quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Debates Brasilianas.org - Especial com Mangabeira Unger (TV Brasil) 13.04.2015

Debates Brasilianas.org - Especial com Mangabeira Unger (TV Brasil) 13.04.2015

Unger analisa o papel dos novos meios de comunicação no debate político e o desafio que o planejamento do poder executivo tem à frente para melhorar a relação direta com a sociedade. Ele aborda também a sua vivência no campo político e visão a respeito da conjuntura social e política atual, em comparação a conjuntura da década de 1970, quando começou a atuar na política.

Publicado em 17 de abr de 2015
https://www.youtube.com/watch?v=JgLiEhf0chQ

sábado, 22 de agosto de 2015

Privatizações: a Distopia do Capital

O documentário "Privatizações: a Distopia do Capital", de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital. Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.
Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.
Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Marcio Pochmann | Nova classe média?

Marcio Pochmann | Nova classe média?

O economista Marcio Pochmann apresenta seu livro "Nova classe média? O trabalho na base da pirâmide social brasileira", em debate de lançamento na PUC-SP, no dia 6 de junho de 2012.

Publicado em 26 de set de 2013
https://www.youtube.com/watch?v=UswLAb-Oshc

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Ousar...

"Começar a ter menos medo de errar e mais coragem para inovar. Vamos apostar, ser criativos. Arriscar mais, sem medo de perder. Ser propositivos, não ter medo, propor, ousar." André Langer

El Metodo

El Metodo

O Que Você Faria?

El método é um filme argentino-hispano-italiano de 2005 dirigido por Marcelo Piñeyro e baseado na obra teatral El Método Grönholm, do espanhol Jordi Galcerán.

Vídeo da 6ª etapa...

Prof. Dr. André Langer, na 6ª etapa do curso, dia 16 de agosto de 2015 :: tema: "O mundo do trabalho: suas metamorfoses, crises, repercussões da globalização econômica".

Vídeo: 
https://www.facebook.com/pzago2/videos/880975418658928/

domingo, 16 de agosto de 2015

Documentário A dor (in)visível - Assédio Moral no Trabalho

Documentário A dor (in)visível - Assédio Moral no Trabalho

O documentário "A dor (in)visível - Assédio Moral no Trabalho" é uma realização do Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul (MPT-RS) - Procuradoria do Trabalho no Município (PTM) de Caxias do Sul; do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) - Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) em Caxias do Sul; do Governo Federal.

https://www.youtube.com/watch?v=ZKGzTjljGgM

necessidades, propostas...

"É necessário haver conversas com trabalhadores, com grupos, para retomar a temática do trabalho. Reinserir nas nossas discussões sobre o tema do trabalho.
Criar pequenos coletivos onde nós nos comprometemos e comprometemos outras pessoas.
A questão da impossibilidade nos tira todo o poder, e nos desmobiliza.
Vamos fazer o que está a nosso alcance, e criar desenvolvimentos desse sentido.
Retomar as lutas históricas dos trabalhadores, como a redução da jornada de trabalho, luta contra a terceirização, melhorias na qualidade de vida.
Começar a ter menos medo de errar, e mais coragem para inovar. Vamos apostar, ser criativos. Arriscar mais, sem medo de perder.
Também fazer propostas para o movimento sindical, comprometer, ir ao encontro do sindicato, não só esperar. Ser propositivo, não ter medo, propor, ousar."

André Langer

Leitura complementar

Lista de alguns autores e livros sugeridos pelo Prof. Dr. André Langer para leitura complementar:



Marcio Pochmann 
Professor do Instituto de Economia da Unicamp. Seu livro Nova classe média, publicado pela Boitempo em 2012 é um dos finalistas do prêmio Jabuti deste ano na categoria de não-ficção. No período de 2001 a 2004, em São Paulo, Pochmann dirigiu a Secretaria Municipal do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade durante o governo da prefeita Marta Suplicy. Se 2007 a 2012 exerceu a presidência do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em Brasília.
Livros:
O emprego no desenvolvimento da nação

O emprego na globalização
Nova classe média
O mito da grande classe média
 


David Harvey
Um dos marxistas mais influentes da atualidade, reconhecido internacionalmente por seu trabalho de vanguarda na análise geográfica das dinâmicas do capital. É professor de antropologia da pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City University of New York – Cuny) na qual leciona desde 2001. Foi também professor de geografia nas universidades Johns Hopkins e Oxford. Sua obra foi apontada pelo Independent como uma das mais importantes de não-ficção publicadas desde a Segunda Guerra Mundial. 
Alguns livros: O enigma do capital (2011), Para entender 'O capital' e publicará, ainda este ano, Os limites ao capital.










 


A Condição Pós Moderna, de David Harvey. (Loyola)
 
 



Andre Gorz
Nascido em Viena, em 1923, é considerado como um pensador da ecologia política e do anticapitalismo. 
Livros: 
Misérias Do Presente, Riqueza Do Possível (1997)
Capitalismo, Socialismo, Ecología (1994)
Metamorfósis del trabajo, demanda del sentido (1988)
La ecología como política (1979)
Estrategia obrera y neocapitalismo (1964)
Crítica de la razón económica
División del trabajo: el proceso laboral y la lucha de clases en el capitalismo moderno
Caminos al paraiso: hacia la liberación del trabajo
Socialismo y revolución
Historia y enajenación 



 


Amor líquido, de Zygmunt Bauman. (Jorge Zahar)
 
 



Modernidade líquida, de Zygmunt Bauman. (Jorge Zahar)  


A Corrosão do caráter - Consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo, de Richard Sennett (Record, 2004, 204p) 
Sinopse: A partir de entrevistas com executivos demitidos da IBM em Nova York, funcionários de uma padaria ultramoderna em Boston e muitos outros, Sennett estuda os efeitos desorientadores do novo capitalismo. Ele revela o intenso contraste entre dois mundos de trabalho - aquele da rigidez das organizações hierárquicas no qual o que importava era um senso de caráter pessoal, e que está desaparecendo, e o admirável mundo novo da reengenharia das corporações, com risco, flexibilidade, trabalho em rede e equipes que trabalham juntas durante um curto espaço de tempo, no qual o que importa é cada um ser capaz de se reinventar a toda hora.
  



O novo espírito do capitalismo, de Luc Boltanski e Ève Chiapello. A obra foi publicada pela Editora WMF Martins Fontes, 2009.

Os três legados de Gorz


As reflexões de Gorz sobre o trabalho, explica André Langer, “sempre tiveram o cuidado para restringir a ação do capitalismo sobre a ação humana”. A libertação no trabalho, segundo o pensamento do filósofo francês, só ocorre fora do trabalho. Para Langer, essa idéia é significativa “para perceber a radicalidade de seu pensamento anticapitalista, antiprodutivo e antieconomicista”. 

Por: IHU Online

Na entrevista especial, concedida à IHU On-Line, por e-mail, nesta semana, Langer atribui um triplo legado a André Gorz. Ele destaca, as reflexões sobre a ecologia, o trabalho e a renda social garantida. “Estou convencido de que esses três núcleos aglutinadores não estão separados e que giram em torno de órbitas teóricas diferentes. Pelo contrário, são, vamos dizê-lo, assim, corpos de uma mesma constelação”, explica.

André Langer produziu o Cadernos IHU nº 5, intitulado Pelo Êxodo da Sociedade Salarial. A Evolução do Conceito de Trabalho em André Gorz. A pesquisa está disponível no sítio do IHU (www.unisinos.br/ihu). Langer é mestre em Ciências Sociais pela Unisinos e doutorando em Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, ele é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR. O Cepat é parceiro estratégico do IHU. Em fina sintonia com o IHU, o Cepat publica semanalmente, nasNotícias do Dia da página eletrônica do IHU, www.unisinos.br/ihu uma análise semanal da conjuntura, disponível para download no início da noite das terças-feiras no blog do IHU e nas manhãs de quarta-feira nas Notícias do Dia.


IHU On-Line - O senhor afirma que é possível dividir a obra de Gorz em duas fases diferentes. Como o senhor avalia essas duas passagens do pensamento dele? A partir de que momento Gorz percebeu as mudanças no mundo do trabalho?
André Langer -
 Penso que seja perfeitamente possível dividir a produção teórica de Gorz em duas fases distintas. Na verdade, essa é uma distinção introduzida pelo professor Josué Pereira da Silva , da Unicamp, e que acho pertinente. Pode-se situar a inflexão do pensamento de Gorz no final da década de 1970. O livro Adeus ao proletariado, publicado na França em 1980, recolhe embrionariamente a ruptura na sua reflexão sobre o trabalho e introduz os grandes temas que Gorz irá trabalhar, aprofundar e mesmo revisar daí em diante.

Françoise Gollain  e Dominique Méda  referem-se de outra maneira a esta ruptura. Para elas, é possível dividir os pensadores da questão do trabalho em duas correntes ou campos: a corrente essencialista e a corrente histórica. Esta distinção clareia a noção de trabalho que Gorz passará a desenvolver. Quando Gorz afirma que o trabalho é uma “invenção” da modernidade, assume claramente uma perspectiva histórica de trabalho. O trabalho entendido como “emprego” é algo recente na história, é contemporâneo do capitalismo industrial. Gorz desmancha essa idéia essencialista de trabalho que cultivamos durante muito tempo, mas que não era realista, ainda que cheia de conseqüências.

Emprego x Trabalho
A preocupação de Gorz nesta segunda fase inscreve-se na tentativa de delimitar teoricamente a noção de trabalho. A distinção entre emprego e trabalho ou entre trabalho e atividades sem fins econômicos, como preferia denominar, é central para que pudesse proceder a uma restrição da noção de trabalho. Gorz é um crítico feroz do economicismo. Suas reflexões sobre o trabalho sempre tiveram o cuidado para restringir a ação do capitalismo sobre a ação humana; roubar espaços e tempos do capitalismo sempre esteve em seu horizonte. E a distinção que faz favorece esta restrição da racionalidade econômica.

Gorz acreditava que já não era mais possível haver libertação no trabalho, mas apenas fora dele. Esse é outro aspecto que caracteriza a mudança da primeira para a segunda fase do seu pensamento. Essa idéia foi evoluindo a tal ponto que em seus últimos escritos já admitisse também não mais apenas uma libertação na produção, mas, sobretudo, uma libertação da produção. Isso é significativo para perceber a radicalidade de seu pensamento anticapitalista, antiprodutivo e antieconomicista.

Estou convencido de que esta “revolução” na sua idéia de trabalho é extremamente rica, ousada e provocadora. Ela implica uma mudança de enfoque e de concepção de sociedade que se quer. A distinção que ele faz entre emprego e trabalho é cheia de conseqüências políticas, sociais e pessoais. Gorz sempre a viu também na perspectiva da autonomia dos indivíduos. O trabalho assalariado não é apenas o meio pelo qual o capitalismo se desenvolve, mas, sobretudo uma forma de dominação dos trabalhadores.

Para entender essas reflexão, é preciso ter presente a análise que Gorz faz das conseqüências da revolução da micro-eletrônica, apenas em seus primórdios na década de 1970. Ele não se cansa de acentuar que essa revolução faculta que o capital possa produz mais, com menos trabalhadores e em menos tempo, elevando, assim, fenomenalmente a produtividade. E isso é novo, diz ele, em relação à outra revolução industrial. Uma das conseqüências é que o trabalho não é mais um direito ao qual todos teriam acesso, mas transmuta-se em “privilégio” para poucos. E cada trabalhador precisa “produzir-se” a si mesmo para manter-se competitivo neste mercado de trabalho.

Nestas condições, raciocina Gorz, as formas atuais de organização e concepção de trabalho se esgotaram. E não que lamente isso, pelo contrário. Em determinado momento, diz que é preciso “ousar o êxodo” do trabalho assalariado, ou seja, não se pode olhar para trás e sonhar com o tempo que não volta mais, mas é mais arrojado tentar centrar a atenção em possíveis brechas que a crise do trabalho assalariado possibilita para uma nova organização do trabalho.

Valeria perguntar se a publicação de O imaterial, em 2003, em que Gorz entra na problemática da imaterialidade – do capital e do trabalho – e se debruça também sobre uma análise crítica dos conceitos da economia política, tais como valor e capital, não seria a passagem para uma terceira fase em seu pensamento. Ainda que se perceba a introdução de novos enfoques em sua reflexão, acredito, contudo, que se situam na linha das análises críticas que vem realizando nas últimas duas décadas e meia.

IHU On-Line - Como ele nos ajuda a pensar as transformações no mundo do trabalho? Esse é o seu principal legado?
André Langer -
 É impressionante perceber que toda a reflexão de Gorz, por mais teórica que às vezes possa parecer, sempre se guiou no sentido de ajudar a esquerda – européia, sobretudo – a pensar as bases para um novo socialismo, não mais centrado nas condições impostas pelo capitalismo. Mas sempre foi preterido pela esquerda exatamente por suas idéias muito radicais, com exceções, evidentemente. Para ele, um dos objetivos do socialismo é impor limites à racionalidade econômica.

O triplo legado

Penso que se pode pensar num triplo legado de Gorz: suas reflexões sobre a ecologia, o trabalho e a renda social garantida. As reflexões de Gorz sobre a ecologia política foram inovadoras na França. Quando ainda não se discutia esse tema, ele o começa a fazer. Vale destacar que Gorz foi um dos primeiros a criticar a civilização do automóvel. Hoje, esses temas são corriqueiros, mas vale enfatizar sua reflexão pioneira, ainda mais vinda de alguém que se dizia de esquerda. É preciso entender o alcance dessa discussão, pois Gorz não alimentava, ao tratar deste tema, um sentimento bucólico, nostálgico, mas entendia a ecologia política como crítica do capitalismo como produtivismo. Sempre associou essa reflexão à impossibilidade de se seguir indefinidamente o modo de produção e de consumo propostos.

Um segundo legado que Gorz deixa é seguramente a crítica que faz à idéia de trabalho, assim como construída ao longo do capitalismo industrial. Sobre isso já nos referimos acima.

A defesa de uma renda social garantida é um dos vértices da sua discussão sobre o trabalho. As formas tradicionais de distribuição das riquezas, via salário, como remuneração pelo trabalho socialmente útil realizado pelos trabalhadores, caducaram. É preciso inventar novas formas de partilha das riquezas socialmente produzidas. O tema da renda social garantida, ou renda cidadã, é um dos fios condutores que perpassa toda a segunda fase de sua produção.

Ele revê sua concepção para torná-la realmente consonante com sua concepção antieconômica. Diverge, nesse sentido, dos demais pensadores que defendem, como ele, a renda cidadã. Ele concebe a renda social garantida como uma política que possa abrir caminhos para o êxodo da sociedade do trabalho e das mercadorias. Ele vê nela uma maneira não de legitimar o capitalismo, mas, ao contrário, de enfrentá-lo exatamente no plano da produção. Pensa-a na perspectiva de tornar possível o desenvolvimento ilimitado dos indivíduos e não como outra maneira de subjugá-los ainda mais. Nisso, Gorz diverge de outros defensores da renda cidadã, como Antonio Negri, Maurizio Lazzarato, Yann Moulier-Boutang e Giuseppe Cocco, no Brasil, entre outros. Para estes, a renda cidadã seria uma maneira de o capital remunerar aquelas habilidades, conhecimentos, enfim, exterioridades, de que o capital se utiliza para a produção de riquezas, sem no entanto pagar por isso. Na perspectiva de Gorz, isso seria uma ampliação da lógica do capital para espaços ainda livres da lógica economicista. Para Gorz, ao contrário, a renda cidadã deve ser entendida como uma maneira de impor limites ao capital e proporcionar o pleno desenvolvimento das pessoas.

Estou convencido de que esses três núcleos aglutinadores não estão separados e que giram em torno de órbitas teóricas diferentes. Pelo contrário, são, vamos dizê-lo, assim, corpos de uma mesma constelação.


IHU On-Line - Como você teve contato com a obra de Gorz?
André Langer -
 Meu contato com a obra de Gorz se deu na preparação ao mestrado, em 1999. Meu orientador, professor Inácio Neutzling, sugeriu-me estudar a definição de trabalho em Gorz. Desafio que aceitei prontamente e com empenho. Comecei a ler material disponível em português, para me familiarizar com o assunto. Confesso que no começo foi tudo muito frio, muito seco, pois suas idéias eram radicalmente contrárias às que alimentava até então. Fiquei assustado, mas aos poucos fui entendendo que trabalhar Gorz exigia uma “revolução” nas minhas idéias e em muitos princípios que tinha. Todo o movimento social e sindical tinha sempre uma outra maneira de olhar para o trabalho. Também na Pastoral Operária, onde militava, isso era verdade. Gorz caminhava na contramão. E está na contramão até hoje em muitas de suas idéias.

Mas havia um segundo limite a superar para entrar no universo de Gorz: a língua. Com exceção de Adeus ao proletariado, todo o resto da sua produção intelectual estava em francês. Digo isso até para ressaltar que hoje, felizmente, grande parte da sua obra já se encontra em português.


Um discípulo de Gorz
 
Dessa maneira, fui me aproximando do meu mestre e procurando acompanhar sua obra. Lembro que no mestrado, certa vez um professor, sabendo que estudaria Gorz, me disse, franzindo a testa: “Isso pode lhe causar problemas”. Porque significava estudar um autor que ainda estava vivo e no auge de sua produção teórica. Poderia mudar suas idéias, mas também porque ainda não havia uma produção crítica produzida sobre o conjunto de sua obra. Assim mesmo aceitei o desafio, sabendo que não estava sozinho nesta caminhada.

Mas a curiosidade intelectual vai acompanhada da curiosidade por saber quem foi André Gorz. Não o conheci pessoalmente. No ano passado, Gorz publicou, na França, um livrinho dedicado à sua esposa Dorine. O livro chama-se Letrre à D. Histoire d’un amour, isto é, Carta a D. História de um amor. O livro é uma elegia à mulher de sua vida, mas é também autobiográfico. (Uma curiosidade: Gorz dedica quase todos os livros a Dorine, que um dia lhe disse: “Tua vida é escrever. Então escreva”.) Livro pequeno (76 p.), de leitura agradável, revelou-me um Gorz muito apaixonado, carinhoso, terno e afetivo. Na realidade, o livro me surpreendeu, pois sempre o vi escrever sobre temas de relevância teórica, em linguagem sempre filosófica e sociológica.


Cumplicidade 

Após saber da morte do casal, reli a Carta. O livrinho, que espero também seja traduzido e publicado no Brasil, revela curiosidades da relação do casal, mas também como certas idéias teóricas encontram seu embrião em acontecimentos da vida pessoal. Refiro-me à relação da ecologia política com a saúde de Dorine. Ainda que a gênese das idéias sobre a ecologia seja anterior, elas ganham um reforço com o estado de saúde de sua esposa. Em uma de suas viagens aos Estados Unidos, os dois ficam muito impressionados com a “civilização americana”, “com seu esbanjamento, as frituras, a Coca-Cola, a brutalidade e as cadências infernais de sua vida urbana”, conta. E em outro momento conta que eles mesmos se impunham limites para a questão do consumo: “Mas nós nunca elevamos o nosso nível de vida e de consumo à altura de nosso poder de compra. Havia entre nós um acordo tácito em relação a este assunto”.

Gorz também conta que os encontros com Ivan Illich  em Cuenavaca, no México, tiveram um peso importante em suas vidas. Uma das questões fundamentais que Illich colocava dizia respeito à “autogestão”, que, para Gorz, confirmava a urgência da “tecno-crítica”. Em 1973, porém, Dorine começa a ter dores de cabeça insuportáveis e inexplicáveis.

O diagnóstico é cruel: ela sofria de aracnoidite, uma doença degenerativa e para a qual não havia nenhum tratamento. Ela se nega a seguir os tratamentos convencionais e a depender deles. “Tu decidiste tomar em tuas mãos teu corpo, tua doença, tua saúde; tomar o poder sobre a tua vida em vez de deixar a tecnociência medicinal” fazê-lo. Dorine decide praticar yoga como forma de se apropriar do seu corpo e controlar as dores. E Gorz conclui dizendo que “tua doença nos levou ao terreno da ecologia e da tecnocrítica”. Mais: “a ecologia tornou-se um modo de vida e uma prática diária constante para implicar a exigência de uma outra civilização”.

A doença e o amor entre os dois os leva a morarem numa casa no interior, onde passaram muitos anos, ocupando-se de si, plantando, recebendo amigos. Ele escrevendo, dando entrevistas. “Tu acabas de fazer 82 anos”, escreveu no ano passado. Ele tinha um ano a mais. “Ainda és bela, graciosa e desejável. Há 58 anos vivemos juntos e te amo como nunca”. Na última página, se pode ler: “Eu não quero assistir à tua cremação; eu não quero receber um frasco com as tuas cinzas. Ouço a voz de Kathleen Ferrier que canta ‘Die Welt ist leer, Ich will nicht leben mehr’ (O mundo está vazio, Eu não quero mais viver) e eu me acordo. Gostaríamos de não ter de sobreviver à morte do outro. Muitas vezes dissemos que se, porventura, tivermos uma segunda vida, gostaríamos de passá-la juntos”.

Alonguei-me de propósito neste tema, pois acredito que estas passagens são, por um lado, reveladoras de um Gorz cheio de paixão e de vida, e, por outro, não são conhecidas do grande público brasileiro. A trajetória intelectual de Gorz deixa transparecer um espírito inquieto, insatisfeito, livre, imprevisível, pois sempre atento às mudanças da realidade. Mesmo morando afastado do centro urbano (tido como sinônimo de acesso à informação, no senso comum), não ter nunca usado a internet, sempre esteve incrivelmente atualizado. Não se instalou em suas idéias tomando-as como escudos, mas soube revê-las, abandoná-las quando necessário. Em tudo foi um grande intelectual. E, por isso, representa uma grande perda.


http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1362&secao=238

Pelo Êxodo da Sociedade Salarial. A Evolução do Conceito de Trabalho em André Gorz


Cadernos » Cadernos IHU » 5ª edição

"Pelo Êxodo da Sociedade Salarial. A Evolução do Conceito de Trabalho em André Gorz" é o tema dos Cadernos IHU no. 5.

O autor é André Langer, mestre em Ciências Sociais pela Unisinos e doutorando em Ciências Sociais na UFPR. O autor atualmente é pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores - CEPAT - com sede em Curitiba, PR.

Clique aqui para download PDF:
http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ihu/005cadernosihu.pdf 


Cadernos IHU
http://www.ihu.unisinos.br/cadernos-ihu/58296-pelo-exodo-da-sociedade-salarial-a-evolucao-do-conceito-de-trabalho-em-andre-gorz

filme

Um Dia Sem Mexicanos

https://www.youtube.com/watch?v=ikYf3QTYCLs

Migração

"Migração:
Trabalhadores que perderam tudo, tem ainda a última coisa: o corpo. E o corpo na migração se torna uma ferramenta política. Pelo corpo eles dizem que não é essa a globalização que a gente quer, transgredindo todas as barreiras que os estados querem impor.
Papa Francisco tem papel importante no sentido de ajudar a que as autoridades políticas entendam sua responsabilidade e seu papel diante da migração. Papa Francisco chama a atenção para a razão ética dessa globalização."

André Langer

Finanças...

"A moeda não é mais um simples meio de troca, ela se tornou um poder. É a questão das finanças / financeirização. As finanças passaram a fazer parte da nossa vida como nunca antes na história da humanidade."

André Langer

sábado, 15 de agosto de 2015

Carne e Osso

CARNE E OSSO
Documentário, 2011
https://www.youtube.com/watch?v=bb8JkD3StBA

Trailer:

Filme: 

Trabalhadores falam sobre ritmo acelerado de produção em frigoríficos

Técnico da Previdência Social mostra estatísticas sobre acidentes em frigoríficos

Frigoríficos driblam fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego

Especialistas falam de problemas gerados pelo excesso de movimentos repetitivos

Trabalhadores, empresários e poder público discutem trabalho em frigoríficos

Profissionais da saúde comentam sobre doenças ocupacionais em frigoríficos  

Conheça os principais problemas de saúde e trabalho em frigoríficos 

Trabalhadores relatam acidentes em frigoríficos




Um retrato do trabalho nos frigoríficos brasileiros 
 
 
 










 
Documentário alia imagens impactantes a depoimentos 

que caracterizam o duro cotidiano do trabalho 

nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos

Quem trabalha em um frigorífico se depara diariamente com uma série de riscos que a maior parte das pessoas sequer imagina. Exposição constante a facas, serras e outros instrumentos cortantes; realização de movimentos repetitivos que podem gerar graves lesões e doenças; pressão psicológica para dar conta do alucinado ritmo de produção; jornadas exaustivas até mesmo aos sábados; ambiente asfixiante e, obviamente, frio – muito frio.
Esse é o duro cotidiano de trabalho nos frigoríficos brasileiros de abate de aves, bovinos e suínos que o documentário Carne, Osso traz à tona. Ao longo de dois anos, a equipe da ONG Repórter Brasil percorreu diversos pontos nas regiões Sul e Centro-Oeste à procura de histórias de vida que pudessem ilustrar esses problemas.

O filme alia imagens impactantes a depoimentos que caracterizam uma triste realidade que deve ser encarada com a devida seriedade pela iniciativa privada, pela sociedade civil e pelo poder público.

Danos físicos e psicológicos

“Cerca de 80% do público atendido aqui na região é de frigoríficos. Ainda é um pouco difícil porque o círculo vicioso já foi criado. O trabalhador adoece e vem pro INSS [Instituto Nacional de Seguro Social]. Ele não consegue retornar, ele fica aqui. E as empresas vão contratando outras pessoas. Então já se criou um círculo que agora para desfazer não é tão rápido e fácil”
Juliana Varandas, terapeuta ocupacional do INSS de Chapecó (SC).
As estatísticas impressionam. De acordo com o Ministério da Previdência Social, um funcionário de um frigorífico de bovinos tem três vezes mais chances de sofrer um traumatismo de cabeça ou de abdômen do que o empregado de qualquer outro segmento econômico. Já o risco de uma pessoa de uma linha de desossa de frango desenvolver uma tendinite, por exemplo, é 743% superior ao de que qualquer outro trabalhador. E os problemas não são apenas físicos. O índice de depressão entre os funcionários de frigoríficos de aves é três vezes maior que o da média da população economicamente ativa do Brasil.

Ritmo frenético

“A gente começou desossando três coxas e meia. Depois, nos 11 anos que eu fique lá, cada vez eles exigiam mais. Quando saí, eu já desossava sete coxas por minuto”
Valdirene Gonçalves da Silva, ex-funcionária de frigorífico
Em alguns frigoríficos de aves, chegam a passar mais de 3 mil frangos por hora pela “nória” – a esteira em que circulam os animais. Há trabalhadores que fazem até 18 movimentos com uma faca para desossar uma peça de coxa e sobrecoxa, em apenas 15 segundos. Isso representa uma carga de esforço três vezes superior ao limite estipulado pelos especialistas em saúde do trabalho.

Reclamações curiosas

“Tu não tem liberdade pra tu ir no banheiro. Tu não pode ir sem pedir ordem pro supervisor teu, pro encarregado teu. Isso aí é cruel lá dentro. Tanto que tem gente que até louco fica”
Adelar Putton, ex-funcionário de frigorífico
Muitos trabalhadores se queixam também de restrições de menor importância – pelo menos, aparentemente. Por exemplo: o funcionário só pode ir ao banheiro com permissão do supervisor e em um tempo bastante curto, coisa de poucos minutos. Também são tolhidas aquelas conversinhas paralelas que possam diminuir o ritmo de trabalho.

Problemas com a Justiça

“O trabalho é o local em que o empregado vai encontrar a vida, não é o local para encontrar a morte, doenças e mutilações. E isso no Brasil, infelizmente, continua sendo uma questão séria”
Sebastião Geraldo de Oliveira, desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª região (TRT-3)
Nas regiões em que estão instaladas as indústrias frigoríficas, boa parte dos processos que correm na Justiça do Trabalho diz respeito a essas empresas. Em cidades como Chapecó, no oeste de Santa Catarina, as ações movidas por trabalhadores contras essas companhias respondem por mais da metade dos processos.

Pujança econômica

“Esse é um problema de interesse do conjunto da sociedade, não é só de um setor. O Estado tem que se posicionar. Não se pode fazer de forma tão impune ações que levam ao adoecimento e à incapacidade tantos trabalhadores”
Maria das Graças Hoefel, médica e pesquisadora
O Brasil é simplesmente o maior exportador de proteína animal do mundo. O chamado “Complexo Carnes” ocupa o terceiro lugar no pódio do agronegócio nacional, atrás apenas da soja e do açúcar/etanol. Em 2010, as vendas externas superaram US$ 13 bilhões. No total, o setor emprega diretamente 750 mil pessoas. Vale lembrar que muitos desses frigoríficos se transformaram em gigantes no mercado mundial com dinheiro do governo via Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – o principal banco de fomento da economia brasileira.

Melhorar é possível

“Basicamente, é conscientizar essas empresas para reprojetar essas tarefas. Introduzir pausas, para que exista uma recomposição dos tecidos dos membros superiores, da coluna. Em algumas vai ter que ter diminuição de ritmo de produção. Nós estamos hoje chegando só no diagnóstico do setor. Mas as empresas ainda refratárias a esse diagnóstico”
Paulo Cervo, auditor fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)
Não é difícil diminuir a incidência de problemas no ambiente de trabalho de um frigorífico. Reduzir a jornada de trabalho, adotar um rodízio de tarefas, diminuir o ritmo da linha de produção e realizar pausas mais frequentes e mais longas são algumas medidas possíveis. Falta apenas que as empresas se conscientizem disso.

http://reporterbrasil.org.br/carneosso/

Nação Oculta - Bolivianos em São Paulo

Nação Oculta - Os Bolivianos em São Paulo
https://www.youtube.com/watch?v=a99clLNQZO8

Imagens retiradas do documentário 
"NAÇÃO OCULTA - OS BOLIVIANOS EM SÃO PAULO", 
de Diego Arraya, que retrata a realidade de milhares de 
imigrantes bolivianos que chegam à capital paulista todos os dias.

Nação Oculta - Os Bolivianos em São Paulo (trecho)
https://www.youtube.com/watch?v=8VwHw7fdXCY

Tempos Modernos

(1936) 

Charlie Chaplin 

Modern Times, 1936 - Nesse filme não há meio termo, Chaplin realmente quis passar uma mensagem social. 

Cada cena é trabalhada para que a mensagem chegue verdadeiramente tal qual seja. 

E nada parece escapar: máquina tomando o lugar dos homens, as facilidades que levam a criminalidade, 

a escravização. O amor também surge, mas surge quase paternal: o de um vagabundo por uma menina de rua.

https://www.youtube.com/watch?v=1_tiScux_hg

O clássico do genial Charles Chaplin, Tempos modernos, retrata a interligação da vida com um relógio. 
O tempo marca a vida de operários de uma fábrica onde se desenvolve boa parte da ação.
Tempos Modernos mostra um patrão em que controla, de sua sala, 
através de um circuito fechado de televisão o trabalho de seus empregados. 
Em Tempos Modernos, Carlitos é um trabalhador da fábrica, em uma linha de montagem.

Textos sobre o tema

A salgada conta da crise econômica no bolso e na vida dos trabalhadores e das trabalhadoras
https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAWUc5b211ckxqNm8/view?usp=sharing


Afirmar que a terceirização gera emprego é um mito
https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAS1VFZzFSWC1MU0k/view?usp=sharing 


Tentativa de burlar direitos trabalhistas se manteve no decurso da história
https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAXzFoYWgwUnJybTQ/view?usp=sharing


Formalização e flexibilização – avanços e retrocessos no mundo do trabalho
https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAZERFa0ZDQm1nYW8/view?usp=sharing

Entrevistas > Revista IHU - On Line

A condição de insegurança é a regra do mundo do trabalho, hoje

entrevista com Ruy Braga > Revista IHU - On Line

https://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAZFFoU0dtUjdMdkk/edit?usp=sharing



O trabalho mediado pelas inovações tecnológicas. Impactos e desafios


entrevista com Mário Sergio Salerno > Revista IHU - On Linehttps://drive.google.com/file/d/0B_2nfmpfqzwAaXhHMWVfYWpLejQ/edit?usp=sharing