segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sepé Tiaraju e o Povo Guarani - Poesias

MATEANDO COM SEPÉ, por Odilon Ramos

(Sepé Tiaraju e o Povo Guarani - Poesias - 2006)
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=XvWKOy9AI4w


Lunar de Sepé
(Simões Lopes Neto)
Sepé Tiaraju e o Povo Guarani - Poesias (2006)

https://www.youtube.com/watch?v=W8Y6Wlz2WEM

SÃO SEPÉ TIARAJU: UTOPIA E PROFECIA

SÃO SEPÉ TIARAJU: UTOPIA E PROFECIA


IR. ANTONIO CECHIN*

Quando olhamos para os fatos históricos, não podemos deixar de reconhecer que o fazemos sempre do lugar social em que estamos inseridos. O meu lugar social são os pobres do Rio Grande com os seus Movimentos Populares. E é deste lugar que olho para os primórdios destas terras em que nasci e para o seu povo de raiz que são os índios, particularmente os guaranis, organizados e evangelizados pelas Missões dos Jesuítas. Padres e índios fizeram o contraponto espiritual, humanista e cívico às conquistas da terra pelos impérios militares de Espanha e Portugal.

Faço a seguir uma rápida síntese desse meu olhar sobre a figura de Sepé como herói e como santo canonizado pelo povo. O escritor Manoelito de Ornelas, na introdução ao seu livro "Tiaraju", refere que todos os povos da terra deram asas à imaginação para criar um símbolo que lhes proporcionasse sentido e permanência na geografia do mundo e nos milênios da história.

Exemplifica Manoelito com os gregos que, por meio de Homero, nos livros Ilíada Odiséia, criaram o mito da epopéia de Ulisses, o herói de Tróia. Depois os romanos, que criaram o mito de Rômulo. Em criança, foi amamentado por uma loba e, como primeiro rei de Roma, organizou o rapto das sabinas a fim de que dessem descendência a toda a população do Lácio. Invoca depois o mesmo escritor, na França, o rei Carlos Martel; na Espanha, o Cid Campeador, passando também em revista os principais povos do Oriente com seus respectivos mitos.

Com base nos mitos e epopéias históricas fundantes, Manoelito de Ornelas divide os povos do universo entre aqueles que criaram um mito inicial, como instrumento para dar origem à sua história, e um segundo grupo de povos, que tiveram um feito histórico em sua origem, tão saliente, que transformaram essa história em mito. Pertenceríamos nós, o povo do Rio Grande, a este segundo grupo. Tivemos aqui os índios guaranis com suas Missões Jesuíticas, em cujo ventre foi gerado o personagem Sepé Tiaraju, que é um fato histórico inconteste e de suma grandeza.

Aqui por estas terras, o fato histórico fundante, foi transformado em mito, enquanto aqueles povos mais antigos transformaram o mito em história. Dentro dessa premissa, não deveria eu rejeitar o argumento, que encontrei pelo caminho, quando historiadores tentaram me convencer da inutilidade de querer a canonização oficial do mártir Sepé Tiaraju, já popularmente declarada? Assim me falaram: "Você está querendo canonizar um mito! Você quer canonizar apenas uma bandeira!" O personagem Sepé, me afirmaram esses historiadores, é infinitamente menor do que o mito Sepé.

Quando no Rio Grande do Sul, na esteira da Igreja oficial que, em Medellín (Colômbia), no ano de 1968, oficializou sua opção preferencial pelos pobres, começamos a ler a nossa história pelo avesso, isto é, a partir dos vencidos – sempre os pobres – como os índios de hoje e todos os maltrapilhos à beira de estradas e nas periferias das grandes cidades.

Nas Missões Jesuíticas dos primórdios do Rio Grande, com os Sete Povos e na figura central, polarizadora de todo esse trabalho missioneiro que foi Sepé Tiaraju, canonizado por índios e pelo povo riograndense, vimos nessa epopéia histórica a profecia e a utopia capazes de o destino histórico de nossa terra e de nossas gentes.

Nossas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), inspiradoras de nossa Teologia da Libertação, ao lado de não poucos Movimentos Populares, beberam, nos inícios da década de 1970, da pipa de vinho místico produzido nos parreirais espirituais cultivados pelos índios missioneiros personificados na figura carismática de Sepé e seus 1.500 companheiros mártires do Caiboaté.

Fomos a São Gabriel, no dia 7 de fevereiro de 1978, nos lugares sagrados em que o sangue foi derramado, para a abertura do Ano de Todos os Mártires Indígenas da América Latina. Nesse dia, realizamos a primeira Romaria da Terra do Brasil. Fomos de novo em São Gabriel nos dois anos seguintes, 1979 e 1980, para a segunda e terceira Romarias da Terra e também para o primeiro e o segundo Encontros Intereclesiais de Comunidades de Base, que tivemos o cuidado de marcar, nos dois anos, nos dias 6, 7 e 8 de setembro, em torno do dia comemorativo da independência do Brasil. Fomos sempre para nos impregnar do sangue de Sepé e dos companheiros mártires missioneiros, a fim de adquirir forças para as lutas com que sonhávamos.
Descobrimos, desde os lugares sagrados de nossos mártires, que o verdadeiro grito de liberdade foi o de Sepé: "Esta terra tem dono!". Esse "brado retumbante" foi sufocado, à semelhança do grito do Nazareno na cruz, por um mar de sangue. Sepé lutava ao mesmo tempo contra Espanha e Portugal, as duas potências militares opressoras dos guaranis dos Sete Povos, que, na ocasião, representavam todos os povos nativos do continente americano. Sepé sabia, ao partir da cidade de São Miguel, da qual era prefeito, que partiria para o holocausto. "Ou ficar a pátria dos Sete Povos livre, ou morrer pela nação guarani".

Em nossa reflexão, aquilo que aconteceu no dia 7 de setembro de 1822, "nas margens plácidas do Ipiranga", em São Paulo, reduziu-se a um simples gritinho que provocou a repartição da herança no império português. Portugal continuaria como terra do rei-pai e o Brasil, como terra do império do rei-filho.

Foi bebendo dessa fonte de águas puras das Missões Jesuíticas, polarizadas em torno da figura do mártir Sepé, que as CEBs de Ronda Alta, emblematicamente, no dia 7 de setembro de 1979, comemorativo da Independência do Brasil, deixaram o recinto do Colégio Marista de São Gabriel, onde acontecia o 1º Encontro Estadual, para abraçar os companheiros que acabavam de ocupar a fazenda Macáli. As CEBs de Ronda Alta haviam parido o MST com essa primeira conquista de terra. Seguiu-se, pouco tempo depois, a ocupação da Fazenda Brilhante. Na Encruzilhada Natalino, as mesmas CEBs derrotaram simbolicamente as forças militares da ditadura, comandadas pelo coronel Curió. Estava aberto o caminho do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) rumo à grande Reforma Agrária no latifúndio Brasil.
O MST ficou debaixo das asas protetoras das Comunidades de Base até o ano de 1984 quando, em encontro memorável, se tornou um movimento autônomo.

Os membros do MST se designaram a si mesmos, no Rio Grande do Sul, como os Filhos de Sepé, nome com que batizaram o seu maior assentamento, localizado no município de Viamão.

As Missões Jesuíticas e São Sepé são ao mesmo tempo nossa utopia e nossa profecia.

Utopia porque a Igreja da Libertação do Rio Grande retomou, através das CEBs, o projeto político-religioso exemplarmente solidário com o oitavo povo das Missões, como escreve Alcy Cheuiche. A utopia inventada pelos missioneiros na aurora de nosso Rio Grande continua viva e está sempre presente no horizonte de nossa caminhada. O princípio fundamental dessa utopia concreta é: "De cada um de acordo com suas possibilidades, para cada um de acordo com suas necessidades".

É também profecia porque denunciamos e anunciamos ao mesmo tempo.

Como os guaranis das Missões, denunciamos todos os sistemas opressores e excludentes do mundo. Anunciamos que não somente um mundo diferente é possível, mas que esse mundo novo já foi concretizado aqui em nosso Rio Grande, durante 150 anos de Sete Povos.

Então aqui a minha pergunta: por que essa maravilha histórica fundante do Rio Grande do Sul, nosso autêntico fogo de chão, continua debaixo das cinzas até hoje? Quais as causas desse equívoco histórico?

O que devemos fazer para que esse fogo de chão missioneiro saia do chão em que ainda está, submerso pelas cinzas do tempo, conquiste as alturas e torne a brilhar como o Cruzeiro do Sul, cantado como o lunar de Sepé nos céus do Rio Grande e que causou a estupefação da Europa, 250 anos atrás?


* Irmão Antonio Cechin é professor e assessor dos movimentos de catadores do Rio Grande do Sul.



SEPÉ TIARAJU, 250 ANOS DEPOIS
Comitê do ano de Sepé Tiaraju (org)
São Paulo: Expressão Popular, 2005. 104 p.


http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2015/09/sao-sepe-tiaraju-utopia-e-profecia.html


SEPÉ TIARAJU E A IDENTIDADE GAÚCHA

SEPÉ TIARAJU E A IDENTIDADE GAÚCHA


FREI LUIZ CARLOS SUSIN*

Já entre os gregos a narrativa – e a memória nela transmitida – tinha importância decisiva na formação da identidade humana. Assim, contava-se que em Tebas uma esfinge desafiava a cidade: "Decifra-me ou devoro-te!". E exigia sacrifícios periódicos de preciosas vidas humanas. O enigma consistia em saber quem seria o animal que anda com quatro pernas pela manhã, com duas ao meiodia e com três à tarde. Ora, "é o ser humano", decifrou Édipo, livrando a cidade da sua assombração ao considerar o arco da aventura humana, decifragem de vida ou morte. Pois o Rio Grande do Sul tem duas esfinges: Sepé Tiaraju e o Negrinho do Pastoreio.

A identidade gaúcha está marcada pela violência da fronteira, desde antes da demarcação final, dos inícios do século 19, que não deixou de ser uma demarcação belicosa. É, em consequência, uma identidade "fronteiriça", de "frontes" e "confrontos", ambiguamente belicosa e hospitaleira ao mesmo tempo. Molda-se à luz de uma relação perigosa de incursões, de conquista e defesa, de vigilância dificultada pela vastidão pampeana, quase uma "terra de fundo", corredor para bandeirantes e castelhanos. Mesmo depois de sua definição, o Rio Grande do Sul permanece com uma tendência obsessiva, repetitiva, para um dualismo resolvido na "degola". Ximangos e maragatos são figuras desse dualismo repetitivo, que vem de antes ainda da guerra farroupilha e se repete mimeticamente até nossos dias em formas mais sofisticadas de degola "da outra metade". Nas batalhas políticas, por exemplo, em que estamos sempre belicosamente divididos e querendo o pescoço do adversário. O que seria do gaúcho sem um inimigo, sem uma peleia, sem um confronto?

Uma real pacificação do Rio Grande do Sul precisa começar com a reabertura de um doloroso dossiê de suas origens, um dossiê escondido do ponto de vista político, acadêmico e religioso. A imposição também belicosa do positivismo, um facho de iluminismo na capital, mas com degola no campo afora, permitiu à nossa política de fronteira ser tanto o vanguardismo quanto o berço da ditadura a ferro e fogo (Décio Freitas). O positivismo acadêmico varreu da história e da formação da identidade gaúcha tudo o que se conta na memória popular cabocla e negra, remanescente do extravio indígena e da escravidão africana em nossas terras. Lendas, mitos, "causos", essas formas de resistência da memória dos dominados e envergonhados pela cultura oficial, foram desclassificadas como incapazes de servirem de documentação ou ao menos como indícios de verdades históricas. O catolicismo romanizado, por sua vez, ergueu a catedral de Porto Alegre sobre cabeças de figuras indígenas esmagadas – outra forma da degola – como vitória sobre a superstição.

A alma e a mística dos povos nativos e dos povos afro-descendentes se refugiaram e se sintomatizaram no "causo", na pageação, na literatura. A identidade gaúcha foi sendo breteada para a estância, ganhando nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs) uma forma de estetização ritual e controle da violência do dualismo perigoso que insiste em perseguir e criar curtos-circuitos no campo e na cidade. A ambiguidade dos CTGs, criados num esforço de terapia da identidade, que reproduz esteticamente, ritualmente e, ao mesmo tempo, controla a violência gaúcha, parece não dar mais conta das novas disseminações de violência e de vontade de degola como solução radical. Estamos cada vez mais "pisando no pala" e cada vez mais "o revólver fala" (Teixeirinha).

É necessário um remédio homeopático, buscando nas fontes do veneno o próprio remédio. Não é, propriamente, nas lendas e nos causos, nas figuras míticas e nos gemidos que ainda se escutariam nas regiões das charqueadas ou das Missões que estão as assombrações a nos gelar a espinha. Estão nos rostos indiáticos, mestiços e caboclos, que jazem vivos como esfinges nas periferias, nas vilas e nos ônibus da área metropolitana, arranchados por todo canto nas periferias das grandes e das pequenas cidades, identidades desgarradas. Esses rostos e esses corpos não são visíveis para a aristocracia acadêmica e política, a cavalo com vidro fumê, que não circula pelas periferias ou de ônibus de vila.

Se culturalmente e socialmente, em nosso meio, "quem passa de branco, negro é", então o mesmo se pode dizer dos descendentes indígenas mestiçados e acaboclados: há multidões ao nosso redor. Desmemoriadas por um lado, mas continuando a contar suas narrativas por outro, sem mesmo saber bem por quê. Os vazios de suas memórias e a baixa auto-estima de seus rostos e sotaques são ingredientes perigosos para a violência indomada do gaúcho, mas suas narrativas e sabedoria, como bem percebeu Simões Lopes, são a resistência de uma anterioridade a todo dualismo fronteiriço, a possibilidade de uma hospitalidade que tem o segredo da remissão e da reconciliação – as vítimas sobreviventes que têm o poder de resgatar os vencedores manchados de sangue. Contanto que tenham chance de resgatar sua auto-estima no reconhecimento de sua dignidade. O reconhecimento e a reconciliação real e completa com os vivos comporta, no entanto, que não se deixe de fora os que foram mortos. É o caso de Sepé Tiaraju.

Se o corregedor da cidade missioneira de São Miguel fosse apenas o mito trágico e brilhante em que se tornou, se fosse apenas uma lenda com sucesso, como o Negrinho do Pastoreio, se São Sepé estivesse mais para São Jorge do que para Santo Antônio, ainda assim, e exatamente assim – como mito fundante e significante – teria uma importância histórica e hagiográfica decisiva na formação da identidade gaúcha. Certamente ainda incômoda como um São Luiz IX e uma Santa Joana D'Arc para a identidade da França moderna. Sepé está para a história do Rio Grande do Sul como a figura histórica de Jesus para a literatura do Novo Testamento e para a história do cristianismo. O próprio Negrinho do Pastoreio: há nele o custo das vidas inocentes de muitos negrinhos de carne e osso pelo Rio Grande do Sul saladeiro. Montado no cavalo escatológico do Negrinho do Pastoreio ou no cavalo encilhado de Sepé Tiaraju estão os descendentes todos de africanos triturados pelas charqueadas e de nativos derrubados pelas coroas ibéricas. Na vida real continuam gaúchos peões e usuários de coletivos, de periferia e beira de estrada, que se reúnem em "gauchada" ou "indiada", em torno de algum "índio velho", ou, ainda melhor, "qüera velho": são todos indícios de uma identidade mais antiga, mais ancestral e mais enraizada do que a identidade gaúcha forjada mais ou menos oficialmente no entrevero dos confrontos de interesses resolvidos na degola e na necessidade de domar pela estética e pelo ritual a violência e as suas assombrações.

O Negrinho do Pastoreio, narrativa recolhida e consagrada por Simões Lopes, é a história cifrada dos que não tem os meios oficiais de documentar a sua história, situada no RS anterior às charqueadas, às estâncias e às cercas, no tempo do gado solto, chimarrão, jesuítico. Faz, portanto, como o juiz da carreira em cancha reta da história, um índio velho, um enlace com a história das Missões pelo caminho da narrativa popular. O gado missioneiro, abundante e disperso pelo trágico fim das cidades guaranis, tornou-se, com o agronegócio, o fio dourado da economia gaúcha passando pelas charqueadas com trabalho escravo e pela indústria coureirocalçadista. Com a entrada de novas migrações européias, o Rio Grande do Sul se divide também economicamente em duas metades. As migrações foram introduzidas dentro de projetos de ocupação e desenvolvimento do espaço sem nenhuma consideração, ou até contra a população nativa derrotada, espantada e dispersa, tornada "índio do mato", "bugre", que se evita como a árvore braba, aquela que agride pela sua inoculação de substância alérgica.

Antes do dualismo trágico de fronteira a marcar a identidade gaúcha está Sepé, o índio nascido e criado em cidade missioneira, no espaço de um encontro civilizatório que, por todos os testemunhos deixados, e apesar das lendas negras que logicamente se criaram ao seu redor, foi um encontro muito criativo dentro do contexto e das suas possibilidades. Nas cartas que os chefes guaranis escreveram ao governador de Buenos Aires em resposta ao mandato do rei de Espanha de se retirarem todos os sete povos para a banda ocidental do Uruguai, eles deixam claro que não foram conquistados e submetidos à força. Eles mesmos chamaram os padres e aceitaram livremente a vassalagem, porém dentro de certos termos, pois não podiam aceitar, com o Tratado de Madri, sua própria destruição. Essas cartas, como outros documentos indiretos, revelam uma grandeza de alma, uma dignidade e uma nobreza incomparavelmente acima dos dois lados que os espremiam, espanhóis e portugueses. Mesmo em termos de linguagem e argumentos cristãos, além de humanitários e políticos.

Os índios missioneiros, no entanto, estavam entre o rochedo e o mar. A lógica dos impérios ibéricos, lógica expansionista e mercantilista, não poderia suportar outra forma de existência com sucesso. Como interpretou Rodolfo Kusch, filósofo argentino, trata-se aqui, mais a fundo, do trágico conflito entre a hegemonia do ser sobre o estar: o ser se realiza no desdobramento por meio do tempo e do espaço, identidade conquistando as diferenças para reunir tudo em si e aumentar o seu poder de ser, e assim sucessivamente. Por isso, "a verdade do ser é a guerra" (Heráclito). Ora, os nativos viviam – e continuam a resistir popularmente – na lógica do "estar", habitando ecologicamente uma terra em que, mais do que serem eles os proprietários da terra, era ela a proprietária deles, a "mãe terra". Por isso, nos arrazoados de Santa Tecla diante dos demarcadores, como nas cartas dirigidas ao governador de Buenos Aires, está o discurso guarani sobre a terra que só a Deus, o Criador, pertence, dada a S. Miguel no presente missioneiro para que os nativos nela habitassem. A memória se resumiu, como sabemos, no incômodo grito profético: "Esta terra tem dono". Na lógica indígena – é importante sublinhar – não são eles os donos da terra, mas Aquele que as deu para habitarem, para criarem seus filhos, enterrarem seus mortos, plantarem seus ervais e criarem seus animais. Precisam da terra não para explorar, mas para habitar com simplicidade, e por isso precisam mais terra do que os que a transformam em matéria produtiva e negócio. Na verdade, são os guardiões naturais da ecologia, ainda não totalmente contaminados pelo ser agressivo do Ocidente.

Perdida dramaticamente, a ferro e fogo, a civilização nascida do encontro da espiritualidade barroca dos jesuítas com a mística e a sensibilidade guarani, com a dispersão em diversas direções e destinos, os índios aprenderam a sobreviver por meio da adaptação silenciosa, enquanto os caingangues preferiram recuar soberanamente para as matas, e os outros "infiéis" às coroas e sua religião (charruas, minuanos, mojanes etc) foram sendo dizimados de diversas maneiras.

Hoje, além dos povos testemunhas, que, mesmo à beira de estrada, buscam viver em comunidades próprias, conservando a língua e a mística em torno de seus "caraís", há uma multidão de autênticos descendentes de Sepé Tiaraju nos rostos mestiços, de olhos amendoados, cabeças cobertas por cabelos lisos e pretos, com o enigmático sorriso de um olhar meio envergonhado, de poucas palavras fora de seu círculo, verdadeiras multidões periféricas das cidades gaúchas que são a esfinge – uma delas, a outra tem cor negra – a desafiar a identidade gaúcha e seus problemas de origem e de violência sistêmica.

Evidentemente, a memória de Sepé não poderá ser apenas celebração que se torne álibi para descarrego de consciência. A primeira justiça é o reconhecimento e a efetivação da necessidade de terra e de um mínimo de meios de vida para os povos guaranis e caingangues. A sobrevivência deles, digna e feliz, é absolutamente necessária para o futuro da identidade gaúcha tão plural. Mas para eles e para toda a multidão de descendentes de ameríndios gaúchos, é urgente também devolver a dignidade da auto-estima, da visão positiva que dê disposição de perdão e de reconciliação com as demais descendências vindas e crescidas no espaço gaúcho. Inclusive trazendo seus ancestrais, seus mortos, na comunhão mística de sua religiosidade, para que desapareça de nossas calçadas as suas assombrações e a sua potencial violência, obrigando a nos aprisionarmos em nossas casas com nossos juízos violentos, e para que fiquem seus mortos sobre nossas noites como a luz brilhante e pura de Sepé, do qual possamos todos nos orgulhar e possamos todos venerar. Ele pode se tornar como um "pai Abraão" para todas as raças que habitam nesse espaço gaúcho. Até lá, continuarão os sacrifícios, as degolas, o medo até das sombras que nos assaltam, e nenhuma descendência ou ascendência terá habitação pacificada numa justa pátria gaúcha para todos.

É por isso que, assim como o Movimento Negro lançou o desafio à auto-estima dos afro-descendentes com o slogan "Negro é bonito!", com base na documentação e nos gestos herdados pelos descendentes índios, no ano de Sepé Tiaraju pode-se proclamar com justiça: "Índio é nobre!".


* Frei Luiz Carlos Susin é professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC) e da Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana (ESTEF) e diretor da Sociedade dos Teólogos do Terceiro Mundo.


SEPÉ TIARAJU, 250 ANOS DEPOIS
Comitê do ano de Sepé Tiaraju (org)
São Paulo: Expressão Popular, 2005. 104 p.

http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/2015/09/sepe-tiaraju-e-identidade-gaucha.html


Via Sacra Missioneira - Plegária a São Sepé - Arranjo Vozes do Sul

https://www.youtube.com/watch?time_continue=10&v=IdR8Z_snHdk

Nova versão da Via Sacra Missioneira, de Martin Coplas, com arranjo mais completo e participação de Flávio Ramos.

Publicado em 6 de fev de 2016

VIA SACRA MISSIONEIRA
Plegária a São Sepé
Autor: Martin Coplas
Intérpretes: Martin Coplas / Flávio Eduardo Ramos

TERRA SEM MALES
39ª ROMARIA DA TERRA - São Gabriel, RS - 2016

Contatos:
martincoplass@gmail.com

Gravado no estúdio da Gaiola Produções Multimídia - Taquara/RS
www.gaiolaproducoes.com.br

Pedro Casaldáliga

Dom Helder Camara

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Romaria da Terra no RS celebra os 260 anos do martírio de Sepé Tiaraju

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Romaria da Terra no RS celebra os 260 anos do martírio de Sepé Tiaraju

A Romaria, que acontece na próxima terça (9), propõe uma reflexão sobre o cuidado com a Terra diante da realidade de violência, de exploração e de esgotamento.


Da CPT

A 39ª Romaria da Terra acontecerá na próxima terça-feira (9), no município de São Gabriel, Diocese de Bagé, no Rio Grande do Sul, e tem como tema “Cuidar da Terra, Casa Comum”. Esta edição celebra os 260 anos do martírio do índio Sepé Tiaraju e de seus mil e quinhentos companheiros em sua luta pela Terra e pela vida. A Romaria propõe uma reflexão sobre o cuidado com a Terra diante da realidade de violência, de exploração e de esgotamento. 

Neste ano, também integra a programação da Romaria o Encontro do Povo Guarani, entre os dias 5 e 7 de fevereiro. O evento reunirá representantes de comunidades indígenas para rememorar a história de luta dos povos indígenas, bem como para marcar a data da morte de Sepé Tiaraju, dia 7. Estarão presentes lideranças nacionais e internacionais. Em seguida, nos dias 7 e 8, acontece o 11º Acampamento da Juventude, um espaço de reflexão e articulação da juventude do estado. Ambas as atividades ocorrerão no Parque das Carretas, em São Gabriel.

Para cuidar da Terra, como sugeriu papa Francisco em sua encíclica “Laudato Si” (Louvado Sejas), é fundamental “uma conversão ecológica global, mudanças profundas nos estilos de vida, nos modelos de produção e de consumo, nas estruturas consolidadas de poder”. Este cuidado se traduz em gestos concretos na defesa dos direitos dos/as camponeses, povos indígenas, quilombolas e diversos outros. Seja isso na produção de uma alimentação saudável e orgânica, na ecológica, na participação cidadã e política, no cooperativismo, no consumo consciente e nas relações que proporcionem o bem viver entre as pessoas e o ambiente, construindo, assim, uma “Terra sem Males”.

A Romaria

A 39º Romaria da Terra é organizada pela Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS) e tem o apoio da CNBB Regional Sul III, Diocese de Bagé, e Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Equipe Sul. A celebração da Romaria deste ano será realizada por Dom Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, Rondônia, e presidente nacional do Cimi.

A Romaria tem como objetivo estimular as pessoas a assumirem novas práticas de vida. Por exemplo, a preservação do meio ambiente e a defesa da vida, dizer não ao uso de agrotóxicos, estimular a produção de alimentos saudáveis, ressaltar a importância da agricultura familiar e camponesa, adotar um consumo consciente e responsável, reciclar, cuidar das fontes e nascentes.

Há 38 anos, em 1978, no município de São Gabriel, aconteceu a primeira Romaria. Desde então, ela é realizada todos os anos, sempre na terça-feira de Carnaval.

Acampamento da Juventude

Desde o ano de 2005 o Acampamento da Juventude faz parte da Romaria. Jovens de todo do estado e de várias regiões do país participam desse espaço para debater, refletir e celebrar o tema proposto pela Romaria a partir de suas vivências e anseios. O Acampamento é um espaço sócio-político-formador e surgiu por iniciativa da própria juventude.

Nos dias 7 e 8, antecedendo a Romaria, ocorre o Acampamento da Juventude, que prevê, em sua programação, análise de conjuntura sobre o contexto político nacional e estudo do tema da Romaria “Cuidar da Terra, Casa Comum”. Além disso, está programada uma mesa de debate sobre a "Resistência dos Povos Originários", que contará com a presença de lideranças indígenas, quilombolas e camponesas.

Monseñor Oscar Arnulfo Romero - El Salvador

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

El Papa afirma que el mejor ayuno de Cuaresma es pagar salarios justos y completos: no «en negro»

Ve un «pecado gravísimo usar a Dios para cubrir la injusticia



El Papa, el pasado miércoles durante la misa del Miércoles de Ceniza - reuters
JUAN VICENTE BOO - Corresponsal En El Vaticano - 20/02/2015 a las 13:24:45h. - Act. a las20:11:31h.Guardado en: Sociedad

En un vigoroso ataque a la hipocresía, el Papa Francisco advirtió que no se pueden utilizar ni la asistencia a misa, ni la comunión, ni las limosnas a la Iglesia como excusas para no pagar salarios justos. Señaló también que el mejor ayuno de Cuaresma es pagar los salarios enteros- no «en negro», escamoteando la pensión y la cobertura sanitaria-, y ayudar a los necesitados.
Durante la misa de la mañana, Francisco preguntó hipotéticamente: «¿Cómo es la relación con tus empleados? ¿Les pagas en negro? ¿Les pagas el salario justo? ¿Pagas tu cuota para sus pensiones y su seguro sanitario?».
Si no se hace, la limosna no justifica pues, «tú no puedes hacer donativos a la Iglesia a costa de la injusticia con tus empleados. Es un pecado gravísimo: usar a Dios para cubrir la injusticia».
La sinceridad es parte del espíritu de la Cuaresma -los cuarenta días preparatorios de la Semana Santa-, iniciados este miércoles de Ceniza, en los que se ofrece el sacrificio de abstenerse de comer carne los viernes.
En el tono coloquial de las homilías en casa Santa Marta, el Papa subrayó la importancia de la sinceridad del corazón presentando como hipócrita a quien diga: «Hoy es viernes, no se puede comer carne... Me haré un hermoso plato de marisco, un pequeño banquete… y así evito la carne».
En la misma hipocresía caen los que valoran los tres primeros mandamientos, referidos a Dios y descuidan los otros siete referidos al prójimo.
Francisco dejó claro que «no es buen cristiano quien no hace justicia a las personas que dependen de uno, quien no se desprende de algo para dárselo a quien sufre necesidad».
E insistió en que el camino de la Cuaresma «es doble: es Dios y el prójimo. Es real, no es formal. No consiste en abstenerse de carne el viernes y hacer alguna cosilla buena, al tiempo que se deja crecer el egoísmo, la explotación del prójimo, el ignorar a los pobres».

domingo, 31 de janeiro de 2016

O Concílio Vaticano II como evento dialógico

Confira a cobertura completa do evento "II Colóquio Internacional IHU – O Concílio Vaticano II: 50 anos depois. A Igreja no contexto das transformações tecnocientíficas e socioculturais da contemporaneidade" no canal do YouTube do IHU.
Leia também a edição 425 da Revista IHU On-Line sobre este tema:http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?secao=425

O Concílio Vaticano II como evento dialógico. Um olhar a partir de Mikhail Bakhtin e seu Círculo

Os 50 anos do início do Concílio Vaticano II inspirou e continua propiciando muitas pesquisas, seminários, simpósios, cursos, artigos e livros. No entanto, o Seminário Internacional “O Concílio Vaticano II como evento dialógico”, promovido pelo Grupo de Estudos dos Gêneros do Discurso – GEGe, do PPG em Linguística da Universidade Federal de São Carlos – UFSCar, nos dias 3 e 4 de julho, em São Carlos, SP, chama a atenção e suscitou o tema de capa da revista IHU On-Line desta semana.

Contribuem com a presente edição Ângelo Cardita, Carlos Faraco, Maria Cecília Domezi, Daniel Stosiek, Paulo Dalla-Déa, Pedro Lima Vasconcellos, Sueli Maria Ramos da Silva e Valdemir Miotello.


Igreja latino-americana: De Nevares e os direitos humanos

101 anos do nascimento do bispo argentino Jaime de Nevares, que predicou em favor dos trabalhadores e lutou incansavelmente pelos direitos humanos, durante toda a sua vida e seu labor sacerdotal.



Iglesia latinoamericana: De Nevares y los derechos humanos - Canal Encuentro HD

Canal Encuentro 

https://www.youtube.com/watch?v=RU7h-MSbo_k&feature=youtu.be



João Batista Libanio: fidelidade, dádiva e liberdade

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João Batista Libanio: fidelidade, dádiva e liberdade

Fonte: http://jblibanio.org.br/
No dia 30 de Janeiro de 2014, em Curitiba/PR, a teologia brasileira e latino-americana silenciava-se por um instante. Não é um silêncio catastrófico, pois pleno de esperança possibilita percorre novos caminhos, deixando-se fluir com novos ecos desde o legado humano e intelectual compartilhado por João Batista Libanio. As dimensões constitutivas como dádiva, fidelidade e liberdade são experiências que compõem o itinerário desse mestre, que sempre soube dialogar com questões eminentes, interagindo fé e contemporaneidade. A erudição intelectual não perdeu-se nos "Castelos de Marfins" edificados por muitos(as) teológos(as) e especialistas do sagrado, que tornam seus gabinetes/teorias lugares/espaços intocaveis e impenetraveis. Ao contrário, João Batista Libanio, cria pontes e caminhos alternativos para uma reflexão critica, tendo como referências fundamentais o Evangelho e a Realidade.
"Muitos são os requisitos da maestria e dentre eles são imprencindíveiso dominio do saber e a clareza do dizer. 
S
ão duas virtudes que o Pe. Libanio possuia em abundância"
Carlos Roberto DrawinRevista IHU On-line 394

Ele nasceu em Belo Horizonte, em 1932. Foi padre jesuíta, escritor e teólogo brasileiro. Ensinava na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (ISI – FAJE) em Belo Horizonte, e foi vigário da paróquia Nossa Senhora de Lourdes, em Vespasiano, na Grande Belo Horizonte. Fez seus estudos de Filosofia na Faculdade de Filosofia de Nova Friburgo-RJ e cursou em Letras Neolatinas, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Seus estudos de teologia sistemática foram efetuados na Hochschule Sankt Georgen, em FrankfurtAlemanha, onde estudou com os maiores nomes da teologia europeia. Seu mestrado e doutorado (1968) em teologia foram obtidos naPontifícia Universidade Gregoriana (PUG) de Roma.

“A experiência do Vaticano II, 
seu debate teológico e eclesial, sua postura de diálogo e atenção ao mundo contemporâneo, sua opção ecumênica, permeiam toda a teologia do Libanio”.
José Oscar BeozzoRevista IHU On-Line 394
Foi Diretor de Estudos do Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma durante os anos do Concílio Vaticano II, o que facilitou seu contato com os bispos e assessores de todo o Brasil. Retornou ao Brasil em 1968, onde por mais de trinta anos dedica-se ao magistério e pesquisa teológica, na linha da teologia da libertação. Foi professor de teologia na Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, em São LeopoldoRio Grande do Sul, e do Instituto Teológico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Posteriormente foi professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Em 1982, Libânio retornou a Belo Horizonte.
Fonte:http://jblibanio.org.br/

"Acolhi a vida como dom. Não pedi para viver.
Sem dar-nos conta, tecemos a vida com os fios de cada pessoa 
com que encontramos, da que rezou por nós, 
de quem nos influenciou até mesmo através dos séculos pelos escritos, 
pelo enriquecimento da tradição que nos envolve”.
João Batista LibanioRevista IHU On-line 394
Foi autor de cerca de 125 livros, dos quais 36 de autoria própria e os demais em colaboração com outros autores, alguns editados em outras línguas. Além disso, possui mais de 40 artigos publicados em periódicos especializados, e inúmeros artigos em jornais e revistas. Foi assessor da Conferência dos Religiosos do Brasil – CRB e do Instituto Nacional de Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, além de assessorar encontros das Comunidades Eclesiais de Base – CEBs.
  • Teologia da Revelação a partir da Modernidade. 6. ed. São Paulo: Loyola, 2012.
  • Para onde vai a juventude? 2. ed. São Paulo: Paulus, 2012.
  • A religião no início do milênio. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2011.
  • Crer num mundo de muitas crenças e pouca libertação. 2. ed. São Paulo – Valencia: Paulinas – Siquem, 2010.
  • Ecologia – vida ou morte? 1. ed. São Paulo: Paulus, 2010.
  • A escola da liberdade. Subsídios para meditar. 1. ed. São Paulo: Loyola, 2010.
  • Cenários da Igreja – Num mundo plural e fragmentado. 2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2009.
  • Caminhos de existência. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2009.
  • Juventude – seu tempo é agora. 1. ed. São Paulo: Ave Maria, 2008.
  • Como saborear a celebração eucarística. 4. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
  • Creio em Deus Pai. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
  • Creio no Espírito Santo. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
  • Creio em Jesus Cristo. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
  • Em busca de lucidez. O fiel da balança. 1. ed. São Paulo: Loyola, 2008.
  • Qual o futuro do Cristianismo. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2008.
  • Os carismas na Igreja do Terceiro Milênio. 1. ed. São Paulo: Loyola, 2007.
  • Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano do Rio de Janeiro a Aparecida. 1. ed. São Paulo: Paulus, 2007.
  • Introdução à vida intelectual. 3. ed. São Paulo: Loyola, 2006.
  • Eu creio – Nós cremos. Tratado da fé. 2. ed. São Paulo: Loyola, 2005.
  • Qual o caminho entre o crer e o amar? 2. ed. São Paulo: Paulus, 2005.
  • Concílio Vaticano II. 1. ed. São Paulo: Loyola, 2005.
  • Concílio Vaticano II: Em busca de uma primeira compreensão. São Paulo: Loyola, 2005.
  • . 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2004.
  • A arte de formar-se. 4. ed. São Paulo: Loyola, 2004.
  • Ideologia e cidadania. 14. ed. São Paulo: Moderna, 2004.
  • As Lógicas da Cidadeo impacto sobre a fé e sob o impacto da fé. São Paulo: Loyola, 2001.
  • Ser Cristão em Tempos de Nova Era. São Paulo: Paulus, 1996.
  • A Vida Religiosa na Crise da Modernidade Brasileira. Rio de Janeiro/São Paulo: CRB/Loyola, 1995.
  • Obediência na Liberdade. São Paulo: Paulinas, 1995.
Na página pessoal na internet - www.jblibanio.com.br é possivel ter acesso a textos, artigos, homilias, videos, etc.

Fonte: IHU
A revista IHU On-Line, nº 394, sob o título "J. B. Libânio. A trajetória de um teólogo brasileiro. Testemunhos", celebrou os seus 80 anos de vida. Para acessar a revista, clique aqui. Na revista podem ser lidos, além do depoimento do próprio teólogo sob o título "Acolhi a vida como um dom", os testemunhos de alguns(as) que na existência e no labor científico cruzaram pelas veredas e tiveram Libanio como companhia agradável e interpeladora. Dentre eles(a):

Leonardo Boff, Um ponto de equilibrio dentro da Teologia da Libertação
José Oscar Beozzo, O Vaticano II é o elemento estruturante da teologia de João Batista Libanio
Faustino Teixeira, Um testemunho de abertura, respeito e liberdade
Carlos Roberto Drawin, Um mestre
Maria Teresa Bustamante Teixeira, A junção da erudição, da simplicidade e da acolhida.
Pedro Rubens, Uma teologia simpática
Luís Carlos Susin, Um discípulo da realidade
Geraldo De Mori, Um pensamento teológico com a marca da atualidade
Edward Neves Monteiro de Barros Guimarães, Ao mestre do "Caminho" e amigo do coração
A última entrevista que o teólogo concedeu ao Instituto Humanitas Unisinos - IHU foi publicada no dia 08-08-2013, sob o título Uma Igreja mais pastoral e menos administrativa.

Fonte: IHU
 No Cadernos Teologia Pública, número 16, reflete sobre a Contextualização do Concílio Vaticano II e seu desenvolvimento.
Concílio Vaticano II encerrou a longa etapa da Contra-Reforma e da neocristandade, modificando profundamente o clima da Igreja. A sus contextualização implica vários passos:

1. Alguns traços da Igreja da Contra-Reforma;
2. Realidades socioculturais que provocaram a crise desse modelo;
3. A crise dentro da Igreja, provocada pela entrada da modernidade;
4. Fatores imediatos que decidiram sobre a convocação e a orientação do Concílio nos seus inícios;
5. Evento conciliar
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No Cadernos Teologia Pública, número 37, reflete sobre Nas pegadas de medellín: as opções de Puebla.
As realidades históricas passadas paradoxalmente perdem-se no olvido sob muitos aspectos e persistem nas conseqüências reais, na configuração simbólica e nos dados acessíveis às pesquisas historiográficas. AConferência de Puebla sumiu-se no horizonte da Igreja com a imensa parafernália de poder e controle, armada pela secretaria do Celam em articulação com dicastérios romanos. Isso pertence definitivamente ao passado. Na Conferência de Puebla, houve muitas lutas, vitórias e derrotas de diferentes grupos antagânicos respectivamente, alegrias e tristezas, gozos e sofrimentos. As pessoas levaram isso consigo e vários protagonistas daquele evento já se foram à casa do Pai, carregando segredos e confidências: o Papa que o convocou, o Presidente do Celam (Cardeal Aloísio Lorscheider), seu secretário geral  (Cardeal López Trujillo) e inúmeros outros personagens decisivos no seu desenrolar, como Dom Luciano Mendes de Almeida. Ficaram-nos sobretudo a simbólica e o texto, que caem sob nosso crivo analítico. Há ainda testemunhas vivas que podem trazer novos depoimentos que ressuscitem aquele evento em pormenores desconhecidos. Mas, pouco a pouco, elas se apagam pelo correr dos anos. Estamos a quase 30 anos de distância. As opções de Puebla entendem-se, naturalmente, no contexto social, politico, econômico e cultural.
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Por Jéferson Ferreira Rodrigues

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