domingo, 21 de dezembro de 2014

Cadê o natal?


Cadê o natal?

Frei Betto
Adital

Cadê o Natal como celebração do nascimento de Jesus? Cadê o presépio na sala, a leitura bíblica em família, as crianças catequizadas pelo significado da festa? Cadê a Missa do Galo, que inspirou um dos mais belos contos de Machado de Assis?

Serei saudosista? Talvez, sobretudo considerando que a pós-modernidade troca o sólido pelo gasoso, o emblemático pelo mercantil, a irrupção do sentido pela compulsão consumista.

Eis o sistema, com a sua força incontida de banalizar até mesmo a mais bela festa cristã. Na contramão de Jesus, vamos escorraçando o filho de Deus do espaço religioso e introduzindo as mesas dos cambistas que comercializam os produtos do Papai Noel.

O velho barbudo pode ser encantador para as crianças, devido à massificação cultural que as induz a preferir Coca-Cola a leite. Contudo, haverá mais mistério no ancião que desce pela chaminé ou na criança que é a própria presença de Deus entre nós?

Aliás, ao ser inventado, Papai Noel vestia verde. O vermelho foi mercadologicamente imposto pelo mais consumido refrigerante do mundo. Porém, nada tem a ver com a nossa realidade o velhinho que veio do frio.

Somos um país tropical, jamais andamos de trenó e sequer em nossos zoológicos há renas. Mas, como despertar uma nação secularmente colonizada? Como livrar a cabeça do capacete publicitário? Basta conferir o número de lares que trocam a boa e potável água do filtro de barro pela garrafa pet do supermercado, contendo líquido de salubridade duvidosa.

Minha mãe, mestra em culinária, contava que, outrora, as madames cariocas, com a cabeça feita pela Belle Époque , pediam no açougue "lombinho francês". E muitas acreditavam que aquele naco de carne de porco havia cruzado o Atlântico para agradar o paladar refinado de quem, com certeza, achava uma porcaria o porco daqui...

O grupo de oração de São Paulo, do qual participo, decidiu confraternizar-se com presentes zero. Queremos presenças na celebração. O grupo de Belo Horizonte instituiu o "amigo culto" (e não oculto): sorteada a pessoa, ela recita uma poesia, entoa um canto, narra uma fábula ou conta um "causo" que faça bem à alma.

Meus amigos Cláudia e Jorge decidiram que, neste ano, nada de shopping! Levarão as crianças ao hospital pediátrico, para que brinquem com os pequenos enfermos.

Isto, sim, é encontrar Jesus, como reza o evangelho da festa de Cristo Rei: "Estive enfermo e me visitaste" ( Mateus 25, 36).

Isso é muito mais do que cultuar Jesus no presépio, em imagem de gesso. É encontrá-lo vivo naqueles com os quais ele se identificou.

Mas há quem prefira entupir as crianças de Papai Noel, "educá-las" centradas no shopping, incentivá-las a escrever cartinhas com requintados pedidos. Tomara que, mais tarde, não se queixem dos adolescentes consumistas, escravos monoglotas dos celulares, indiferentes ao sofrimento alheio e desprovidos de espiritualidade.

Frei Betto é escritor, autor de "Oito vias para ser feliz" (Planeta), entre outros livros.

http://www.freibetto.org/ > twitter:@freibetto.

Frei Betto

Escritor e assessor de movimentos sociais

Cartão de Natal de Banksy mostra muro de Israel no caminho da Sagrada Família


Cartão de Natal de Banksy mostra muro de Israel no caminho da Sagrada Família


Marina Mattar | Redação - 18/12/2012 - 16h18
No desenho, Jesus não poderia ter nascido na cidade palestina de Belém nos dias atuais por conta de bloqueio israelense

Reprodução


Um cartão de Natal pouco convencional está sendo compartilhado ao redor do mundo por milhares de pessoas nas redes sociais. A paisagem tradicional bíblica de José e Maria – que aparece montada em um burro – caminhando em direção à estrela de Belém, onde Jesus nasceria, não seria nada estranha se não fosse pelo extenso e alto muro que interrompe o seu caminho. 

O artista britânico Banksy dá o seu toque à data religiosa, lembrando que Cristo não poderia ter nascido no estábulo na cidade palestina nos dias atuais. José e Maria, assim como milhares de palestinos residentes de Nazaré (nome atual de Galileia), não poderiam sair de sua cidade e caminhar até Belém, na Cisjordânia, que está, totalmente, cercada pelo muro construído por Israel.

Wikicommons

Grafite do artista britânico no "muro da vergonha" em Belém, cidade palestina onde nasceu Jesus

O muro de concreto, de 760 quilômetros de extensão e cerca de 8 metros de altura, começou a ser construído pelo governo israelense em 2002 e já está quase concluído. Com o suposto propósito de evitar a passagem de terroristas nas áreas de Israel, a "barreira da separação" coincide em apenas 20% com a Linha do Armistício de 1949. O restante, está situado em território, por lei, palestino. 

Wikicommons
Classificado como "muro do apartheid", essa construção foi criticada por autoridades e entidades internacionais, como as Nações Unidas e a Corte Internacional de Justiça, além de receber a atenção de artistas como Banksy. 

Por meio de grafites e stencils, o britânico imprimiu o seu tom irônico e sarcástico no muro do lado palestino. Uma janela, uma cortina, uma vidraça quebrada e balões furam o bloqueio israelense e levam o povo palestino a enxergar o "outro lado" que aparece como praia, céu ou rio. 

(Grafite de Banksy no muro israelense na Cisjordânia mostra garota voando para o outro lado do muro por meio de balões)

Agora, o artista britânico, de identidade real desconhecida, faz com que a Sagrada Família enfrente o apartheid.









sábado, 20 de dezembro de 2014

neste sábado, às 21h30

TV Brasil :: Descalço sobre a Terra Vermelha

Baseada na obra homônima do escritor Francesc Escribano, Descalço sobre a Terra Vemelha narra a saga do bispo emérito de São Félix, Pedro Casaldàliga, ao chegar no Araguaia em 1968. 

Série exibida aos sábados: dias 13, 20 e 27 de dezembro
às 21h30, na TV Brasil
transmitido também pela TVE RS:

Descalço sobre a Terra Vermelha narra a saga do bispo emérito de São Félix do Araguaia-MS,Pedro Casaldàliga, ao chegar no Araguaia-MT em 1968. O religioso se posicionou ao lado dos desfavorecidos na luta pela posse da tera, enfrentando fazendeiros, a ditadura e até mesmo o Vaticano.

Dividida em três capítulos de 52 minutos e exibida pela primeira vez no pais, a obra dirigida pelo cineasta Oriol Ferrer é resultado da coprodução entre a TVC, a TVE, a TV Brasil, a brasileira Raiz Produções e a Minoria Absoluta, produtora espanhola. A película também foi premiada na Ásia, no Festival de Seul, e pelo New York International TV & Film Awards. A minissérie é baseada na obra homônima de autoria do escritor Francesc Escribano.

Pedro Casaldáliga nasceu na província de Barcelona, em 16 de fevereiro de 1928, e vive no Brasil até hoje. Aos 86 anos, luta contra o Mal de Parkinson e deu carta branca aos produtores para a realização do filme. Na pré-estreia da obra em São Félix do Araguaia -MT, onde mas de mil pessoas participaram como figurantes, destacou o receio de ser retratado como protagonista das lutas da região, ressaltando que as conquistas foram resultado da luta e da caminhada de muitos.

Trailer:
https://www.facebook.com/video.php?v=10153082927462985&fref=nf

SEGUNDO EPISÓDIO:

Por uma Igreja da Amazônia

Bispo lança manifesto pelos indígenas e contra a exclusão social
Realidade dos indígenas é denunciada por Casaldàliga
Realidade dos indígenas é denunciada por Casaldàliga

Casaldàliga continua o seu "doutrina de fé", no Vaticano, diante dos Cardeais Ratzinger e Gantin.

Para tentar entender as pessoas e as questões importantes da região do centro oeste brasileiro, Casaldàliga se relaciona com todo mundo, até mesmo com os latifundiários e com os poderosos, até que um dia decide deixar de fazê-lo. O ponto de virada ocorre em uma festa na casa de um fazendeiro, onde foi convidado a celebrar uma missa. Ao testemunhar a ostentação de riqueza e fartura por parte do anfitrião e dos convidados, torna-se insuportável para alguém que viu a pobreza e a privação absoluta predominante na região, conviver com as duas realidades tão díspares. Depois daquele dia, Casaldàliga rompe todas as relações com essa gente de poder econômico e político, e o anuncia a todo o povo durante uma missa na igreja.

Talvez Casaldàliga não tenha conhecimento das consequências que terá sua decisão. Mas a partir deste momento, casaldàliga torna-se um problema e uma complicação para os senhorios e os poderosos de toda a região.

Casaldàliga consegue que algumas pessoas venham de todo o Brasil para colaborar com ele: Moura e irmã Irene são alguns que vieram para ajudá-lo neste trabalho.

São Félix do Araguaia, 1970. Casaldáliga publica, sem o consentimento da Conferência Episcopal do Brasil, o manifesto - "Uma igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a exclusão social" - que dá a volta ao mundo e coloca em evidência as condições desumanas com que se vive na região.


Ficha técnica
Direção: Oriol Ferrer
Produção: Minoria Absoluta, Raiz Produções, TV3, TVE, TV Brasil
Elenco: Eduard Fernández Sergi López Babu Santana Eduardo Magalhães
Formato: minissérie
Gênero: drama, história
Ano: 2012
País de origem: Espanha/Brasil
Classificação indicativa: 14 anos

Santo Pedro

Sul21 | 7/dez/2014, 8h30min

Santo Pedro

Por Selvino Heck

Não sei se terei palavras suficientes nem capacidade de traduzir o que vivi/vivemos e o que senti/sentimos nos dias 2 e 3 de dezembro de 2014 em São Félix do Araguaia, Mato Grosso. Foi a primeira exibição do filme Descalço sobre a Terra Vermelha no Centro Comunitário da Prelazia, sobre a vida, a luta, o compromisso evangélico de Dom Pedro Casaldáliga, com a presença de centenas de pessoas e a presença do próprio Pedro.

filme (que vai ser exibido dias 13, 20 e 27 de dezembro na TV Brasil, às 22h30) começa com a visita 'ad limina' de Pedro, bispo, ao Vaticano em 8 de junho de 1988, onde é recebido pelo então cardeal Ratzinger, depois papa Bento XVI. Na entrada do imponente prédio de imensos corredores, pedem-lhe que se vista adequadamente, isto é, batina preta, tire as sandálias e ponha sapatos. Ratzinger comenta os belos sapatos usados por Pedro. Pedro responde: "São presentes de Fidel." E seguem os questionamentos sobre sua atuação em São Félix, a defesa dos pobres e oprimidos, no caso os peões das fazendas, os índios e as prostitutas, jovens, mulheres, a Teologia da Libertação, seus textos, livros e poemas.

filme vai contando a história de Pedro, desde sua chegada ao Brasil em 30 de julho de 1968, com 40 anos. Diz o barqueiro Josué, que leva Pedro e seu parceiro Daniel pelo rio Araguaia até sua futura casa: "Aqui é o fim do mundo. Vocês não têm ideia de onde estão se metendo." E pergunta a Pedro, que tem caneta e caderno na mão: "Como está escrevendo aqui?" Pedro diz: "É fácil ser poeta numa lindeza dessas como esse rio."

Pedro vai conhecendo a realidade dura de São Félix e região: os peões escravos, a morte rondando todos e todas e acontecendo por qualquer banalidade, a injustiça, a violência contra a mulher, o medo do povo ante o poder estabelecido, a aliança da ditadura com o latifúndio e os políticos, o desprezo com a vida, a pobreza, as vacilações da Igreja católica.

Pedro, na convivência com os pobres, com os eterna e historicamente rejeitados e excluídos, os sem vez e sem voz, com os que ocupam a terra para poderem plantar e viver, descobre a resistência popular, enfrenta os poderosos, começa a ser perseguido, é ameaçado de morte, assim como quem trabalha com ele. Alguns são assassinados, como os padres Jentel, João Bosco e lideranças de posseiros, outros são presos e torturados.

Falou D. Adriano, atual bispo, antes da exibição do filme: "Um povo sem história e sem memória não pode escrever o futuro. É preciso saber quais foram as lutas, os caminhos trilhados, as esperanças. É uma saga a ser conhecida, celebrada por todos os que moram em São Félix e no Vale do Araguaia."

Escrevi mensagem para os membros do Movimento Nacional Fé e Política: "Foi lindo, compas, foi lindo: primeira exibição do filme da história de Pedro no Centro Comunitário da Prelazia de São Félix. Ele, que ficaria só uma hora, resistiu a quase três horas de exibição e cumprimentou todo mundo no final. E uma coincidência incrível. O Moura, do qual tanto falamos no Seminário do Movimento no final de semana, aparece no filme como um guri jovem e cheio de ideais. Perguntei ao Paco, o roteirista catalão do filme, no jantar após a exibição, se o Moura do filme era o Moura que eu conhecera como deputado estadual constituinte goiano, fundador do Movimento Fé e Política e de quem eu falara com saudade sábado e domingo. Era."

Matéria da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), coprodutora do filme através da TV Brasil, conta: "Olhos atentos. Ninguém queria perder nenhuma das cenas. Na plateia, pessoas de todas as idades acompanhavam a narrativa. A estudante Nágila Oliveira falou emocionada sobre o filme que tinha acabado de assistir e a importância do registro para as futuras gerações: "Guardei um monte de lágrimas em muitas horas. Deu para conhecer muito bem a luta dele, que vai continuar por meio desse filme, porque ela não acabou." Dom Pedro Casaldáliga ficou no centro comunitário até o fim da exibição. Em conversa com a equipe da EBC, o bispo, que tem dificuldade pra falar devido ao mal de Parkison, disse que tinha receio de ser retratado como protagonista da luta de São Félix e ressaltou que as conquistas foram resultado da luta e da caminhada de muitos."

Dia seguinte à exibição, a comitiva – Secretaria Geral da Presidência, produtores do filme, equipe da EBC, Pe. Ernani Pinheiro, da CNBB, todos lamentando a ausência do ministro Gilberto Carvalho -, reunimo-nos cheios de emoção na casa de Pedro, casa comum numa rua de terra de São Félix. E, celebrando a vida e o encontro, rezamos a Oração de São Francisco, a mensagem evangélica da multiplicação de pães e peixes, um salmo.

No final, Pedro, o bispo emérito, D. Adriano, o bispo legítimo e o bispo do filme, os três bispos como diz Pedro, nos abençoaram. Termino, emocionado, esta minha (quase) oração com o poema Nossa Senhora do Araguaia, de Pedro: "Senhora do Araguaia,/comadre do dia a dia,/ senhora libertadora,/ mui servidora Maria./ Passarinha da ternura/nas muitas águas da vida,/ enche de Reino a História,/ e o rio, de poesia."

Não erro nem exa gero quando escrevo Santo Pedro. E faço a saudação final com as últimas palavras da Oração dos Mártires da Caminhada Latino-americana, de Pedro: "Amém, Axé, Awiri, Aleluia!".

Selvino Heck é Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República, Membro da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política.


http://www.sul21.com.br/jornal/santo-pedro/

domingo, 14 de dezembro de 2014

Dom Pedro Casaldáliga:"O problema é ter medo do medo"

O bispo emérito de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, conta nesta entrevista ao sítio Quem tem medo da democracia? QTMD -um pouco das suas vivências, falando sobre o contexto do Estado do Mato Grosso e do Brasil na atualidade. Fala também da importância das ações sociais que são desenvolvidas e do descaso com a Causa Indígena.
A entrevista é de Ana Helena Tavares e publicada por Quem tem medo da democracia?, 21-10-2012.
A voz é baixa, o corpo já não permite lutar no front, mas a lucidez do catalão D. Pedro Maria Casaldáliga, bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, é capaz de constranger. Por várias vezes quase assassinado, devido à sua opção pela defesa dos pequenos e o conflito com os grandes, D. Pedro ainda recebe ameaças.
Livro sobre o bispo do Araguaia está virando filme.










QTMD? viajou ao Araguaia para ver e ouvir de perto um pouco da história deste homem que optou por viver "descalço sobre a terra vermelha”. "’Descalço’ quer dizer sem consumismo. ‘Sobre a terra vermelha’. Uma terra ensopada de suor,… Mas também ensopada de sangue”, definiu Casaldáliga.

Para ele, todos os partidos e governos têm três dividas com o povo: A da Reforma Agrária – reforma que "não há, não há, não há…”, a da Causa Indígena – "os índios sobram frente ao agronegócio” – e a dos Pequenos Projetos – "a obsessão pelos grandes projetos é marca do governo atual”.

O bispo, que enfrentou a repressão do regime militar, lembrou que "Jesus enfrentou as forças do Império Romano”, e falou sobre Comissão da Verdade, lamentando a falta de punição aos torturadores: "A memória histórica tem que servir de lição”, sublinhou.

Recebido por tochas

"Eu cheguei em 1968 ao Rio de Janeiro (onde ficou cerca de 4 meses). Saímos de Madrid a 11 graus abaixo de zero e chegamos ao Rio de Janeiro a 38. Tinha aquelas tochas do aeroporto para a cidade. Umas tochas acesas… Eu ainda estou vendo… Aquele calor, com aquelas tochas… Passamos uma noite sem dormir.”
Casaldáliga aparece sentado, de óculos escuros, no ano em que chegou ao Brasil.. Foto: arquivo da Prelazia de São Félix.












"Há muitos Brasis”

"E depois, em Petrópolis, eu fiz um curso que tem a Igreja Católica no Brasil para missionários que vêm de fora. Para estudar a língua e ter uma noção de história do país. Da Igreja no país. E foi providencial. Porque, na época da ditadura militar, se tivéssemos chegado diretamente, da maneira como nós chegamos (foto), para São Félix do Araguaia… Nós estaríamos perdidos. Completamente despistados, sem saber da situação verdadeira… As causas da situação. As migrações: por que motivo? A história do país. Que há muitos Brasis…”.

Sete dias de caminhão
"Foram quase sete dias de caminhão de São Paulo até aqui (São Félix do Araguaia). Porque a estrada estava se abrindo, não tinha estrada. As pontes eram pequenas. Tinha muitos córregos… Agora, quando se faz o caminho deBarra do Garças para cá, não se tem nem ideia de como era a região.”

"Cadê a mata do posto?”

"Está tudo desmatado. Os córregos todos profanados, alguns deles secos já perderam toda a vitalidade. Tinha mata… Se fala do Posto da Mata… Cadê a mata do posto?”

"Terra de ninguém”

D. Pedro Casaldáliga chegou ao Brasil em janeiro de 68, portanto antes do AI-5 (que foi em dezembro do mesmo ano), mas garante: "já era clima de ditadura tensa”. E São Félix do Araguaia era, segundo ele, "um lugar onde o Estado não estava presente. Terra de ninguém.”

"Conflito com a política oficial”

D. Pedro lembra que, em 68, "começavam a vir as grandes fazendas com os incentivos fiscais da SUDAM.” E prossegue: "Automaticamente, para nós, a convivência com os pobres, pelo povo e pelos pequenos, significava entrar em conflito com o latifúndio. Entrar em conflito com a política oficial.”
Na imagem, um dos documentos a que o QTMD? teve acesso nos arquivos da Prelazia de São Félix. É um dos muitos











"Estavam de um lado os índios, os posseiros, os peões… Do outro, os fazendeiros, a polícia, o Exército, o governo, o Estado… Logo, quase bem do início, já percebemos que a luta seria essa. Se nos posicionávamos do lado do povo, entrávamos em conflito com a política oficial.”

A guerrilha

"Aqui não teve guerrilha. A guerrilha foi no sul do Pará e no norte de Goiás. Só que para a repressão nós éramos guerrilha. Porque não conseguiam entender que uns estrangeiros se enfronhassem nesse mundo onde não tinha comunicação de jeito nenhum. Infraestrutura nenhuma… E rapazes novos que deixassem os estudos, o emprego e viessem para cá para não ganhar nada praticamente, só podiam ser guerrilheiros ou respaldo da guerrilha. Por isso, tivemos a repressão em cima… Sempre.”

"Diálogo de surdos”

"Foram presos muitos agentes de pastoral. Torturados. As presidências da CNBB foram muito solidárias conosco. E tivemos possibilidade de discutir com as autoridades por esse respaldo da CNBB. Só que era um diálogo de surdos.”

"Veio, em 1972, o ministro da Justiça da época. (Alfredo) Buzaid, ministro da Justiça (governo Médici). Estive com ele. Discutimos… Ele prometia o que não queria dar. Se impressionou no máximo pelo início da Reforma Agrária. Pelos sucessos de Santa Terezinha dentro da região.”










"Um grito!”

"E no dia da minha sagração (foto), lançamos uma carta pastoral. "Uma igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social.” E foi um grito! Porque escrevíamos dando nomes aos bois… Isso provocou mais presença da repressão.”

"Ação Cívica e Social do Exército”
"Nós tivemos aqui na região quatro operações da ACISO - Ação Cívica e Social do Exército. Que vinha para esses interiores arrancar dentes e consultar… Vinham de fato inspecionar. Porque abrangia a área estrita da Prelazia.”

"Vasculhavam as nossas casas… Exigiam a prisão… Levavam os agentes de pastoral presos e torturados para o Quartel do Exército de Campo Grande. Porque tudo era suspeito… Havia um clima de terror nessas regiões todas.”

"O povo foi torturado como cúmplice”

"Muitos anos depois, o povo se sentia livre para agir, para conversar. Em certas celebrações que tivemos, ainda havia uma reticência. Porque, além dos guerrilheiros que foram mortos, o povo foi torturado, maltratado como cúmplice… Os guerrilheiros tinham criado amizades, alguns eram médicos, professores.”

"Os índios sobram frente ao agronegócio”

Quanto aos índios, "já era uma atitude que continuava a política toda da colonização… Os índios sobravam. E estamos no mesmo problema… Sobram frente ao agronegócio. Porque a política indígena, a cosmovisão indígena, a cultura indígena, a economia indígena… É contrária à política e à economia do agronegócio. Por isso, eu dizia que tivemos problema na defesa desses três grupos de pessoas Os povos indígenas, os posseiros e os peões.”

"O problema é ter medo do medo”
"Detectamos o trabalho escravo. E o denunciamos… Foi aqui onde primeiro se denunciou o trabalho escravo.” Perguntado se em algum momento teve medo de morrer, o bispo do Araguaia não hesitou:

"Vários! Ainda agora, por exemplo… Essa situação dos intrusos, os que comandam a intrusão. Acham que a culpa principal é minha por eu ter defendido esses índios.”

"Mas (na ditadura) éramos todos ameaçados… Eu tenho uma significação por ser bispo. Lógico… Eu digo sempre que o problema não é ter medo… O problema é ter medo do medo, (porque o medo) é uma reação defensiva.”
Foto: arquivo da Prelazia de São Félix.









A morte do padre Burnier
Casaldáliga e o padre João Bosco Burnier, assassinado por um policial, estavam numa delegacia para defender mulheres torturadas. Uma delas é a que aparece na foto ao lado, observada por Casaldáliga, de óculos. Aquela foi uma das quatro ocasiões em que o bispo foi quase expulso do Brasil.

"O povo de Ribeirão Cascalheira derrubou a cadeia e a delegacia. Disseram que eu estava comandando esta derrubada da cadeia… Cadeia funcionando… E que podiam pedir a minha expulsão. Eu precisamente tinha saído rapidamente a Goiânia levando a denúncia da morte do Padre João Bosco (Burnier) e eu já não estava (em São Félix).”

As três dívidas dos governos com o povo
Quadro na casa de D. Pedro Casaldáliga com o poema









"Não há… Não há… Não há Reforma Agrária.”, enfatiza Dom Pedro Casaldáliga. "A Reforma Agrária supõe Reforma Agrícola também. Uma política a favor da Agricultura Familiar. Um acompanhamento dos assentamentos. Se tem feito alguns acordos… Mas não entram no que eu digo…”

"Eu digo que esses partidos, esses governos todos têm três dívidas: a da Reforma Agrária; a da Causa Indígena; e a dos Pequenos Projetos. De Agricultura Familiar, de Mini-Empresas… Têm essa dívida.”

"E com o capitalismo neoliberal… Com a política da exportação… Se confirma que esses países da América Latina e o Brasil, particularmente… Estão destinados a serem exportadores de matéria prima. É uma política contrária completamente às necessidades do povo.”

"O povo tenta fazer (a Reforma Agrária)… O MST e outras forças populares tentam gestos da Reforma Agrária. Mas a política oficial não é da Reforma Agrária. Insistindo: o que se pede é uma Reforma Agrária que seja uma Reforma Agrícola também. Porque terra é mais do que terra! Para o índio, sobretudo, é o habitat.”

"O bispo Pedro é comunista”
"Nós éramos comunistas, aqui na região, na Prelazia. E se deram casos pitorescos. Numa ocasião (na ditadura militar), a polícia lá em Santa Terezinha dizendo que: "O bispo Pedro é comunista”! Um dos camponeses falou: ‘Eu não sei o que é comunista. Agora, se comunista é ser da comunidade, trabalhar para a comunidade, o bispo Pedro é comunista’”.

"Os primeiros socialistas se inspiraram no Evangelho”

"No problema da justiça e da igualdade, estamos na mesma. Por motivos filosóficos, históricos e de fé… Também se diz: "Estamos no mesmo barco.” E, em certa medida, é verdade. Estamos no mesmo barco, mesmo que nós acrescentemos o motivo da fé. A procura da justiça social, da fraternidade universal… Os primeiros socialistas se inspiraram no Evangelho.”

"Dialético, marxista, humano”
"Por outra parte, se critica a Teologia da Libertação de ser marxista. Não é marxista. Porque existem categorias que são comuns… Dizer que os ricos cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres… Isso é dialético! É marxista! É humano! Uma consideração humana da realidade dá esse resultado: que os ricos são cada vez mais ricos à custa dos pobres cada vez mais pobres.”

Socialização: a prerrogativa para a paz

"Quando fomos investigados aqui (na ditadura militar)… A Polícia Federal me parou e perguntava sobre socialismo. Eu dizia: se querem falar de socialismo, vamos falar de socialização. Se não se socializa a terra… A terra do campo e a terra urbana. A saúde, a educação, a comunicação… Se não se socializa esses bens maiores, essenciais… Não haverá paz.”

"Como Jesus optou…”

"Há um passado, um presente e um futuro (para a Teologia da Libertação). E, em todo caso, toda verdadeira teologia tem de ser Teologia da Libertação. A teologia cristã tem que optar pela igualdade fraterna da humanidade. Tem que optar pelos pobres, pelos pequenos, pelos marginalizados. Como Jesus optou.”

"Enfrentando, se preciso, as forças do poder. Como Jesus enfrentou as forças do Império Romano. As forças de uma religião utilizada… As forças do latifúndio na Palestina. Então… Um cristão que queira ser cristão de verdade tem que fazer essas opções. Isso chamamos de Teologia da Libertação.”

"A memória histórica tem que servir de lição.”

Dom Pedro Casaldáliga concorda que se investiguem as violações dos direitos humanos que tenham ocorrido entre 1946 e 1988, como está fazendo a Comissão da Verdade. "Eu acho que é bom que se abranja também essa outra área.”

"Porque o perigo de torturar fisicamente e psicologicamente está nas mãos de todos os governos que sejam mais ou menos ditatoriais. A ditadura foi o momento alto dessa repressão… Desse abuso de poder. Mas devemos prevenir para qualquer outro momento.”

O bispo, porém, discorda da falta de punição aos torturadores: "Deveriam ser punidos. A memória histórica tem que servir de lição. Não pode ser apenas evocar estaticamente uns heróis e uns torturadores. Vários países da América Latina têm dado o exemplo disso”.

América Latina: "Pátria Grande”

Casaldáliga considera que a América Latina "está melhor hoje do que ontem. Porque temos governos mais ou menos de esquerda. Porque há uma maior consciência de que somos um continente.”

"Uma "Pátria Grande”, como diziam os libertadores. "A nossa América”, diziam eles também. Eu digo sempre que a América Latina e o Caribe ou se salvam continentalmente todos ou não se salvam. Tem que ser uma comunidade de nações, porque temos uma característica especial.”

"Paixão latino-americana”
"Já, em parte, se está conseguindo que a América Latina não seja tão abertamente o quintal dos Estados Unidos. Se está dando passos importantes. Quando se fala da Venezuela, eu digo que, com os erros de Hugo Chávez, tem umas contribuições significativas. Uma delas é essa paixão latino-americana.”

"O Brasil é outra coisa”

"Custou o Brasil tomar consciência de que somos América Latina. Pelo idioma… Por uma certa atitude hegemônica… Que, às vezes, não é suficientemente controlada… O Brasil é outra coisa.”

Não acredito, mas…

O bispo não acredita em novo golpe. Ao menos, não nos moldes do que ocorreu em 64. "Nem aqui nem em outros lugares da América Latina. Mas há outros tipos de golpes… Por isso, é bom prevenir… Para que as ditaduras não sejam camufladas… Podem ser ditaduras militares, podem ser ditaduras civis também…”

Os "outros tipos de golpes”…

"O governo do Paraguai não é legítimo, o governo de Honduras não é legítimo. Evidente. São golpes de Estado, são ditaduras camufladas a serviço dos interesses do Império. (o grande capital) Que agora é menos expressivamente dos países… A globalização os tem metido a todos no mesmo saco.”

"O nosso DNA é ser raça humana”

"Por outra parte, há um cenário, uma nova consciência de sermos uma unidade. Somos a família humana. Agora não se pode prescindir do resto do mundo. Sempre temos dito que o pecado dos EUA é se considerar como ele só no mundo. E o resto é resto.”

"Agora com a globalização e suas malezas, e seus abusos… Tem se aberto um espaço… Uma unidade. A característica primeira é de ser humanos…”

"Eu digo que o nosso DNA é ser raça humana. Família humana. Existem ("raças”) como identidade. Mas, dentro dessa identidade, primeiro é o fato de ser humanos. E toda a verdadeira política se devia dedicar a humanizar a humanidade.”

"Capitalismo com rosto humano é impossível”

Perguntado se há possibilidade de haver uma verdadeira democracia dentro do capitalismo, o bispo do Araguaia foi enfático: "Não! O capitalismo é nefasto. E não tem solução… O capitalismo é o egoísmo coletivo. É a segregação da imensa maioria. É o lucro pelo lucro. É a utilização das pessoas e dos povos a serviço de um grupo de privilegiados. Quando se trata de um "capitalismo com rosto humano” se está pedindo o impossível. É impossível.”

"A democracia é uma palavra profanada.”
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Para D. Pedro Casaldáliga, não há democracia verdadeira em lugar nenhum do mundo. "Porque se tem uma democracia formal… Uma democracia, entre aspas, política. Mas não se tem democracia econômica… Não se tem democracia hênica (étnica). Os povos indígenas, dentro destes Estados democráticos… São coibidos. São marginalizados. Se veem obrigados a reivindicar os direitos que são elementares para eles. A democracia é uma palavra profanada.”

Quem tem medo da democracia?

"Da verdadeira democracia… Têm medo todos àqueles que continuam defendendo privilégios para umas pessoas… Privilégios para uns poucos.”

"Todos aqueles que fazem da propriedade privada um direito absoluto.”

"Todos aqueles que não entendem que a propriedade tem uma hipoteca social.”

"Todos aqueles que considerem que podem existir pessoas, governos e Estados que vivam de privilégio à custa da dominação e da exploração…”

"Não há liberdade de imprensa”
"A grande mídia é a mídia dos grandes. Com isso está dito tudo… Não há liberdade de imprensa. Eu tenho visto jornalistas chorando de raiva porque fizeram matéria e o editor tergiversou (distorceu) tudo praticamente… Colocando o título tal e tergiversa (distorce) tudo o que foi dito no texto. Sim. Sim. Tem tido casos assim.”

Governo Dilma: "obsessão pelos grandes projetos”

"A crítica que eu faço é dessas três dívidas: A dívida da Reforma Agrária. A dívida da Causa Indígena. E a dívida dos pequenos projetos. Se faz os grandes projetos… Belo Monte. São Francisco. Hidrelétricas… Grandes projetos… O Brasil é destinado a ser uma grande fábrica a serviço deles.”

"Um índio Carajá dizia uns anos atrás… Numa coletiva de imprensa na Europa: "Eu acho que o nosso governo está mais interessado em engordar os porcos de obra…” "Do que em cuidar do seu povo…” Engordar os porcos… Sem recolher a soja… Fazer da soja a grande exportação. Há uns atrás ele falava… Mas ainda devemos dizer que essa obsessão pelos grandes projetos… Define em grande parte o governo atual.”

A política internacional vai bem

"Eu reconheço a história da Dilma. Reconheço as ações de solidariedade que ela está fazendo… A atitude que se tem adotado com respeito ao Paraguai… A atitude que se tem adotado com respeito à Venezuela… A atitude que se tem adotado quando se trata de defender o direito dos povos. Se Equador toma uma decisão, ela é acolhida ou respaldamos. Sim (a política internacional vai bem). Pela primeira vez se fez uma política, que buscava a independência com respeito aos EUA.”

"Descalço sobre a terra vermelha”
Para rodar o filme, foram espalhados por São Félix diversos cartazes simulando a caça aos












Quando o QTMD? esteve em São Félix do Araguaia, estava sendo rodado um filme sobre D. Pedro Casaldáliga, baseado em livro homônimo. O homenageado se opunha, mas depois acabou permitindo.

"Eu me opunha de todo jeito. Porque eu tinha medo de duas coisas: que se partisse para o pedantismo… O culto da personalidade. E também que não se destacassem bastante… As nossas causas. Por que estamos aqui? O que defendemos aqui? Por que temos assumido essas atitudes?”

"Isso de um modo comunitário. Porque não tem sido eu… Tem sido essas equipes de pastoral… Tem sido o movimento popular. O povo da região… Que tem lutado, que luta, para vingar seus direitos. Eu fiz questão de não interferir. Deixar liberdade absoluta. Sem censura. Criticamos a censura, eu não vou fazer censura agora…”

"Tem uma vantagem, acho, o filme… Ajudará a evocar uma memória que não estava viva, sobretudo, na juventude… Do governo daquela época. Poderão agora descobrir um passado, que afeta o presente e o futuro.”

"’Descalço’ quer dizer sem consumismo. Despojado, sem consumo. ‘Sobre a terra vermelha’. Uma terra ensopada de suor,… Mas também ensopada de sangue. Sangue mártir.”, finalizou o bispo.

http://www.ihu.unisinos.br/noticias/514851-d-pedro-casaldaliga-o-problema-e-ter-medo-do-medo 

MISSA DA TERRA SEM MALES e MISSA DOS QUILOMBOS

MISSA DA TERRA SEM MALES
Pedro CASALDÁLIGA

http://servicioskoinonia.org/Casaldaliga/poesia/terra.htm



MISSA DOS QUILOMBOS
Pedro CASALDÁLIGA e Pedro TIERRA

http://www.servicioskoinonia.org/Casaldaliga/poesia/quilombos.htm

A fé como inspiradora da militância cristã para a prática da justiça social, da ética, da política e da solidariedade

 Texto: José Antônio Somensi e Maria Fernanda M. Seibel
Fotos: Maria Fernanda M. Seibel

O tema desta última etapa da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho 2014.ano11, com assessoria do professor Ms. Frei Flávio Guerra da ESTEF – Escola Superior de Teologia e Espiritualidade Franciscana, com o tema: O Ensino Social da Igreja e os desafios do desenvolvimento humano, econômico, técnico e social. A dimensão da fé como inspiradora da militância cristã para a prática da justiça social, da ética, da política e da solidariedade”.

Em sua participação Frei Flávio nos trouxe que a Igreja tem a missão de anunciar e atualizar o Evangelho na complexa rede de relações sociais onde o ser humano está inserido e esta atualização se dá através de um desenvolvimento capaz de proporcionar aos seres humanos que vivem em ‘condições menos humanas’ (alimentação, saúde, educação, opressão, exploração, individualismo) conquistar ‘condições mais humanas’ (vida digna, paz, bem comum e com fé em Deus).


Vivemos numa sociedade que passa, no dizer do Documento de Aparecida, uma mudança de época que positivamente traz a busca de um sentido de vida e da transcendência, de construir o próprio destino, mas também de forma negativa marcada pela exclusão social de muitos pobres, enfermos, mulheres que vivem como supérfluos e descartáveis, a mercê do desemprego, da violência, do desamparo; de pessoas que por força de uma sociedade consumista, individualista, manipulada pelos meios de comunicação, governos dependentes de um sistema financeiro dominado pela lógica do mercado e por uma política de interesses de grandes grupos.
Diante desta realidade Frei Flávio nos traz o Ensino Social que olha para a prática de Jesus que apresenta a proposta de vida em abundância (Jo 10,10) – saúde, comida, acolhida, valorização e inclusão dos pobres na sociedade; poder como serviço colocando os talentos em favor dos outros; igualdade para todas as pessoas libertando-os dos males provocados pela sociedade e religião; solidariedade como saída para os excluídos exemplificados no bom samaritano; vida sagrada de todos os seres, pois Deus é o criador de tudo. 





Frei Flávio reforça que todas as ações são políticas (partidárias e/ou participativa) e que precisamos fortalecer a Política através dos princípios éticos que o Ensino Social da Igreja nos traz. A) Bem comum que respeita e garante os direitos fundamentais de todas as pessoas, promove a paz, prioriza os pobres nas políticas públicas. B) Participação com uma educação adequada, exercício de cidadania plena com o devido cuidado na escolha dos representantes, na formação, nas ações sociais, no favorecimento da participação dos excluídos na vida da sociedade. C) Solidariedade com a partilha dos bens e serviços com os mais fracos, com os pobres, promovendo a paz social.

Torna-se necessário a partir do conhecimento que adquirimos buscar o poder como serviço e exercê-lo através da gratuidade trabalhando pelo povo, libertarmos-nos da ambição que pode nos levar ao vedetismo e empenharmos-nos em favor dos outros colocando os nossos talentos a serviço de uma sociedade de justiça e de paz, ocupando os espaços de decisão através dos vários conselhos em âmbito local, regional, municipal, estadual e nacional.
Ainda, o professor Flavio, relatou sobre os tipos de amor: Eros (amor apaixonado), Filia (amor amizade) e Ágape (amor de Jesus, amor fraternal, incondicional, universal, de doação. A expressão maior do amor de Jesus é a cruz.Ágape é o amor maduro. O principal culto a Deus é a defesa da VIDA, isso é Ágape. Os que vivem o Ágape estão dentro do Reino de Deus).


Chegamos ao final de mais um ano de Escola de Formação Fé, Política e Trabalho cuja responsabilidade está a cargo da Cáritas Caxias do Sul com apoio e parceria do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

Hoje somos centenas que ao bebermos de águas puras podemos ajudar na construção de um mundo melhor, um outro possível.
Agradecemos os nossos bispos Alessandro e Paulo, padres, pastorais, movimentos sociais e de Igreja, organizações, sindicatos, associações, cooperativas e alunos/as (sempre) que desde o seu início em 2004 colaboraram conosco, nos apoiando, enviando inscritos/as, nos transmitindo palavras de incentivo. 
Agradecemos também a todos/as que gratuitamente se dispuseram a organizar a Escola, aos assessores/as, ao IHU (Instituto Humanitas - Unisinos) que acredita e incentiva a proposta da Escola e aos funcionários/as do Centro de Pastoral que dedicaram muito carinho para conosco.

Em 2015 temos o desafio de fazer acontecer a décima segunda edição da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho e continuamos contando com todos/as. 

Acessem www.fepoliticaetrabalho.blogspot.comhttp://fepoliticaetrabalho.blogspot.com.br/p/fe-politica-e-trabalho-2015ano12.html e www.diocesedecaxias.org.br, divulguem e indiquem pessoas para se inscrever, que possam nos ajudar a vencer os males que continuam a nos desafiar na proposta de uma sociedade mais justa.