17/10/2013

Escola de Formação Fé, Política e Trabalho – 10 anos

José Antonio Somensi*












Em 2004 tivemos a primeira edição da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho da Diocese de Caxias do Sul, portanto neste ano de 2013 festejamos o acontecimento da sua décima edição que teve a sua gênese durante os preparativos para a Romaria do Trabalhador que a Diocese receberia em 2005 e contou desde o início com o apoio e parceria do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

A Escola passou estes anos todos construindo a sua história buscando trazer os temas que perpassam a nossa sociedade: ecologia, ética, história, partidos políticos, o mundo do trabalho, a Bíblia, a fé...

Nestes anos trouxemos para o debate assuntos que alguns diziam que já não se faziam necessários: capitalismo, socialismo, regimes totalitários,a nossa jovem e lenta democracia...
Nesta nossa sociedade, moderna, pós-moderna, pós-humana, ou outra definição qualquer, não podemos deixar de reconhecer os inúmeros avanços para o bem do ser humano. A velocidade das informações, o aumento da produtividade, as conquistas na área da medicina, mas também é inegável que vivemos numa sociedade de contrastes.

É rotineiro ver os anúncios de recordes na agricultura e aumentos fantásticos na produção de grãos e quem liga para o fato de mesmo com estes recordes temos uma parcela considerável da população passando fome? Quem se importa se esta produção é a partir de sementes modificadas geneticamente e com uso indiscriminado de agrotóxicos? Quem se importa com a poluição da água, terra, mar e mente? 
 
Somos capazes de dar volta ao mundo em aviões velozes, cruzamos fronteiras com nossos veículos potentes pregando direitos e acesso de todos a tudo, mas quando somos convidados a por isso em prática não aceitamos a vinda de outras pessoas para as nossas terras, países, e nem nos chama a atenção se o 'sonho' de um mundo melhor 'naufraga' em mares para passeio. 
 
Em nosso mundo do trabalho não temos mais colegas, mas concorrentes, inimigos capazes de tirar a minha oportunidade de conseguir minha casa, minha televisão, meu carro e para isso fazemos horas extras, esquecemos lazer, família. Isso acontece porque os laços comunitários enfraqueceram, a solidariedade ficou no passado e os valores que permitem uma vida digna são corrompidos pela humilhação e sem acesso aos meios de 'teleação' (Bauman). 
 
Pensar incomoda e por isso corremos o risco de deixar que outros pensem por nós, nos desinformem, desvirtuem as notícias, omitam fatos, mentem descaradamente, ou mesmo que as máquinas fabricadas por estes pensem por nós. Nem fazemos questão de manter viva a nossa história e o período desumano que vivemos. Desconhecemos ou ignoramos os saberes diferentes que cada um possui (Paulo Freire) e não temos preocupações em conseguir as respostas que possibilitem criar consciência que nos tornam livres. Estas e outras questões a Escola traz à mesa para o debate.

Profundamente comprometida com o Ensino Social da Igreja e buscando contribuir para a formação e articulação de lideranças gestando a criação de uma mentalidade nova capaz de participar na construção de uma sociedade solidária, colaborar para que esses indivíduos fechados em si mesmos, vivendo numa sociedade desigual e fragmentada se descubram capazes de romper o casulo da indiferença e se tornem atores nessa sociedade através da reflexão interdisciplinar dos três eixos que dão nome ao curso - Fé, capaz de fortalecer os cristãos para a responsabilidade que possuem na construção de um mundo melhor exercendo o seu protagonismo; Política, que faça com que possamos passar de uma democracia representativa para uma democracia participativa a partir do nosso meio local; Trabalho, entendendo as mudanças que ocorrem e como a crise do mundo do trabalho é determinante na relação das conquistas obtidas - tem sido o objetivo geral da Escola de Formação Fé, Política e Trabalho.

... se vem de Deus (At 5,39) era frase usual da irmã Brenda quando nas reuniões de avaliações e programações da Escola nos deparávamos com situações conflitivas, negativas, mas que tínhamos que decidir e decidíamos com certo temor.

Depois de dez anos, onde perto de mil pessoas passaram pela Escola, podemos dizer que a inspiração divina despertou em algumas pessoas a necessidade desta Escola e aqui citando a irmã Maria Brendalí Costa e o padre Gilnei Fronza que grávidos desta ideia imprimiram uma marca que permitiu que a Escola chegasse a essa década de existência. Agradecemos também a muitas e tantas pessoas que de forma abnegada dedicaram e dedicam tempo e carinho em favor da Escola. Agradecemos a todas e todos, alunas e alunos, que de 2004 até hoje acreditaram nesta Escola e na sua proposta participando e convidando pessoas para fazerem o curso. Se vamos ter mais um, dois, cinco, dez anos não sabemos, mas se vem de Deus...

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Zeca, aluno em 2005, e da equipe de coordenação desde 2006.

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