só cortava uma. Pois bem, hoje a crueldade continua, porém ninguém mais tem coragem de expô-la com essa desfaçatez. Isso, em si, é um ganho. Embora, elas tenham ocorrido através do sangue de muitos inocentes, sobretudo, daquele que chamamos de Cristo."

ARIANO SUASSUNA


quinta-feira, 30 de junho de 2016

Preconceito social: somos todxs preconceituosos


PRECONCEITO SOCIAL29/JUN/2016 ÀS 17:19

Experimento da Unicef escancara o preconceito que vive em cada um de nós

Você ajudaria esta criança na rua? Unicef faz experimento e escancara o preconceito que vive em cada um de nós

anano unicef preconceito nosso vídeo


O que você faria se encontrasse uma criança de seis anos sozinha em um lugar público?


Um vídeo (assista abaixo) lançado pelo Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância, escancara o preconceito que vive em cada um de nós. Protagonista do experimento, Anano, uma menina de apenas seis anos ficou "perdida" duas vezes: em uma delas, estava bem vestida, limpa e penteada.

"Quantos anos você tem?"
"Você está perdida?"
"Você está sozinha?"
"Você mora aqui perto?"

Essas foram algumas das perguntas que quem passava por perto fez a Anano. Depois, a menina foi colocada no mesmo lugar, dessa vez com roupas velhas e sujas. Seu rosto também não estava limpo, e ela usava um gorro por cima do cabelo desgrenhado. Ainda era a mesma menina de seis anos, que dessa vez foi completamente ignorada.

O mesmo experimento foi feito em um restaurante: bem vestida, Anano conquistou quem estava por ali. Além de muitos beijos, ela ganhou também um avião de papel. Quando estava mal vestida, Anano foi escorraçada do lugar. Ela chorou tanto que o experimento foi suspenso.

E você, o que faria?

Segundo o El Español a iniciativa não quer culpabilizar ninguém, mas conscientizar, por meio de uma campanha "visual e potente", a desigualdade. "São os invisíveis entre os invisíveis", afirma o Unicef ao jornal.

Risco

O vídeo também serve de alerta para o fato de que quase 70 milhões de crianças morrerão antes dos cinco anos até 2030 e 167 milhões viverão em pobreza extrema nesse ano se a comunidade internacional não investir já nas mais crianças pobres.

Intitulado "Uma oportunidade justa para todas as crianças", o relatório anual revela que, embora o mundo tenha registado progressos na infância, essas melhorias não foram uniformes e as desigualdades marcam a vida de milhões de crianças.

"Quando olhamos para o mundo de hoje, somos confrontados com uma verdade desconfortável, mas inegável: As vidas de milhões de crianças são arruinadas pelo simples fato de terem nascido num determinado país, comunidade, género ou circunstância", escreve o diretor-geral da organização, Anthony Lake, no prefácio do relatório.

Para ele, "agora é o momento de agir" porque, se o mundo não acelerar o ritmo de progresso, 69 milhões de crianças morrerão, em sua maioria de causas evitáveis, antes de completarem cinco anos, até 2030, o ano em que terminam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis, definidos no ano passado.

África

Nesse mesmo ano, as crianças da África subsaariana terão 10 vezes mais probabilidade de morrer antes dos cinco anos do que as dos países ricos e nove em cada dez crianças a viver em pobreza extrema estarão naquela área, alertou Anthony Lake.

Se nada for feito, mais de 60 milhões de crianças em idade escolar estarão fora da escola e cerca de 750 milhões de mulheres terão sido casadas na infância.

O diretor-geral da Unicef sublinha que o futuro não tem de ser tão sombrio e lembra que muitos dos constrangimentos que impedem o mundo de ajudar estas crianças não são técnicos.

"São uma questão de compromisso político. São uma questão de recursos. E são uma questão de vontade coletiva", alertou.

O relatório revela que investir nas crianças mais vulneráveis pode produzir benefícios imediatos e a longo prazo, tanto para as próprias crianças como para a sociedade.

Segundo o documento, cada ano adicional de escolaridade que uma criança frequenta se traduz em um aumento de cerca de 10% dos rendimentos que aufere na idade adulta e, por cada ano adicional de escolaridade que os jovens de um país completam, as taxas de pobreza diminuem cerca de 9%.

"Mais do que nunca, devemos reconhecer que o desenvolvimento só é sustentável se puder ser continuado – sustentado – pelas gerações futuras", escreveu Anthony Lake.

E exemplifica: "Quando ajudamos um menino a ter acesso aos medicamentos e nutrição de que precisa para crescer saudável e forte, não só aumentamos as suas hipóteses na vida, como reduzimos os custos sociais e económicos associados à doença e à fraca produtividade".

O prefácio do diretor-geral termina com um apelo: "Nós conseguimos. A injustiça não é inevitável. A desigualdade é uma escolha. Promover a equidade – uma oportunidade justa para cada criança, para todas as crianças – também é uma escolha. Uma escolha que podemos fazer e devemos fazer. Pelo seu futuro, e pelo futuro do nosso mundo".

VÍDEO:

Agência Lusa e HuffPost Brasil

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http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/06/experimento-da-unicef-escancara-o-preconceito-que-vive-em-cada-um-de-nos.html



Experimento social de Unicef cuestiona el clasismo contra los niños

Publicado em 29 de jun de 2016
Con motivo de la presentación del informe anual Estado Mundial de la Infancia, Fondo de las Naciones Unidas para la Infancia (Unicef) ha compartido en Internet un experimento social en el que Anano, una niña de 6 años, es caracterizada y puesta en dos diferentes situaciones para hacer reflexionar a la sociedad sobre el trato que se le da a los infantes a partir de su situación social y económica. El organismo llama al individuo a enfrentar sus propios prejuicios y recordar que todos los niños y las niñas merecen una oportunidad. teleSUR

Experimento Social | La niña perdida | Unicef España

¿Qué harías si vieras a una niña de 6 años sola en la calle? UNICEF ESPAÑA Pone a prueba tus prejuicios con un experimento y descubre lo que sienten millones de niños cada día. 

quarta-feira, 29 de junho de 2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

“Nenhum Papa foi tão longe na condenação ao capitalismo como Francisco”. Entrevista com Michael Löwy

O papado de Francisco continua a alvoroçar o catolicismo e a opinião pública mundiais, num pontificado que, ao lado da promessa de fomento à "opção pelos pobres", tem ousado fazer críticas às engrenagens de um capitalismo em crise em níveis bem acima do esperado.

Para discutir o papel daquele que muitos consideram o maior líder político da atualidade, o Correio da Cidadania, 21-06-2016, entrevistou o filósofo franco-brasileiro Michael Löwy, estudioso da Teologia da Libertação.



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Terça, 28 de junho de 2016

"Nenhum Papa foi tão longe na condenação ao capitalismo como Francisco". Entrevista com Michael Löwy

papado de Francisco continua a alvoroçar o catolicismo e a opinião pública mundiais, num pontificado que, ao lado da promessa de fomento à "opção pelos pobres", tem ousado fazer críticas às engrenagens de um capitalismo em crise em níveis bem acima do esperado. Para discutir o papel daquele que muitos consideram o maior líder político da atualidade, o Correio da Cidadania, 21-06-2016, entrevistou o filósofo franco-brasileiro Michael Löwy, estudioso daTeologia da Libertação.

"Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais... Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: 'Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou... Elimine-o'", pontuou.

Ao mesmo tempo em que reconhece o papel e importância do novo papado, Löwy contrabalança parte da visão otimista que existe hoje relativamente às posturas de Francisco. Não por conta da polêmica em relação à ditadura argentina, mas por ponderar que a crítica ao capitalismo e aos modos de acumulação fazem parte da tradição da Igreja. O filósofo faz questão, de toda forma, de ressaltar, que "a esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A teologia da libertação nos ensina também a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base".

Na entrevista, Löwy também comenta o encontro do Papa em Havana com o patriarca Kiril, líder da Igreja Ortodoxa russa, e avalia a possibilidade de união entre as três grandes religiões monoteístas frente ao capitalismo, entre outras observações que podem ser lidas na íntegra a seguir.

Eis a entrevista.

Quem é Papa Francisco? O que pretende?

Gostaria, antes de responder sua pergunta, de homenagear a memória do fundador do Correio da Cidadania, meu querido amigo e companheiro de lutas Plínio de Arruda Sampaio, um cristão socialista comprometido com a luta do povo brasileiro por sua emancipação, um adversário intransigente da ditadura militar, do latifúndio, do imperialismo e do perverso sistema capitalista. Sua vida foi um exemplo de coerência ética e política, de dignidade e de coragem.

Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, não era considerado um homem de esquerda. Seu comportamento durante a ditadura militar argentina é um exemplo de "pecado por omissão": não apoiou e tampouco se opôs ao regime. Não é, portanto, surpreendente que tenha sido eleito Pontifex Maximum pelo mesmo conclave que havia eleito Ratzinger - Bento XVI - pouco tempo antes.

Entretanto, apenas eleito, surpreendeu por uma sucessão de iniciativas corajosas, a começar pela visita à Lampedusa, para denunciar o tratamento dado pela Europa aos refugiados (muçulmanos em sua maioria). Em relação à teologia da libertação, sua atitude é radicalmente distinta da dos dois pontífices anteriores: Gustavo Gutierrez foi convidado ao Vaticano e o processo de canonização de Monsenhor Romero, aberto. Se lemos atentamente asEncíclicas de Bergoglio, percebe-se a influência de uma corrente importante do catolicismo da Argentina: a teologia da libertação não-marxista, representada por pensadores como Juan Carlos Scannone.

Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Será que conseguirá? Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais... Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: "Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou... Elimine-o".

A encíclica Laudato Si ataca frontalmente o sistema capitalista. O que isto significa vindo de um Papa?

Bergoglio não é marxista e a palavra "capitalismo" não aparece na Encíclica. Mas fica muito claro que para ele os dramáticos problemas ecológicos de nossa época resultam das "engrenagens da atual economia globalizada", engrenagens que constituem um sistema global, "um sistema de relações comerciais e de propriedade estruturalmente perverso".

Quais são, para Francisco, estas características "estruturalmente perversas"? Antes de tudo, é um sistema no qual predominam "os interesses ilimitados das empresas" e "uma discutível racionalidade econômica", uma racionalidade instrumental que tem por único objetivo aumentar o lucro. Para o Papa, esta perversidade não é própria de um país ou outro, mas de "um sistema mundial, onde predominam a especulação e o princípio de maximização do lucro, e uma busca de rentabilidade financeira que tende a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e o meio ambiente. Assim, se manifesta a íntima relação entre degradação ambiental e degradação humana e ética".

A obsessão do crescimento ilimitado, o consumismo, a tecnocracia, o domínio absoluto da finança e a divinização do mercado são outras características perversas do sistema. Em sua lógica destrutiva, tudo se reduz ao mercado e ao "cálculo financeiro de custos e benefícios". Mas sabemos que "o meio ambiente é um desses bens que os mecanismos de mercado não são capazes de defender ou de promover adequadamente". O mercado é incapaz de levar em conta valores qualitativos, éticos, sociais, humanos ou naturais, isto é, "valores que excedem cálculos".

O poder "absoluto" do capital financeiro especulativo é um aspecto essencial do sistema, como revelou a recente crise bancária. O comentário da Encíclica é contundente: "a salvação dos bancos a todo custo, fazendo a população pagar o preço, confirma o domínio absoluto das finanças que não têm futuro e só pode gerar novas crises, depois de uma longa, custosa e aparente cura".

Sempre associando a questão ecológica e a questão social, Francisco constata: "a mesma lógica que dificulta tomar medidas drásticas para inverter a tendência ao aquecimento global é a que não permite cumprir com o objetivo de erradicar a pobreza". Existe uma longa tradição de crítica do capitalismo liberal, ou dos "excessos " do capital na Igreja Católica. Mas nenhum Papa foi tão longe nesta condenação como Francisco.

Em 12 de fevereiro, Papa Francisco e o e o Patriarca Kirill, encontraram-se em nome de suas igrejas quase 1.000 anos após o cisma, em Cuba, e assinaram um documento que contém este texto: "O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do "Novo Mundo" e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes". Um "Novo Mundo" na visão dos dois líderes religiosos é um mundo socialista?

Francamente, não atribuo tanta importância a este encontro, que tem mais a ver com a diplomacia das relações inter-religosas do que com a revolução cubana... O "Novo Mundo" de que falam não é o "mundo socialista", mas simplesmente o continente americano, designado há séculos como "Novo Mundo". O conceito de "socialismo" não faz parte do vocabulário de nenhum do dois líderes religiosos.

O que a Teologia da Libertação tem a ensinar para a esquerda mundial, considerando suas diferentes correntes de pensamento?

Em primeiro lugar, ela nos ensina que a religião pode ser outra coisa, diferente de simples "ópio do povo". Aliás, MarxEngels já haviam previsto a possibilidade de movimentos religiosos com uma dinâmica anticapitalista. A esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A teologia da libertação nos ensina também a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base, junto às classes populares, em seus bairros, igrejas, comunidades rurais e escolas.

Uma unidade política de caráter anticapitalista e anti-imperialista entre as grandes religiões monoteístas (Cristã, Judaica e Islã) é possível no ponto de vista de alguns teólogos e mais, fundamental para superar o capitalismo em escala global. O que pensa sobre isso? É possível superar o capitalismo sem esta unidade?

Não acredito em unidade anticapitalista das "grandes religiões monoteístas"... O que pode existir é uma convergência ecumênica entre correntes progressistas, anticapitalistas, anti-imperialistas, ecologicamente conscientes, em todas as religiões, não só as três que menciona. Por exemplo, o budismo, o hinduísmo, religiões africanas, umbanda, candomblé, religiões indígenas das Américas etc. Já existem redes progressistas, como a Associação de Teólogos do Terceiro Mundo, que é ecumênica. Não sei se superar o capitalismo sem esta convergência é possível ou não, mas ela é uma contribuição importante para a conscientização de amplas camadas populares.

A igreja católica no Brasil está alinhada ao Papa Francisco?

Boa parte dos bispos da CNBB está alinhada com Francisco. Alguns até gostariam que ele fosse mais longe. Outros, pelo contrário, acham que ele está colocando em perigo a doutrina da fé e tentam colocar obstáculos para suas propostas. Mas a Igreja brasileira, apesar de seus limites, em particular no que concerne ao direito das mulheres sobre seu corpo - divórcio, contracepção, aborto - é uma das mais progressistas do mundo católico.

Objetivamente, Papa Francisco tem condições de criar uma unidade internacional de caráter progressista para enfrentamento ao capitalismo?

Não! Nem objetivamente, nem subjetivamente. O Papa não se coloca tarefas deste tipo! Para enfrentar o capitalismo necessitamos da unidade internacional dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos indígenas, dos explorados e oprimidos, que são a esmagadora maioria da humanidade. O Papa poderá, eventualmente, contribuir para uma tomada de consciência social e ecológica de um amplo setor dos fieis católicos. Já é muito!

A "Opção Preferencial pelo Pobre", conjunto de ideias e ações práticas contrárias à lógica da acumulação e retenção de capital do atual sistema político e econômico, se colocadas plenamente em prática resultará em confrontos violentos. Como se posicionará o Papa neste cenário, em sua avaliação?

A Igreja, tradicionalmente, busca "evitar" os confrontos violentos. Mas na Conferência de Medellín dos bispos latino-americanos, em 1968, foi adotada uma resolução importante que reconhece o direito de insurreição do povo contra tiranias e estruturas opressivas. Como sabemos, alguns membros do clero levaram sua opção libertária e seu compromisso com a luta dos pobres até as últimas consequências, participando de movimentos armados de emancipação.

Foi o caso de Camilo Torres na Colômbia, que resolveu aderir ao Exército de Libertação Nacional e foi morto em combate em 1966. Poucos anos depois, um grupo de jovens dominicanos deu seu apoio à ALN, dirigida por Carlos Marighella, no combate contra a ditadura militar. E nos anos 1970, os irmãos Cardenal e vários outros religiosos participaram da Frente Nacional de Libertação da Nicarágua. É difícil prever, no momento atual, que tipo de "confrontos violentos" se darão contra o sistema capitalista, e menos ainda qual será a posição do Papa Franciscofrente a uma situação deste tipo.

Mudando de assunto, mas para não deixar escapar a oportunidade, como você enxerga o atual momento político brasileiro? Que desfecho gostaria que a crise política, econômica, social e ética tivesse?

Vejo a conjuntura brasileira atual com muita preocupação. Tenho muitas críticas ao governo de Dilma Rousseff, fez demasiadas concessões ao capital financeiro, aos bancos, aos latifundiários e tomou várias medidas opostas aos interesses das classes populares. Por outro lado, não posso deixar de manifestar um repúdio categórico à aprovação do processo de impeachment que afastou a presidente, um verdadeiro golpe de Estado pseudo-legal.

É uma verdadeira farsa tragicômica o que acaba de se passar no Congresso: uma quadrilha de gângsteres políticos, comprometida com os escândalos de corrupção, derruba a presidenta democraticamente eleita - um dos poucos políticos não acusados de corrupção, - por supostas "irregularidades administrativas". Tudo isso em nome de "Deus", da "Pátria", da "Família", se escondendo atrás da bandeira nacional. Sem falar nos adeptos da ditadura militar e dos métodos de tortura do coronel Ustra. Uma vergonha!

É triste ver como o Partido dos Trabalhadores, que em sua origem tinha uma grande coerência ética e política, acabou sendo envolvido no escândalo da Petrobras. Mas ele está longe de ser o único! É absurdo pretender, como o faz a média conservadora, que o PT tem o monopólio da corrupção: os principais dirigentes da oposição, a começar pelo famigerado Eduardo Cunha - e dezenas de outros, do PSDB, do PMDB, do PP etc. - estão comprometidos com o "assunto".

Minha esperança é que a Frente Brasil Popular, que inclui partidos de esquerda e movimentos sociais, consiga seus objetivos: ao mesmo tempo impedir o golpe e obrigar o governo de Dilma a romper com as políticas neoliberais. Só uma ampla mobilização do povo brasileiro, dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos negros, de todos os explorados e oprimidos, poderá por um fim à tentativa da oligarquia reacionária de tomar o poder e acabar com a democracia no Brasil.

Minhas simpatias vão ao Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL), um dos poucos a não estar comprometido com Lava Jatos e outras ignomínias; ele é, a meu ver, o digno herdeiro do que de melhor havia no PT das origens, quando ainda se propunha a acabar com o grande inimigo dos trabalhadores e da democracia: o sistema capitalista.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/556989-nenhum-papa-foi-tao-longe-na-condenacao-ao-capitalismo-como-francisco

segunda-feira, 27 de junho de 2016

"Os cristãos devem pedir perdão por ter acompanhado tantas decisões equivocadas" Papa Francisco

  • 27/06/2016 09h53
  • Roma
da Agência Ansa

O papa Francisco disse no último domingo (26) que a Igreja deve pedir desculpas aos homossexuais pela forma com que foram tratados todos estes anos.

"Os cristãos devem pedir perdão por ter acompanhado tantas decisões equivocadas", disse, quando foi questionado se está de acordo com o cardeal Reinhard Marx, que declarou que a Igreja Católica deve pedir desculpas à comunidade gay por tê-la marginalizado.Em conversa com jornalistas a bordo do avião papal, quando voltava de uma visita de três dias à Armênia, Francisco voltou a dizer que se a pessoa "tem boa vontade e que busca Deus, quem somos nós para julgá-la?".

"Eu creio que a Igreja não só deve pedir desculpa a essa pessoa que é gay e que ofendeu, mas também deve pedir desculpas aos pobres, às mulheres e às crianças exploradas no trabalho. Deve pedir desculpas por ter abençoado tantas armas", acrescentou.

Em 2013, na viagem de regresso a Roma após visitar o Rio de Janeiro para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o papa Francisco chamou a atenção da imprensa mundial ao se referir pela primeira vez como Pontífice sobre o tema. "Se uma pessoa é gay e procura Jesus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la? O catecismo diz que não se deve marginalizar essas pessoas. Elas devem ser integradas à sociedade", declarou na ocasião.

Edição: Graça Adjuto

Debate em Caxias: "Mídia e Poder no Brasil"

Debate em Caxias: "Mídia e Poder no Brasil"

 

Revelar as relações entre a mídia e o poder na política brasileira é o objetivo do debate que será realizado no dia 7 de julho, no auditório do Sindicato dos Bancários de Caxias de Sul, às 19h30min. Para o debate "Mídia e Poder no Brasil", o historiador Marcelo Caon vai receber como convidados os jornalistas Juremir Machado e Moisés Mendes.

 

Diante da atual situação política que os brasileiros estão vivenciando, percebeu-se a importância de trazer à tona uma discussão sobre as escolhas que a imprensa faz na cobertura de uma pauta. Nesse encontro, será possível conhecer a visão de dois experientes jornalistas gaúchos, motivando a reflexão sobre democracia, governabilidade, parcialidade e critérios de noticiabilidade com a contribuição de um mediador Doutor em História.


Juremir Machado é professor da PUCRS, escritor, colunista do Correio do Povo e apresentador do programa Esfera Pública, na Rádio Guaíba. Moisés Mendes iniciou no jornalismo na Gazeta de Alegrete, o mais antigo jornal em circulação no Estado. Por 27 anos, trabalhou na Zero Hora, onde foi editor de Economia, editor especial, e, até fevereiro de 2016, colunista do jornal. Atualmente, dedica-se ao blogdomoisesmendes.com.br e escreve para o jornal Extra Classe On-line. O mediador Marcelo Caon é doutor e mestre pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) na Área de Concentração em História das Sociedades Ibérica e Americanas.

Juremir Machado         Moisés Mendes

   

O encontro é uma iniciativa do Coletivo de Comunicação Alternativa. A promoção é do Sindicato dos Bancários, com apoio do Sinpro/Caxias e Sindiserv. 

A participação é gratuita, mas as vagas são limitadas

As inscrições devem ser feitas pelo e-mail caxiasmidiaepoder@gmail.com ou pelo telefone (54) 3223.2166.

 


Créditos Acervo Pessoal

Arte Marco Aurélio Spalding Verdi

 

Lisiane Zago | Jornalista MTB 12.375

Assessoria de Imprensa

(54) 9905.7991

domingo, 26 de junho de 2016

Dicas de vídeos, filmes, livros, textos da 4ª etapa do Curso 2016.ano13

Dicas de vídeos, filmes, livros, textos da 4ª etapa do Curs2016.ano13

4ª etapa / 18 e 19 de junho

Bioética. Fundamentos éticos da dignidade humana, do cuidado com a vida e responsabilidade com o outro. Consciência crítica frente à tecnociência, à biotecnologia, ao biopoder, à nanotecnologia e à saúde pública.
Prof. Dr. José Roque Junges – Unisinos
Projeto de uma ética planetária.
Prof. Pós-Dr. Luiz Carlos Susin - PUC-RS

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Bioética. Fundamentos éticos da dignidade humana, do cuidado com a vida e responsabilidade com o outro. Consciência crítica frente à tecnociência, à biotecnologia, ao biopoder, à nanotecnologia e à saúde pública.
Prof. Dr. José Roque Junges – Unisinos


Textos indicados pelo Prof. Dr. José Roque Junges: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/textos-indicados-pelo-prof-dr-jose.html

Um guia de leitura para a Laudato Si': https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAZEMwQmZLQXFrclU/view

Entrevista Lodato Si: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAQUpkb01LRGY5VTg/view

Ser e estar na cultura tecnológica: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAOV9NTkpSeTU3cUU/view

Financeirização da Saúde: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAazdsTVlXV0FBemM/view

Desafio do Sistema Único de Saúde: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAc1NMSTlWb3JpT3M/view


Textos, documentários e filmes:

Encíclica "Laudato Si": https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAMmVPUHhDendOVHM/view

A encíclica 'Lodato si' e os pobres da Terra: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/a-enciclica-lodato-si-e-os-pobres-da.html

Ser e estar no mundo da cultura tecnológica - Entrevista especial com Eduardo Vizer: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/a-enciclica-lodato-si-e-os-pobres-da.html

A tolice da inteligência brasileira ou como o país se deixa manipular pela elite - Jessé  Souza: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/a-tolice-da-inteligencia-brasileira-ou.html

Pegada Ecológica? O que é isso? http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/pegada-ecologica.html

Do caos à lama: a verdadeira e cruel face do modelo mineral brasileiro: http://www.inesc.org.br/noticias/noticias-do-inesc/2016/junho/do-caos-a-lama-a-verdadeira-e-cruel-face-do-modelo-mineral-brasileiro - Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=uH3yOBYvrOc - http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/do-caos-lama-verdadeira-e-cruel-face-do.html

A História das Coisas: https://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw - http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/a-historia-das-coisas.html 

A liberdade de morrer sem diagnóstico. As críticas sociais de Ivan Illich à saúde. Entrevista especial com Roberto Passos Nogueira - http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/a-liberdade-de-morrer-sem-diagnostico.html


Biopolítica, biopoder e o deslocamento das multidões - Entrevista especial com Leonora Corsini: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2015/07/bioopolitica-biopoder-e-o-deslocamento.html
Universalidade, integralidade, equidade e SUS - BIS, Boletim do Instituto de Saúde (Impr.) v.12 n.2 São Paulo ago. 2010: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2015/07/universalidade-integralidade-equidade-e.html

Corpo e subjetividade na medicina. Entrevista especial com Liana Albernaz de Melo Bastos: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2015/07/corpo-e-subjetividade-na-medicina.html


Mística: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/em-prol-da-vida.html
Em prol da vida - Pe Zezinho: 
https://www.youtube.com/watch?v=mYFLV93TMEE

Beta Cáceres, mártir da ecologia integral - 13/04.2016: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/553560-berta-caceres-martir-da-ecologia-integral

Materiais do Prof. Dr. José Roque Junges - Unisinos:
Vulnerabilidade e políticas públicas de saúde: limites e possibilidades: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAUkhIX1FEb3VSMjQ/view?usp=sharing
I. Illich, a expropriação da saúde. Nêmesis da medicina: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwANXdiZV9xa2lYeEk/view?usp=sharing
Medicalização, farmacologização, healthicization: https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAU1U0MDdnajI2Qm8/view?usp=sharing

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Projeto de uma ética planetária.
Prof. Pós-Dr. Luiz Carlos Susin - PUC-RS

"Crise: enquanto o velho mundo demora a desaparecer e o mundo novo demora a nascer; tempo de monstros." (A. Gramsci)

Ethos - casa: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/ethos-casa.html

Narradores de Javé - Filme brasileiro que retrata a cultura sertaneja e processo da oralidade histórica: https://www.youtube.com/watch?v=Trm-CyihYs8 - http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/narradores-de-jave.html



O planeta, nossa casa, vista de fora. O que fomos? http://eol.jsc.nasa.gov/HDEV/ - http://eol.jsc.nasa.gov/ForFun/HDEV/ - Experiência estética e experiência que dá uma nova postura para se relacionar com a terra. Enxergar a terra a distância é enxergar a Terra como nossa casa comum: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/o-planeta-nossa-casa-vista-de-fora-o.html





Livros:
Nosso planeta, nossa vida: ecologia e teologia. Organizadores: Luiz Carlos Susin e Joe Marçal Gonçalves dos Santos: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/nosso-planeta-nossa-vida-ecologia-e.html
A vida dos outros - Ética e teologia da libertação animal. Gilmar Zampieri,Luiz Carlos Susin
Cuidar da casa comum - Chaves de leitura teológicas e pastorais da Laudato Si
Hannah Arendt: exemplo de mudança de paradigma no exercício do "Poder".
No paradigma mecânico: manda quem pode e obedece quem deve'. O poder se revela violência.
No paradigma sistêmico: "o poder é a capacidade de ação em conjunto".
Pessoas tem poder quando conseguem fazer com que as outras consigam esse poder. É o empoderamento, fazer emergir esse poder. Pessoas poderosas são as que são capazes de empoderar outras pessoas.
"O poder só é efetivado enquanto a palavra e o ato não se divorciam, quando as palavras não são vazias e os atos não são brutais, quando as palavras não são empregadas para velar intenções, mas para revelar realidades e os atos não são usados para violar e destruir, mas para criar relações e novas realidades." Hannah Arendt
"O poder emerge onde quer que as pessoas se unam e ajam em conjunto." Hannah Arendt
"Ser visto e ouvido por outros é importante pelo fato de que todos vêem e ouvem de ângulos diferentes. É este o significado da vida pública." Hannah Arendt


As sufragistas - Inspirado no movimento sufragista do final do século XIX e início do XX, na Inglaterra, o drama "As Sufragistas" (Suffragette) retrata a vida de um grupo de mulheres que resistia à opressão de forma passiva, sendo ridicularizadas e ignoradas pelos homens. A partir do momento em que começam a encarar uma crescente agressão da polícia, elas decidem se rebelar publicamente. Um dia, após sair da lavanderia em que trabalha, Maud se assusta com o caos de um protesto e acaba reconhecendo uma companheira de trabalho entre os manifestantes. A partir desse momento, a personagem decide reivindicar seus direitos como mulher e a lutar por sua dignidade. - Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=e88IJJv7PLQ - Filme completo: https://www.youtube.com/watch?v=GBvaJC6lb2U - http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/as-sufragistas.html


Ética supõe "conhecimento" e "liberdade"
"Ética" está ligada a eco-nomia, eco-logia, ecu-menismo
Desafios ético mundiais, na complexidade de quatro problemas e desafios:
1. Crises financeiras
2. Crise ecológica
3. Crise alimentar
4. Crise de civilização
...
Crises financeiras:
Trabalho interno: https://vimeo.com/39018226
O capital no século XXI, 
Thomas Piketty
...
1. Crises financeiras
- que se "replicam"
- Crise de "fides", de crédito, confiança
- "Peste emocional" (William Rech)
- Buscando causas: "Excesso" e "bolha": característica da hipermodernidade (Hibris)
- Produção da desigualdade e do desequilíbrio (distopia) de Rochfeller a Thomas Piketty
- A atual função do dinheiro: "todos de joelhos"
- Da "economia da salvação" à "salvação pela economia" e agora a "salvação da economia". Ajuste fiscal e sacrifícios de vitimas expiatórias (René Girard - Min. Levy...)
2. Crise ecológica
- Aquecimento global / desequilíbrio e excessos climáticos / aumento do nível dos oceanos / desertificação
- Causas humanas: desflorestamento, carbono, poluições, desequilíbrio extrativista, etc.
- "Pegada ecológica" / "impressão ecológica": o custo ecológico dos modos de produção e de consumo.
- Vítimas climáticas e novas formas de migração
- O risco de precipitação e o medo apocalíptico
3. Crise alimentar
- Na diferença entre economia financeira (especulativa) e economia real ("excessos e escassez" simultâneas)
- Resultante de múltiplos fatores: desigualdades e improdutividade da economia real crescentes
- Geografia da fome: uma questão política (Josué de Castro - Milton Santos)



Material do Prof. Pós-Dr. Luiz Carlos Susin - PUC-RS:





Um ano após a publicação da encíclica Laudato si', são muitos os líderes ambientalistas assassinados em todos os cantos do planeta. E muitos outros continuam lutando por um mundo mais justo: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/556631-mortos-por-defender-a-criacao-os-martires-da-laudato-si


Laudato Si: http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2016/06/laudatosi.html | Novo sítio "Laudato Sí" por ocasião do primeiro aniversário da encíclica (http://bit.ly/28M7934). | Assassinato de ecologistas bate recorde e Brasil é o país mais perigoso da região (http://bit.ly/28KjW3d).


"...não acho que o ser humano seja um ser completo, ele está a caminho e ele caminha para o absoluto, para a divindade. O Cristo dizia uma coisa muito interessante. Ele disse que nós temos que ser fermento. Ele sabia que o homem está a caminho. Mas perceba que o progresso moral da humanidade é muito lento. (...) No momento, acho que isso não é possível. Mas não me desespero. É por isso que, por maiores decepções que você sofra, a política é uma coisa indispensável. Isso porque, ela entendida como deve ser, é a arte do bem comum. Uma decisão política bem tomada melhora muito as coisas. Agora, repito que essa é uma mudança lenta. Nós gostaríamos de identificar o tempo da história como o tempo da nossa biografia. Mas isso não é possível. Veja bem, antes do Cristo, a crueldade era uma coisa tão comum que não se tinha sequer acanhamento em demonstrá-la. Júlio César foi considerado um sujeito muito generoso porque, em relação aos generais do tempo dele que cortavam as duas mãos dos povos conquistados, ele só cortava uma. Pois bem, hoje a crueldade continua, porém ninguém mais tem coragem de expô-la com essa desfaçatez. Isso, em si, é um ganho. Embora, elas tenham ocorrido através do sangue de muitos inocentes, sobretudo, daquele que chamamos de Cristo." Ariano Suassuna - http://rascunho.gazetadopovo.com.br/um-homem-de-boa-fe/

Álbum de fotos da etapa: https://www.facebook.com/EscolaFePoliticaETrabalho/photos/?tab=album&album_id=1012552388840513


> Livros indicados pela Escola de Formação Fé, Política e Trabalho

AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA, Eduardo Galeano (acessa em pdf: https://copyfight.noblogs.org/gallery/5220/Veias_Abertas_da_Am%C3%83%C2%A9rica_Latina%28EduardoGaleano%29.pdf)

O BANQUEIRO DOS HUMILDES, Muhammad Yunus

A POBREZA, RIQUEZA DOS POVOS – A transformação pela solidariedade, Albert Tévoédjrè


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