terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Programa Cidadania

Programa CIDADANIA - TVE - RS
01 de Junho de 2011
Apresentação: Maria Helena Ruduit

Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=OunbMg9B__c
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=DY2PJU...

Pedrinho Guareschi - Prof. PPG Psicologia UFRGS
Celso Schröder - Pres. FENAJ - Prof. PUCRS

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

As grandes democracias levam a sério o direito humano à informação

02/02/2015 - Copyleft 
Laurindo Lalo Leal Filho

As grandes democracias levam a sério o direito humano à informação

No mundo desenvolvido, regulação das comunicações serve para ampliar a diversidade de conteúdos e democratizar a liberdade de expressão.


(*) Artigo publicado originalmente na Revista do Brasil


A regulação dos meios de comunicação é algo comum nas grandes democracias do mundo. Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Portugal, Espanha entre outros países há várias décadas estabeleceram regras para o setor. A maioria busca atualizá-las constantemente para alinhar a legislação às inovações tecnológicas e as transformações sociais. Os britânicos, por exemplo, a cada cinco anos em média, discutem e aprovam no Parlamento novas regras para a mídia eletrônica e recentemente aprimoraram a regulação para os meios impressos.

Na América Latina, nos últimos anos, a maioria dos países aprovou leis modernas para o rádio e a televisão com o objetivo de democratizar o seu uso. O caso mais expressivo, por seu respaldo político e pela consistência da lei, é o da Argentina que em 2009 teve aprovada pelo Congresso Nacional a Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual.

Uma das principais características comuns a todos esses países é a existência de um órgão regulador ou de uma autoridade reguladora pública com competência para aplicar as leis existentes para o audiovisual. São responsáveis por outorgar as concessões de rádio e TV, acompanhar e avaliar a qualidade dos serviços prestados pelos concessionários e promover, ou não, a renovação das concessões. São também os fóruns legais para manifestações do público e de diálogo com as empresas de radiodifusão.

Na concessões os governos diretamente ou os órgãos reguladores redigem os chamados "cadernos de encargos" onde constam os direitos e os deveres atribuídos aos concessionários durante o período em que vigorar a concessão.
 
Tipos de programas, públicos que pretendem atingir, formas de financiamento são alguns dos itens que constam no caderno. Caso eles sejam descumpridos o órgão regulador tem poderes de impor sanções que vão da advertência a cassação da concessão.

Nos Estados Unidos, a Federal Communications Commission (FCC) é o órgão criado através da Lei de Comunicação de 1934 que tem como  prerrogativa central realizar a regulação econômica da mídia evitando a concentração da propriedade dos meios. Não permite, por exemplo, que apenas uma empresa seja dona de jornal e de emissoras de rádio e TV numa mesma cidade.

Embora a primeira emenda da Constituição estadounidense garanta a absoluta liberdade de expressão, a FCC recebe queixas constantes sobre o conteúdo das programações. No entanto sua ação limita-se basicamente a proteger as crianças do que ela chama de "material indecente", proibido de ser veiculado entre às seis da manhã e às 10 da noite.

Ainda assim a FCC pode punir emissoras que transmitam informações falsas, realizem sorteios ou concursos em que as regras não estejam claras e não sejam rigorosamente cumpridas ou aumentem o som nos intervalos comerciais.
    
A FCC é responsável também por fazer cumprir a lei que determina a obrigatoriedade das emissoras transmitirem, no mínimo, três horas semanais de "programação infantil essencial", identificando os programas com o símbolo E/I e informando antecipadamente os pais sobre os horários de exibição. Eles devem ser exibidos entre às 7h e às 10h da manhã com pelo menos 30 minutos de duração.

Na Europa, os órgão reguladores preocupam-se mais com questões de conteúdo exigindo das emissoras cuidados que vão da veracidade dos anúncios exibidos à linguagem utilizada por artistas e apresentadores.

No Reino Unido a regulação do rádio, TV, internet e redes de telecomunicações é realizada pelo Ofcom (Office of Communications) criado em 2003 unificando vários órgãos existentes anteriormente. Os meios impressos são regulados pela IPSO (Independent Press Standards Organization), uma organização independente aprovada pelo Parlamento e sancionada pela rainha Elizabeth II em 2013.

Ao Ofcom cabe a tarefa de garantir à população britânica  a existência de serviços de comunicação eletrônica de alta velocidade, de programas de rádio e TV com qualidade e diversidade além de proteger os espectadores e ouvintes de conteúdos impróprios e de impedir a invasão de privacidade.

Conta para isso como uma série de canais abertos ao público para que este possa se manifestar em relação aos serviços prestados pelos meios de comunicação. As demandas são avaliadas e, quando é o caso, levadas aos responsáveis pelas transmissões. Abusos comprovados são punidos de acordo com a legislação.

Os meios impressos foram durante quase 60 anos auto-regulados através da PCC (sigla em inglês da Comissão de Reclamações sobre a Imprensa). O código de conduta adotado foi elaborado pelos próprios empresários que, além disso, ocupavam mais da metade das vagas do órgão. A complacência da Comissão diante de casos graves de violações éticas cometidas pela imprensa minou a sua credibilidade. Ela não resistiu ao escândalo provocado pelos jornalistas flagrados grampeando telefones de artistas e de pessoas envolvidas em casos policiais.

Diante da ineficiência da PCC, o governo britânico criou uma comissão de inquérito para esclarecer o "papel da mídia e da policia no escândalo das escutas telefônicas ilegais". Ao final dos trabalhos a principal recomendação do Relatório Levenson (referência ao presidente da comissão Lord Justice Levenson) foi a criação de uma nova agência reguladora para a mídia com poder de aplicar multas de até um milhão de libras (cerca de quatro milhões de reais) ou de até 1% do faturamento das empresas.

A IPSO tem como uma de suas atribuições adotar medidas para proteção dos cidadãos, além de poder obrigar jornais, revistas e sites de internet com conteúdo jornalístico a publicar correções de matérias e pedidos de desculpas.  A adesão das empresas ao órgão é voluntária mas as que não aderirem poderão sofrer punições ainda mais severas. A criação da agência é resultado de um acordo firmado entre os três maiores partidos britânicos e tem o respaldo de uma Carta Real, assinada pela rainha Elizabeth. Qualquer alteração só poderá ser feita com o voto de pelo menos dois terços do parlamento.
    
Na Argentina a regulação atinge apenas o rádio e a TV, com a aplicação da nova Lei de Serviços de Comunicação Audiovisual aprovada pelo Congresso em 2009. Seu mérito principal é o de ampliar a liberdade de expressão no pais garantindo o acesso ao espectro eletromagnético de grupos sociais antes excluídos pela força do monopólio. A lei estabelece que 33% do espectro está destinado a organizações sem fins lucrativos e abre espaço para que povos originários possam controlar emissoras de rádio e TV transmitindo programas em seus próprios idiomas, como já ocorre na região de Bariloche.

A nova legislação acaba com os monopólios e oligopólios ao estabelecer limites para o número de concessões outorgadas a cada empresa. Nenhuma delas (seja estatal, privada com fins lucrativas ou privada sem fins lucrativos) pode controlar mais de 1/3 das concessões que terão no máximo dez anos de vigência.

Por força da lei, o grupo Clarin teve que abrir mão de várias de suas licenças e, por isso, tornou-se o seu maior opositor tendo sido derrotado em todas as instâncias do Judiciário para as quais apelou. Agora um empresário não pode mais controlar canais de TVs abertas e fechadas ao mesmo tempo e o sinal de uma empresa de TV por assinatura não poderá chegar a mais de 24 localidades e nem superar o limite de 35 por cento do total de assinantes. 

A lei de meios argentina permitiu uma expansão do setor audiovisual até então inédita no pais. Foram concedidas 814 licenças para operação de emissoras de rádio, TV aberta e TV paga. Dessas 53 de TV e 53 de rádio FM destinaram-se às universidades e 152 para emissoras de rádio instaladas em escolas primárias e secundárias. 

No Brasil calcula-se que 19 projetos de lei visando a democratização da mídia já foram elaborados pelo poder Executivo desde que entrou em vigor a Constituição de 1988. Nenhum deles foi levado ao debate com a sociedade e muito menos enviado ao Congresso Nacional. Seguem vigorando as leis antigas que, por serem obsoletas, atendem aos interesse daqueles que se beneficiam dessa situação.

No caso do rádio e da televisão apenas a aprovação de leis que regulamentassem os artigos da Constituição referentes ao Capítulo da Comunicação Social já seria um grande avanço. Eis alguns exemplos:

Artigo 220

Compete à lei federal:


I -  "regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que se recomendam, locais e horários em que a apresentação se mostre inadequada".

É um das poucas determinações da Constituição que foi objeto de regulação originando o que se convencionou chamar de "classificação indicativa" para exibição de programas de TV.  Ela estabelece uma relação entre os horários de veiculação dos programas com as faixas etárias adequadas ao conteúdo exibido. Mesmo tendo sido amplamente debatida na sociedade a classificação indicativa sofre forte oposição dos radiodifusores e é contestada por uma ação de inconstitucionalidade que tramita no Supremo Tribunal Federal.

II – "estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no Artigo 221 (ver a seguir), bem como a propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente"
 
Não existem esses meios. A defesa da "pessoa e da família" só é feita através de ações propostas pelo Ministério Público que invariavelmente são derrotadas na Justiça pela falta da lei específica. Mas só a lei não basta. É necessária a existência de um órgão regulador, como o Ofcom britânico, como poderes para aplicá-la.
 
Além de ser um fórum com representantes dos radiodifusores, do governo e da sociedade capaz de resolver divergências mais simples, sem necessidade de recursos à Justiça.


III – "Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio".

Trata-se do principal obstáculo à liberdade de expressão no Brasil. Um pequeno grupo de empresas controla todo o setor e veicula programas, programações e ideias semelhantes impedindo a circulação de opiniões plurais, imprescindíveis para uma sociedade democrática. A revisão da distribuição do espectro eletromagnético e o estabelecimento de limites à propriedade de meios de comunicação por um mesmo grupo econômico são as providências necessárias para romper com os monopólios e oligopólios existentes no pais.


Artigo 221 

"A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas"

Há vários exemplos de programas que estão no ar no rádio e na TV que não se enquadram nesse dispositivo constitucional. Não podem ser considerados informativos, por exemplo, programas que fazem do crime um espetáculo mórbido.
 
II – "promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive a sua divulgação"
 
A promoção da cultura nacional e o estímulo à produção independente ganharam estímulo na TV paga com a lei que entrou em vigor em 2011 determinando a abertura de espaços nas grades de programação das emissoras para cotas de programas produzidos no Brasil. Para a TV aberta não há nenhuma legislação específica sobre o tema. 

III – "regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei".

A regulamentação deste artigo foi apresentada ao Congresso Nacional em 1991 e até hoje não foi votada. A falta da lei impede a ampliação do mercado de trabalho de profissionais de rádio e TV em inúmeras regiões do pais reforçando a concentração dos meios de comunicação no eixo Rio-São Paulo. Impede ainda a circulação pelo Brasil da produção cultural, artística e informativa que se faz em todo o território nacional.

IV – "respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família"

São questões subjetivas que necessitam de fóruns amplos de discussão capazes de calibrar o que se veicula pela mídia com o nível sócio-cultural e de valores alcançado pela população num determinado momento histórico. A existência do órgão regulador plural e democrático será um passo nesse sentido.



http://cartamaior.com.br/?%2FColuna%2FAs-grandes-democracias-levam-a-serio-o-direito-humano-a-informacao%2F32775 


Democratizando

9ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos no Hemisfério Sul  -  DEMOCRATIZANDO

3 de fevereiro de 2015 | terça-feira
20h
Comunidade Imaculado Coração de Maria 
(Bairro Monte Castelo)
Filmes:

Sofhia
Kenner Rógis, Brasil, 2013, 15´, classificação: livre
Na busca por entender melhor o universo de Sofhia, Joana, mãe dedicada, passa por belíssimas experiências sensoriais. Uma singela história de amor cercada de poesia visual e sonora. 

Pelas Janelas
Carol Perdigão, Guilherme Farkas, Sofia Maldonado e Will Domingos, Brasil, 2014, 35´, documentário, classificação: livre
Ao longo de 3 meses, uma equipe formada por quatro estudantes universitários de Cinema e Audiovisual acompanhou parte dos processos e experiências dos projetos de cinema e educação e Direitos Humanos Inventar com a Diferença, realizado em escolas espalhadas por todo o território nacional.









































Apoio local - Democratizando: 
Centro de Estudos, Pesquisa e Direitos Humanos - CEPDH
Cáritas Caxias do Sul
Escola de Formação Fé, Política e Trabalho

Apoio: 
Fundação Euclides da Cunha
Centro Técnico Audiovisual
Empresa Brasil de Comunicação
TV Brasil 

Patrocínio:
Petrobrás
BNDES

Realização: 
Universidade Federal Fluminense
Secretaria de Direitos Humanos
Secretaria do Audiovisual
Ministério da Cultura
Governo Federal 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

vídeo sobre curso

Escola de Formação Fé, Política e Trabalho

Falas dos participantes do curso 2014 e do prof. Laurício Neumann

https://drive.google.com/file/d/0B83AtwVg5mnRTmctMXZ2eThWbm8/view

 

 

Conheça e acompanhe a Escola ;)

http://goo.gl/Xmzkjk
fepoliticaetrabalho@gmail.com
http://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/

Escola Fé, Política e Trabalho
https://twitter.com/fepoliticaetrab
(54) 3211-5032

 

 

Ficha de inscrição - Curso 2015: 

Preenche e envia o formulário no endereço abaixo até dia 16/03/15. 
Tua inscrição será confirmada até 18/03/15:

http://goo.gl/forms/ks8dS38NZy

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

A intolerância no Brasil atual e no mundo

A intolerância no Brasil atual e no mundo

22/01/2015

O assassinato dos chargistas franceses do Charlie Hebdo recentemente e a última eleição presidencial no Brasil trouxeram à luz um preconceito latente no mundo e na cultura brasileira: a intolerância. Restrinjo-me a esta pois a outra, a do Charlie Hebdo foi abordada num artigo anterior. A intolerância no Brasil é parte daquilo que Sergio Buarque de Holanda chama de "cordial" no sentido de ódio e preconceito, que vem do coração como a hospitalidade e simpatia. Em vez de cordial eu prefereria dizer que o povo brasileiro é passional.

O que se mostrou na última campanha eleitoral foi o "cordial-passional" tanto como ódio de classe (desprezo do pobre) como o de discriminação racial (nordestino e negro). Ser pobre, negro e nordestino implicava uma pecha negativa e aí o desejo absurdo de alguns de dividir o Brasil entre o Sul "rico" e o Nordeste "pobre". Esse ódio de classe se deriva do arquétipo da Casa Grande e da Senzala introjetada em altos setores sociais, bem expresso por uma madame rica de Salvador:"os pobres não contentes com receber a bolsa família, querem ainda ter direitos". Isso supõe a idéia de que se um dia foram escravos, deveriam continuar a fazer tudo de graça, como se não tivesse havido a abolição da escravatura. Os homoafetivos e outros da LGBT são hostilizados até nos debates oficiais entre os candidatos, revelando uma intolerância "intolerável".

Para entender um pouco mais profundamente a intolerância importa ir um pouco mais a fundo na questão. A realidade assim como nos é dada é contraditória em sua raiz; complexa, pois é convergência dos mais variados fatores; nela há caos originário e cosmos (ordem), há luzes e sombras, há o sim-bólico e o dia-bólicos. Em si, não são defeitos de construção, mas a condição real de implenitude de tudo que existe no universo. Isso obriga a todos a conviver com as imperfeições e as diferenças. E a sermos tolerantes com os que não pensam e agem como nós. Traduzindo numa linguagem mais direta: são pólos opostos mas pólos de uma mesma e única realidade dinâmica. Estas polaridades não podem ser suprimidas. Todo esforço de supressão termina no terror dos que presumem ter a verdade e a impõem aos demais. O excesso de verdade acaba sendo pior que o erro.

O que cada um (e a sociedade) deve sempre saber é distinguir um e outro pólo e fazer a sua opção. O indicado é optar pelo pólo de luz, do sim-bólico e do justo. Então o ser humano se revela um ser ético que se responsabiliza por seus atos e pelas consequências boas ou más que deles se derivam.

Alguém poderia pensar: mas então vale tudo? Não há mais diferença? Não se prega um vale tudo nem se borram as diferenças. Deve-se, sim, fazer distinções. O joio é joio e não trigo. O trigo é trigo, não joio. O torturador não pode ter o mesmo destino que sua vítima. O ser humano não pode igualar a ambos nem confundi-los. Deve discernir e optar pelo trigo, embora o joio continua existindo, mas sem ter a hegemonia.

Para fazer coexistir sem confundir estes dois princípios devemos alimentar em nós a tolerância. A tolerância é capacidade de manter, positivamente, a coexistência difícil e tensa dos dois pólos, sabendo que eles se opõem mas que com-põem a mesma e únca realidade dinâmica. Impõe-se optar pelo pólo luminoso e manter sob controle o sombrio.

O risco permanente é a intolerância. Ela reduz a realidade, pois assume apenas um pólo e nega o outro. Coage a todos a assumir o seu pólo e a anula o outro, como o faz de forma criminosa o Estado Islâmico e a Al Qaeda. O fundamentalismo e o dogmatismo tornam absoluta a sua verdade. Assim eles se condenam à intolerância e passam a não reconhecer e a respeitar a verdade do outro. O primeiro que fazem é suprimir a liberdade de opinião, o pluralismo e impôr o pensamento único. Os atentados como o de Paris têm por base esta intolerância.

É imperioso evitar a tolerância passiva, aquela atitude de quem aceita a existência com o outro não porque o deseje e veja algum valor nisso, mas porque não o consegue evitar.

Há que se incentivar a tolerância ativa que consiste na coexistência, na atitude de quem positivamente convive com o outro porque tem respeito por ele e consegue ver os valores da diferença e assim pode se enriquecer.

A tolerância é antes de mais nada uma exigência ética. Ela representa o direito que cada pessoa possui de ser aquilo que é e de continuar a sê-lo. Esse direito foi expresso universalmente na regra de ouro "Não faças ao outro o que não queres que te façam a ti". Ou formulado positivamente:"Faça ao outro o que queres que te façam a ti". Esse preceito é óbvio.

O núcleo de verdade contido na tolerância, no fundo, se resume nisso: cada pessoa tem direito de viver e de conviver no planeta Terra. Ela goza do direito de estar aqui com sua diferença específica em termos de visões de mundo, de crenças e de ideologias. Essa é a grande limitação das sociedades européias: a dificuldade de aceitar o outro, seja árabe, muçulmano ou turco e na sociedade brasileira, do afro-descendente, do nordestino e do indígena. As sociedades devem se organizar de tal maneira que todos possam, por direito, se sentir incluídos. Daí nasce a paz, que segundo a Carta da Terra, é "a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, com outras culturas, com outras vidas, com a Terra e com o Todo maior da qual somos parte"(n.16 f).

A natureza nos oferece a melhor lição: por mais diversos que sejam os seres, todos convivem, se interconectam e formam a complexidade do real e a esplêndida diversidade da vida.

Leonardo Boff é colunista do JBonline, teólogo e filósofo


https://leonardoboff.wordpress.com/2015/01/22/a-intolerancia-no-brasil-atual-e-no-mundo/


sábado, 27 de dezembro de 2014

neste sábado, dia 27, às 21h30

DESCALÇO SOBRE A TERRA VERMELHA
Minisérie, 3º episódio > neste sábado, dia 27, às 21h30
Casaldàliga é ordenado bispo de São Félix do Araguaia
Ameaça de morte
Bispo precisa enfrentar fazendeiros e o Exército

Casaldàliga é ordenado bispo de São Félix do Araguaia


Os fazendeiros oferecem prêmio para quem matar Casaldàliga e começam a se movimentar para tentar desacreditá-lo, com a intenção de fazer com que a Igreja e o governo o expulsem do país. Mas a reação do Vaticano é totalmente contrária e com a intenção de apoiá-lo, decide ordená-lo bispo. Estamos em outubro de 1971. Casaldàliga passou três anos na região e inicialmente queria renunciar ao cargo, mas logo entende a ordenação como uma forma de aumentar o seu compromisso. A cerimônia é muito simples, celebrada às margem do rio e o novo bispo, fiel ao seu estilo, renuncia a qualquer ornamentação.

Nos anos posteriores à ordenação os enfrentamentos com os fazendeiros são constantes. Boca Quente e seus pistoleiros enviados pelo fazendeiro Armandão destroem o povo de Serra Nova fundada pelos posseiros com a ajuda do Padre Jentel. E, finalmente, o Exército se apodera de São Félix com um grande destacamento militar, a fim de perseguir e humilhar Casaldàliga e sua gente. O Vaticano informa ao governo militar, que considera que as pessoas que trabalham nessas regiões são heróis e que "tocar em Pedro é como tocar no Papa" (Paulo VI, o Papa da época).

O exército se retira da região. Casaldàliga pede ao padre João Bosco que o acompanhe na visita à reconstruída Serra Nova. Lá, a polícia confunde João Bosco com Casaldàliga e atira em sua cabeça. João Bosco morre, mas torna-se um símbolo. Seu sangue e o de tantos posseiros assassinados, servem para fortalecer a presença de Casaldàliga e sua gente na região. Todas as tentativas de expulsá-lo e iliminá-lo fracassam. A grande vitória de Casaldàliga é que os anos se passaram e ele continua vivendo às margens do rio Araguaia.

Direção: Oriol Ferrer
Produção: Minoria Absoluta, Raiz Produções, TV3, TVE, TV Brasil
Elenco: Eduard Fernández, Sergi López, Babu Santana, Eduardo Magalhães
Formato: minissérie
Gênero: drama, história
Ano: 2012
País de origem: Espanha/Brasil
Classificação indicativa: 14 anos

http://tvbrasil.ebc.com.br/descalcosobreaterravermelha

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL!




Com José, não temos medo de Sonhar,

Vamos até Belém,
Como os pastores.
O importante é colocar-se a caminho.
E, se em lugar de um Deus glorioso,
Encontramos a fragilidade
De uma criança,
Não duvidemos
De ter errado o caminho.
O rosto amedrontado dos oprimidos,
A solidão das pessoas entristecidas,
A amargura
Dos pobres da terra
São os lugares onde Ele continua
A viver na clandestinidade.
É nosso dever procurá-lo.
Colocamo-nos, sem medo, a caminho,
Semeadores e semeadoras de esperança.

Fonte: Hermes Antonio Tonini, Maria Soave Buscemi | Outras relações possíveis: É Natal! PnV 238





domingo, 21 de dezembro de 2014

Cadê o natal?


Cadê o natal?

Frei Betto
Adital

Cadê o Natal como celebração do nascimento de Jesus? Cadê o presépio na sala, a leitura bíblica em família, as crianças catequizadas pelo significado da festa? Cadê a Missa do Galo, que inspirou um dos mais belos contos de Machado de Assis?

Serei saudosista? Talvez, sobretudo considerando que a pós-modernidade troca o sólido pelo gasoso, o emblemático pelo mercantil, a irrupção do sentido pela compulsão consumista.

Eis o sistema, com a sua força incontida de banalizar até mesmo a mais bela festa cristã. Na contramão de Jesus, vamos escorraçando o filho de Deus do espaço religioso e introduzindo as mesas dos cambistas que comercializam os produtos do Papai Noel.

O velho barbudo pode ser encantador para as crianças, devido à massificação cultural que as induz a preferir Coca-Cola a leite. Contudo, haverá mais mistério no ancião que desce pela chaminé ou na criança que é a própria presença de Deus entre nós?

Aliás, ao ser inventado, Papai Noel vestia verde. O vermelho foi mercadologicamente imposto pelo mais consumido refrigerante do mundo. Porém, nada tem a ver com a nossa realidade o velhinho que veio do frio.

Somos um país tropical, jamais andamos de trenó e sequer em nossos zoológicos há renas. Mas, como despertar uma nação secularmente colonizada? Como livrar a cabeça do capacete publicitário? Basta conferir o número de lares que trocam a boa e potável água do filtro de barro pela garrafa pet do supermercado, contendo líquido de salubridade duvidosa.

Minha mãe, mestra em culinária, contava que, outrora, as madames cariocas, com a cabeça feita pela Belle Époque , pediam no açougue "lombinho francês". E muitas acreditavam que aquele naco de carne de porco havia cruzado o Atlântico para agradar o paladar refinado de quem, com certeza, achava uma porcaria o porco daqui...

O grupo de oração de São Paulo, do qual participo, decidiu confraternizar-se com presentes zero. Queremos presenças na celebração. O grupo de Belo Horizonte instituiu o "amigo culto" (e não oculto): sorteada a pessoa, ela recita uma poesia, entoa um canto, narra uma fábula ou conta um "causo" que faça bem à alma.

Meus amigos Cláudia e Jorge decidiram que, neste ano, nada de shopping! Levarão as crianças ao hospital pediátrico, para que brinquem com os pequenos enfermos.

Isto, sim, é encontrar Jesus, como reza o evangelho da festa de Cristo Rei: "Estive enfermo e me visitaste" ( Mateus 25, 36).

Isso é muito mais do que cultuar Jesus no presépio, em imagem de gesso. É encontrá-lo vivo naqueles com os quais ele se identificou.

Mas há quem prefira entupir as crianças de Papai Noel, "educá-las" centradas no shopping, incentivá-las a escrever cartinhas com requintados pedidos. Tomara que, mais tarde, não se queixem dos adolescentes consumistas, escravos monoglotas dos celulares, indiferentes ao sofrimento alheio e desprovidos de espiritualidade.

Frei Betto é escritor, autor de "Oito vias para ser feliz" (Planeta), entre outros livros.

http://www.freibetto.org/ > twitter:@freibetto.

Frei Betto

Escritor e assessor de movimentos sociais

Cartão de Natal de Banksy mostra muro de Israel no caminho da Sagrada Família


Cartão de Natal de Banksy mostra muro de Israel no caminho da Sagrada Família


Marina Mattar | Redação - 18/12/2012 - 16h18
No desenho, Jesus não poderia ter nascido na cidade palestina de Belém nos dias atuais por conta de bloqueio israelense

Reprodução


Um cartão de Natal pouco convencional está sendo compartilhado ao redor do mundo por milhares de pessoas nas redes sociais. A paisagem tradicional bíblica de José e Maria – que aparece montada em um burro – caminhando em direção à estrela de Belém, onde Jesus nasceria, não seria nada estranha se não fosse pelo extenso e alto muro que interrompe o seu caminho. 

O artista britânico Banksy dá o seu toque à data religiosa, lembrando que Cristo não poderia ter nascido no estábulo na cidade palestina nos dias atuais. José e Maria, assim como milhares de palestinos residentes de Nazaré (nome atual de Galileia), não poderiam sair de sua cidade e caminhar até Belém, na Cisjordânia, que está, totalmente, cercada pelo muro construído por Israel.

Wikicommons

Grafite do artista britânico no "muro da vergonha" em Belém, cidade palestina onde nasceu Jesus

O muro de concreto, de 760 quilômetros de extensão e cerca de 8 metros de altura, começou a ser construído pelo governo israelense em 2002 e já está quase concluído. Com o suposto propósito de evitar a passagem de terroristas nas áreas de Israel, a "barreira da separação" coincide em apenas 20% com a Linha do Armistício de 1949. O restante, está situado em território, por lei, palestino. 

Wikicommons
Classificado como "muro do apartheid", essa construção foi criticada por autoridades e entidades internacionais, como as Nações Unidas e a Corte Internacional de Justiça, além de receber a atenção de artistas como Banksy. 

Por meio de grafites e stencils, o britânico imprimiu o seu tom irônico e sarcástico no muro do lado palestino. Uma janela, uma cortina, uma vidraça quebrada e balões furam o bloqueio israelense e levam o povo palestino a enxergar o "outro lado" que aparece como praia, céu ou rio. 

(Grafite de Banksy no muro israelense na Cisjordânia mostra garota voando para o outro lado do muro por meio de balões)

Agora, o artista britânico, de identidade real desconhecida, faz com que a Sagrada Família enfrente o apartheid.









sábado, 20 de dezembro de 2014

neste sábado, às 21h30

TV Brasil :: Descalço sobre a Terra Vermelha

Baseada na obra homônima do escritor Francesc Escribano, Descalço sobre a Terra Vemelha narra a saga do bispo emérito de São Félix, Pedro Casaldàliga, ao chegar no Araguaia em 1968. 

Série exibida aos sábados: dias 13, 20 e 27 de dezembro
às 21h30, na TV Brasil
transmitido também pela TVE RS:

Descalço sobre a Terra Vermelha narra a saga do bispo emérito de São Félix do Araguaia-MS,Pedro Casaldàliga, ao chegar no Araguaia-MT em 1968. O religioso se posicionou ao lado dos desfavorecidos na luta pela posse da tera, enfrentando fazendeiros, a ditadura e até mesmo o Vaticano.

Dividida em três capítulos de 52 minutos e exibida pela primeira vez no pais, a obra dirigida pelo cineasta Oriol Ferrer é resultado da coprodução entre a TVC, a TVE, a TV Brasil, a brasileira Raiz Produções e a Minoria Absoluta, produtora espanhola. A película também foi premiada na Ásia, no Festival de Seul, e pelo New York International TV & Film Awards. A minissérie é baseada na obra homônima de autoria do escritor Francesc Escribano.

Pedro Casaldáliga nasceu na província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928, e vive no Brasil até hoje. Aos 86 anos, luta contra o Mal de Parkinson e deu carta branca aos produtores para a realização do filme. Na pré-estreia da obra em São Félix do Araguaia -MT, onde mas de mil pessoas participaram como figurantes, destacou o receio de ser retratado como protagonista das lutas da região, ressaltando que as conquistas foram resultado da luta e da caminhada de muitos.

Trailer:
https://www.facebook.com/video.php?v=10153082927462985&fref=nf

SEGUNDO EPISÓDIO:

Por uma Igreja da Amazônia

Bispo lança manifesto pelos indígenas e contra a exclusão social
Realidade dos indígenas é denunciada por Casaldàliga
Realidade dos indígenas é denunciada por Casaldàliga

Casaldàliga continua o seu "doutrina de fé", no Vaticano, diante dos Cardeais Ratzinger e Gantin.

Para tentar entender as pessoas e as questões importantes da região do centro oeste brasileiro, Casaldàliga se relaciona com todo mundo, até mesmo com os latifundiários e com os poderosos, até que um dia decide deixar de fazê-lo. O ponto de virada ocorre em uma festa na casa de um fazendeiro, onde foi convidado a celebrar uma missa. Ao testemunhar a ostentação de riqueza e fartura por parte do anfitrião e dos convidados, torna-se insuportável para alguém que viu a pobreza e a privação absoluta predominante na região, conviver com as duas realidades tão díspares. Depois daquele dia, Casaldàliga rompe todas as relações com essa gente de poder econômico e político, e o anuncia a todo o povo durante uma missa na igreja.

Talvez Casaldàliga não tenha conhecimento das consequências que terá sua decisão. Mas a partir deste momento, casaldàliga torna-se um problema e uma complicação para os senhorios e os poderosos de toda a região.

Casaldàliga consegue que algumas pessoas venham de todo o Brasil para colaborar com ele: Moura e irmã Irene são alguns que vieram para ajudá-lo neste trabalho.

São Félix do Araguaia, 1970. Casaldáliga publica, sem o consentimento da Conferência Episcopal do Brasil, o manifesto - "Uma igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a exclusão social" - que dá a volta ao mundo e coloca em evidência as condições desumanas com que se vive na região.


Ficha técnica
Direção: Oriol Ferrer
Produção: Minoria Absoluta, Raiz Produções, TV3, TVE, TV Brasil
Elenco: Eduard Fernández Sergi López Babu Santana Eduardo Magalhães
Formato: minissérie
Gênero: drama, história
Ano: 2012
País de origem: Espanha/Brasil
Classificação indicativa: 14 anos

Santo Pedro

Sul21 | 7/dez/2014, 8h30min

Santo Pedro

Por Selvino Heck

Não sei se terei palavras suficientes nem capacidade de traduzir o que vivi/vivemos e o que senti/sentimos nos dias 2 e 3 de dezembro de 2014 em São Félix do Araguaia, Mato Grosso. Foi a primeira exibição do filme Descalço sobre a Terra Vermelha no Centro Comunitário da Prelazia, sobre a vida, a luta, o compromisso evangélico de Dom Pedro Casaldáliga, com a presença de centenas de pessoas e a presença do próprio Pedro.

filme (que vai ser exibido dias 13, 20 e 27 de dezembro na TV Brasil, às 22h30) começa com a visita 'ad limina' de Pedro, bispo, ao Vaticano em 8 de junho de 1988, onde é recebido pelo então cardeal Ratzinger, depois papa Bento XVI. Na entrada do imponente prédio de imensos corredores, pedem-lhe que se vista adequadamente, isto é, batina preta, tire as sandálias e ponha sapatos. Ratzinger comenta os belos sapatos usados por Pedro. Pedro responde: "São presentes de Fidel." E seguem os questionamentos sobre sua atuação em São Félix, a defesa dos pobres e oprimidos, no caso os peões das fazendas, os índios e as prostitutas, jovens, mulheres, a Teologia da Libertação, seus textos, livros e poemas.

filme vai contando a história de Pedro, desde sua chegada ao Brasil em 30 de julho de 1968, com 40 anos. Diz o barqueiro Josué, que leva Pedro e seu parceiro Daniel pelo rio Araguaia até sua futura casa: "Aqui é o fim do mundo. Vocês não têm ideia de onde estão se metendo." E pergunta a Pedro, que tem caneta e caderno na mão: "Como está escrevendo aqui?" Pedro diz: "É fácil ser poeta numa lindeza dessas como esse rio."

Pedro vai conhecendo a realidade dura de São Félix e região: os peões escravos, a morte rondando todos e todas e acontecendo por qualquer banalidade, a injustiça, a violência contra a mulher, o medo do povo ante o poder estabelecido, a aliança da ditadura com o latifúndio e os políticos, o desprezo com a vida, a pobreza, as vacilações da Igreja católica.

Pedro, na convivência com os pobres, com os eterna e historicamente rejeitados e excluídos, os sem vez e sem voz, com os que ocupam a terra para poderem plantar e viver, descobre a resistência popular, enfrenta os poderosos, começa a ser perseguido, é ameaçado de morte, assim como quem trabalha com ele. Alguns são assassinados, como os padres Jentel, João Bosco e lideranças de posseiros, outros são presos e torturados.

Falou D. Adriano, atual bispo, antes da exibição do filme: "Um povo sem história e sem memória não pode escrever o futuro. É preciso saber quais foram as lutas, os caminhos trilhados, as esperanças. É uma saga a ser conhecida, celebrada por todos os que moram em São Félix e no Vale do Araguaia."

Escrevi mensagem para os membros do Movimento Nacional Fé e Política: "Foi lindo, compas, foi lindo: primeira exibição do filme da história de Pedro no Centro Comunitário da Prelazia de São Félix. Ele, que ficaria só uma hora, resistiu a quase três horas de exibição e cumprimentou todo mundo no final. E uma coincidência incrível. O Moura, do qual tanto falamos no Seminário do Movimento no final de semana, aparece no filme como um guri jovem e cheio de ideais. Perguntei ao Paco, o roteirista catalão do filme, no jantar após a exibição, se o Moura do filme era o Moura que eu conhecera como deputado estadual constituinte goiano, fundador do Movimento Fé e Política e de quem eu falara com saudade sábado e domingo. Era."

Matéria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), coprodutora do filme através da TV Brasil, conta: "Olhos atentos. Ninguém queria perder nenhuma das cenas. Na plateia, pessoas de todas as idades acompanhavam a narrativa. A estudante Nágila Oliveira falou emocionada sobre o filme que tinha acabado de assistir e a importância do registro para as futuras gerações: "Guardei um monte de lágrimas em muitas horas. Deu para conhecer muito bem a luta dele, que vai continuar por meio desse filme, porque ela não acabou." Dom Pedro Casaldáliga ficou no centro comunitário até o fim da exibição. Em conversa com a equipe da EBC, o bispo, que tem dificuldade pra falar devido ao mal de Parkison, disse que tinha receio de ser retratado como protagonista da luta de São Félix e ressaltou que as conquistas foram resultado da luta e da caminhada de muitos."

Dia seguinte à exibição, a comitiva – Secretaria Geral da Presidência, produtores do filme, equipe da EBC, Pe. Ernani Pinheiro, da CNBB, todos lamentando a ausência do ministro Gilberto Carvalho -, reunimo-nos cheios de emoção na casa de Pedro, casa comum numa rua de terra de São Félix. E, celebrando a vida e o encontro, rezamos a Oração de São Francisco, a mensagem evangélica da multiplicação de pães e peixes, um salmo.

No final, Pedro, o bispo emérito, D. Adriano, o bispo legítimo e o bispo do filme, os três bispos como diz Pedro, nos abençoaram. Termino, emocionado, esta minha (quase) oração com o poema Nossa Senhora do Araguaia, de Pedro: "Senhora do Araguaia,/comadre do dia a dia,/ senhora libertadora,/ mui servidora Maria./ Passarinha da ternura/nas muitas águas da vida,/ enche de Reino a História,/ e o rio, de poesia."

Não erro nem exa gero quando escrevo Santo Pedro. E faço a saudação final com as últimas palavras da Oração dos Mártires da Caminhada Latino-americana, de Pedro: "Amém, Axé, Awiri, Aleluia!".

Selvino Heck é Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República, Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política.


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