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Quinta,
07 de novembro de 2013
O Brasil
é hoje o sétimo maior emissor de gases-estufa. O campeão é a
China,
seguido pelos Estados
Unidos.
O Brasil responde por 2,8% das emissões globais, ou 1,48
gigatonelada (Gt CO2 e). Se a boa notícia é que as emissões
relacionadas ao desmatamento vêm caindo, a má é que as de todos os
outros setores estão crescendo, e muito. No período entre 1990 e
2012, as emissões brasileiras produzidas nos processos industriais,
energia, resíduos e agropecuária cresceram bem mais do que a média
mundial.
A
reportagem é de Daniela
Chiaretti
e publicada pelo jornal Valor,
07-11-2013.
Nesse
período, as emissões relacionadas ao uso da terra (o jargão para
desmatamento) caíram 35%. Enquanto isso, as do setor de energia (que
inclui transportes) subiram 126% (a média mundial foi 37%), os
processos industriais, 65%, as de resíduos aumentaram 64%, e as da
agropecuária, 45%.
"Estamos
crescendo nas nossas emissões de gases-estufa mais do que cresceu a
economia brasileira nos últimos dois anos", destaca o
engenheiro florestal Tasso
Azevedo,
coordenador de uma plataforma de dados inédita, que será lançada
hoje em São Paulo. "Estamos gerando mais emissões por menos
riqueza, menos PIB."
As
emissões brasileiras de energia em 2011 e 2012 cresceram 13%, bem
mais do que o crescimento da economia no período. A média de
crescimento global do setor foi 3%. As dos processos industriais
aumentaram 9,4% nos últimos dois anos. "Isso quer dizer que nos
últimos anos estamos menos eficientes", diz Azevedo.
Esses
dados fazem parte do Sistema
de Estimativas de Emissões de Gases (SEEG).
Trata-se de uma iniciativa inédita do Observatório do Clima, um
coletivo de 35 institutos e organizações não governamentais que
vem se debruçando sobre os dados de emissões e as políticas
públicas brasileiras relacionadas à mudança do clima.
O SEEG,
que tem como base os dados oficiais, será apresentado em um
seminário com mais de 200 inscritos, entre membros do governo,
universidades e ONGs. A iniciativa espera dar visibilidade às
emissões de gases-estufa brasileiras e, assim, ajudar a corrigir o
rumo das políticas públicas sempre que necessário. É um processo
similar ao que vem ocorrendo, há alguns anos, com os dados do
desmatamento.
"Queremos
disponibilizar as estimativas de emissões de gases-estufa
brasileiras de forma consistente e acessível", explica Azevedo,
ex-diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro. Na elaboração da
plataforma, teve como parceiros equipes do Instituto
do Homem e do Meio Ambiente na Amazônia (Imazon),
do Instituto
de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora)
e do Instituto
Estadual do Meio Ambiente de São Paulo (Iema).
O Brasil
já produziu dois inventários de emissões feitos pelo Ministério
da Ciência, Tecnologia e Inovação. São estudos muito detalhados e
publicados em 2005 e 2010. O problema é a periodicidade. O primeiro
refere-se ao período 1990-1994 e o segundo a 1990-2005. Em 2013, o
ministério divulgou uma atualização dos dados chegando até a
2010.
"Embora
muito importantes, os dados dos inventários acabam sendo pouco
efetivos para políticas públicas, dado o seu descolamento do
momento de decisão", afirma Carlos
Rittl,
secretário-executivo do Observatório do Clima.
O estudo
cobre as emissões de cinco setores - agropecuária, energia,
mudanças do uso da terra, processos industriais e resíduos. Também
inclui todos os gases-estufa do inventário nacional.
A
metodologia do SEEG
é baseada nos guias do IPCC
(Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU)
e segue os padrões e fatores de emissão adotados pelo segundo
inventário brasileiro de emissões.
A
plataforma coloca uma lupa nos dados disponíveis e permite
cruzamentos interessantes. Em breve será lançada com divisões por
Estado. A ideia é fazer com que as estimativas de emissões
brasileiras sejam atualizadas anualmente. Será possível ver, por
exemplo, quanto emite uma tonelada de aço produzida no Brasil, ou
como evoluíram as emissões do Paraná em determinado período.
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